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Meu Ex é um Espião | Crítica

Meu Ex é um Espião | Crítica

Meu Ex é um Espião (The Spy Who Dumped Me)

Ano: 2018

Direção: Susanna Fogel

Roteiro: Susanna FogelDavid Iserson

Elenco: Mila KunisKate McKinnonJustin TherouxIvanna SakhnoSam Heughan.

Já faz alguns anos que Hollywood não consegue, salvo raríssimas exceções, entregar comédias de qualidade. O gênero anda bem em baixa e a fórmula atual anda super saturada. Meu Ex é um Espião (cujo título original é muito melhor: The Spy Who Dumped Me e sua clara referência a 007: O Espião que me Amava) não escapa muito desta fórmula, mas ganha alguns pontos no momento em que se diferencia tanto na representatividade de papéis femininos, quanto em alguns posicionamentos críticos que aparecem pontualmente no filme.

Dirigido por Susanna Fogel, que também assina o roteiro junto de David Iserson, o longa conta a história das amigas Audrey (Mila Kunis) e Morgan (Kate McKinnon), que são envolvidas em uma perigosa trama de espionagem quando Drew (Justin Theroux), o ex-namorado de Audrey, que recentemente rompeu o relacionamento com ela via SMS, reaparece no apartamento dela perseguido por um grupo de assassinos. Audrey recebe a incumbência de proteger a qualquer custo um objeto que não pode cair em mãos erradas. Sabendo que não pode confiar em ninguém, Audrey conta apenas com Morgan para ajudá-la nesta missão.

As qualidades do roteiro não são referentes à história do filme propriamente dita, visto que não existe novidade nenhuma no que diz respeito à trama, que se mantém em um nível de absurdo coerente com o gênero no qual ele se enquadra. O que pode ser sim elogiado é a importância de se colocar este olhar feminino em um tipo de filme que normalmente é escrito, dirigido e protagonizado por homens. Apenas dando espaço para uma diretora e para o protagonismo feminino, vários momentos daqueles que já cansamos de ver foram apresentados sob outra perspectiva, o que é sempre enriquecedor.

É claro que, por se tratar de uma comédia, o objetivo do filme não é despertar grandes reflexões. Mesmo assim, são feitas diversas piadas pouco usuais, que até chegaram a surpreender. Principalmente algumas que criticam o estilo de vida ou os hábitos dos estadunidenses. Uma delas em particular chama atenção pela sábia decisão da diretora de não usar nenhum diálogo expositivo para explicar a piada que, apenas visualmente, já era auto-explicativa. Tudo bem que a ideia era bem óbvia, mas normalmente os cineastas subestimam o público nestas situações e utilizam alguma fala para garantir que as pessoas vão entender qual é graça naquela cena. E é uma pena que algumas boas piadas com trocadilhos não tenham como ser traduzidas para o português.

No que diz respeito às atuações, Mila Kunis deve agradecer de joelhos a Kate McKinnon pelo humor do filme funcionar. McKinnon tem o carisma e o timing cômico necessário para carregar o filme nas costas e conseguir extrair graça de Kunis. A química entre as duas atrizes é suficientemente boa para nos convencer da força da amizade entre as duas, o que é fundamental para que muitas cenas façam sentido e tenham um mínimo de coerência. Entre os coadjuvantes, destacam-se Ivanna Sakhno como a perigosa assassina-acrobata Nadedja e o agente britânico Sebastian, vivido por Sam Heughan.

Diga-se de passagem, estes dois personagens protagonizam as melhores cenas de ação do filme. Cenas que funcionam bem dentro do contexto da história, até por terem uma plasticidade inversamente proporcional ao realismo. A sequência inicial na qual Drew é perseguido por um grupo de agentes inimigos também conta com uma boa coreografia e uma variedade de referências a filmes de espionagem, com toques de 007, Jason Bourne, Atômica e Missão: Impossível.

Sendo assim, apesar de despretensioso, o filme se torna mais relevante que a maioria dos seus semelhantes justamente pela questão da representatividade e da mudança de abordagem trazida por sua diretora. Tudo bem que ele segue sendo um daqueles filmes de se assistir no domingo à tarde, possivelmente na TV aberta, mas nesse sentido ele vai cumprir satisfatoriamente seu papel. E, se bobear, ainda vai trazer alguns assuntos para serem discutidos mais tarde durante o café.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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