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O Protetor 2 | Crítica

O Protetor 2 | Crítica

O Protetor 2 (The Equalizer 2)

Ano: 2018

Direção: Antoine Fuqua

Roteiro: Richard Wenk

Elenco: Denzel WashingtonPedro PascalAshton SandersOrson BeanBill PullmanMelissa Leo.

Parece que já está consolidado um sub-gênero entre os filmes de ação que se resume a um ex-agente da CIA, ou FBI, ou KGB ou das forças especiais do exército americano que, por algum motivo qualquer, se obriga a abandonar a aposentadoria. É claro que esses “ex-qualquer coisa” eram sempre os melhores no que faziam, e compensam através de sua experiência e habilidades quaisquer problema decorrente da idade avançada. Nesse sub-gênero, podemos citar desde Comando para Matar (com um Arnold Schwarzenegger jovem demais para estar aposentado, mas tudo bem) até os diversos filmes estrelados por Liam Neeson. Agora, Denzel Washington também começa a consolidar seu lugar neste seleto grupo com a continuação de O Protetor (2014).

Escrito por Richard Wenk, responsável por diversos filmes de ação bem genéricos, e dirigido por Antoine Fuqua, cujo trabalho de maior destaque provavelmente seja Dia de Treinamento, O Protetor 2 acompanha Robert McCall (Denzel Washington) em sua incessante jornada de ajudar anonimamente a desconhecidos. Trabalhando como motorista através de um aplicativo de celular, ele escuta histórias de seus passageiros ou se depara com situações, e algumas vezes decide intervir para fazer justiça. Seja resgatando uma criança raptada pelo próprio pai, seja vingando uma jovem violentada por um bando de playboys, quando ele se envolve, ninguém consegue pará-lo. No entanto, a vítima agora foi uma antiga amiga, e ele percebe que existe algo de estranho no crime e, por isso, vai investigar até o fim para encontrar os culpados e puní-los.

O roteiro de Richard Wenk possui mais atrativos do que a maior parte dos seus trabalhos anteriores. Existem diversos pontos elogiáveis, principalmente no que se refere à forma como os casos secundários do filme surgem para McCall. Infelizmente, os vilões principais do filme surgem de forma tão desorganizada na história que só percebemos sua real relevância após a metade da projeção. Durante muito tempo, parece uma série desconexa de pequenos episódios, nas quais as sequências que são realmente parte do evento principal do longa ficam perdidas entre elas e fazem com que os outros casos pareçam um tipo de “encheção de linguiça” para estender um pouco mais um filme cuja história principal não consegue sustentar. Isso sem contar que a pretensa virada da trama é um tanto quanto óbvia.

Ainda assim, apesar dos problemas relativos à narrativa, este roteiro inflado de situações supérfluas permite que o filme tenha um bom ritmo, pois a todo instante está acontecendo alguma coisa. E se a direção de Fuqua consegue proporcionar algumas cenas eficazes de combate corporal, é de se estranhar alguns momentos que destoam do resto do filme. Por exemplo, quando se utiliza o recurso do plano detalhe em câmera lenta nos olhos de McCall, para enxergarmos no reflexo da sua íris o ataque de algum inimigo e percebermos que ele está ciente do mesmo e antecipando este movimento. É algo que talvez fizesse sentido caso fosse um filme de super heróis mas, não sendo o caso, chega a ser meio embaraçoso. De resto, as cenas de ação funcionam bem. O conflito final com elementos da natureza interferindo no confronto deu um bom toque dramático e proporcionou momentos muito bem elaborados.

Mas é inegável que o que sustenta o filme é o talento de Denzel Washington. Fica aí o exemplo para outros atores consagrados de que é possível fazer um bom trabalho mesmo em filmes genéricos, visto que muitas vezes estes parecem tão desinteressados que passam a impressão que só aceitaram o papel porque estavam precisando pagar algumas contas. Washington atua com a naturalidade de sempre, compondo seu personagem como um homem emocionalmente controlado, cuja dor do trauma que carrega dentro de si fica em algum lugar muito escondido, servindo apenas de combustível para suas ações, jamais afetando a frieza de suas decisões. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito dos vilões do filme, cujas atuações caricatas e personalidades unidimensionais não ajudam muito a criar a tensão e uma real sensação de perigo.

E este talvez seja o principal problema que nem Denzel Washington foi capaz de resolver. Em momento nenhum sentimos que ele está realmente em risco. Há uma constante sensação de invulnerabilidade no personagem, que jamais consegue criar qualquer clima de tensão. Até quando surge um desafio mais complicado, vem um Deus Ex Machina para facilitar tudo de novo. O Protetor 2 é, portanto, um passatempo eficaz em função da ação e do bom ritmo, mas parece ter se proposto a ser só isso. Mais um filme genérico que desperdiça o potencial de um bom personagem e de um excelente ator.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4.5/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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Comments

  1. Super curti o filme. Ainda mais que senti uma grande presença Gore na trama.

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