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Você Nunca Esteve Realmente Aqui | Crítica

Confira a crítica de Rafael Bernardes sobre o longa estrelado por Joaquin Phoenix!

Você Nunca Esteve Realmente Aqui | Crítica

Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here)

Ano: 2017

Direção: Lynne Ramsay

Roteiro: Lynne Ramsay

Elenco: Joaquin PhoenixJudith RobertsEkaterina SamsonovAlex Manette, John Doman, Frank Pando

Nos últimos anos, diversos filmes sobre vigilantes matando homens maus foram feitos, todos buscando o entretenimento puro, com boas cenas de ação e alguns com histórias interessantes, como O Protetor, de 2014. Você Nunca Esteve Realmente Aqui possui essa premissa, mas a execução faz o contrário e mostra, já nos primeiros minutos, que não se trata de um produto que possa ser consumido de maneira fácil e despreocupada.

Baseado em um livro homônimo, o longa conta a história de Joe (Joaquin Phoenix), um homem violento e perturbado, mas que demonstra doçura quando chega em casa e cuida de sua mãe idosa. Logo no início, já somos apresentados à profissão do protagonista, mas de uma forma implícita. A diretora Lynne Ramsay faz questão de não entregar nada de bandeja. Ela exige do público atenção e vontade de saber o que está acontecendo. A cineasta, que realizou o ótimo Precisamos Falar Sobre o Kevin, traz o seu estilo para essa produção.

Joe é um veterano de guerra. Pode até parecer clichê, nós já vimos isso em diversos filmes com vigilantes. Porém, não se faz necessário explanar essa informação. Em nenhum momento o personagem principal é descrito como especialista em algo, como imbatível. Pelo contrário, sua mente é completamente perturbada e ele se mostra inseguro em diversos momentos. O protagonista não é unidimensional, possuindo diversas camadas que somente um bom aprofundamento poderia lhe dar. E tudo isso é feito em menos de uma hora e meia.

O personagem em questão tem sua vida mudada quando aceita um novo trabalho: resgatar a filha de um político, que foi sequestrada e está mantida em uma espécie de prostíbulo doentio. O que Lynne Ramsay faz aqui possui referências óbvias a Táxi Driver, mas também há semelhanças com as técnicas de ocultamento da violência, exercidas por Michael Haneke em Violência Gratuita. Em nenhum momento as agressões são foco das câmeras, a não ser que a violência seja extremamente incômoda. Não há coreografias, nem sequências memoráveis de ação. A câmera subjetiva impera na maior parte, buscando o minimalismo em diálogos e cenas isoladas.

A proposta aqui é incomodar o espectador e gerar tensão, colocando elementos do horror em um drama psicológico. Tudo isso funciona muito bem, mas a atuação de Joaquin Phoenix é essencial para isso. Ele atinge a excelência, mostrando que é um dos melhores atores em atividade. A exigência de seu personagem é enorme e, mesmo assim, ele supera as expectativas. A presença de cena, o rage dramático, a forma contida de atuar em determinados momentos. O elenco de apoio também é excelente. Judith Roberts como a mãe de Joe permite que ele seja doce em determinados momentos e auxilia no desenvolvimento do protagonista. Ekaterina Samsonov faz o mesmo, só que com mais tempo de tela e com uma exigência maior de sua personagem.

A fotografia azulada passa a sensação de frieza necessária, refletida na urbanização do cenário. A trilha sonora que relembra os anos 1980, com arranjos eletrônicos, passa a angústia necessária para que todo o clima esteja posto. Além disso, a mixagem de som também contribui, sendo muito bem realizada. Tecnicamente, o filme é praticamente impecável e extremamente autoral e referenciável.

Você Nunca Esteve Realmente aqui contém elementos do horror, ação, drama, mas se molda como um suspense altamente psicológico que, mesmo com todas as suas qualidades já citadas, consegue abordar temas delicados como prostituição, pedofilia, abuso sexual, violência doméstica e traumas de guerra. Se trata de uma obra complexa, com um show do ator principal.

Nota do crítico:

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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