Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Megatubarão | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa estrelado por Jason Statham!

Megatubarão | Crítica

Megatubarão (The Meg)

Ano: 2018

Direção: Jon Turteltaub

Roteiro: Dean GeorgarisJon HoeberErich Hoeber

Elenco: Jason StathamBingbing LiRainn WilsonCliff CurtisWinston ChaoShuya Sophia CaiRuby Rose

Desde que Tubarão, o pai dos blockbusters foi lançado, lá em 1975, muitos outros longas começaram a explorar essa máquina marinha de matar, buscando o mesmo sucesso que o arrasa-quarteirão de Steven Spielberg conquistou. Mesmo alguns indo relativamente bem comercialmente e até faturando boas avaliações dos críticos, nenhum chegou perto do clássico setentista. Agora, 43 anos depois, uma pomposa produção de US$ 150 milhões tenta abocanhar um pouco daquilo que deu certo no passado, apostando em tecnologia de ponta e diversão despretensiosa — além de aumentar as proporções, é claro.

Megatubarão começa mostrando um resgate liderado pelo heroico mergulhador Jonas Taylor (Jason Statham) dando parcialmente errado, pois, mesmo salvando 11 pessoas, oito acabaram perdendo as suas vidas — incluindo amigos próximos de Taylor. Após esse traumático episódio, o mergulhador decide viver em reclusão na Tailândia. Mas, obviamente, o herói deverá voltar para o mar e enfrentar o seu maior desafio: um megalodonte.

Quando um grupo de cientistas descobre que a parte mais profunda do oceano, na verdade, é apenas o portal para um lugar ainda mais assustador, eles acabam indo explorar e isso provoca a ira do tubarão gigante pré-histórico que estava lá, vivendo a sua vida pacificamente. Assim, o monstrão quebra o submarino dos exploradores e cabe a Taylor salvá-los — obviamente, sua ex-esposa estar presente na equipe motivou a sua volta à ativa. No entanto, ao regressarem à superfície, eles acabam guiando o megalodonte à um cardápio totalmente novo: os seres humanos.

Sendo assim, os cientistas, o bilionário excêntrico que os financia, Morris (Rainn Wilson) e, obviamente, o personagem de Statham decidem caçar a criatura gigantesca e reparar o dano que causaram — claramente, uma péssima ideia. Então, algumas pessoas completamente disfuncionais para tal fim saem nessa perigosa missão. E é aí que vemos as inconsistências no longa, pois é inverossímil que levem, por exemplo, o ricaço ou um cientista quase idoso no barco para caçar o megalodonte, mesmo que eles possam contratar outras pessoas para fazer isso.

E é claro que todo mundo, em um determinado momento, precisa cair na água e correr o risco de ser devorado pelo peixão — alguns até são mesmo, mas o tubarão, dentro da medida do possível, até que é bem good vibes. E isso causa algumas situações ainda mais sem noção, pois até uma criança de oito anos acaba, em um determinado momento, entrando em um barco para caçar o bicho.

A produção também sofre com a falta de ritmo, deixando ainda mais evidentes os problemas de roteiro e os muitos clichês que tomam conta de toda a projeção — além de cansar o espectador, é claro. Mesmo que o diretor Jon Turteltaub, que já havia se mostrado competentíssimo em entregar boa diversão com os dois A Lenda do Tesouro Perdido, aqui, não aparece com a mesma energia, apesar de parecer dedicado a oferecer uma boa experiência cinematográfica.

Na primeira parte da projeção, existe uma série de elementos, digamos, interessantes. E aí estão inclusas as diversas boas sequências subaquáticas, recompensando aqueles que pagaram para ver o longa em IMAX 3D. Já no segundo momento, quando o megalodonte já não está mais em sua fossa e vai até os humanos, a produção ganha mais luz, mas perde em outros setores, como personagens que são esquecidos e subtramas que são abandonadas (como o bilhete de despedida que um dos exploradores escreve para a sua esposa).

A criatura, mesmo sendo colossal, não representa uma ameaça real. Em Águas Rasas, por exemplo, um tubarão bem menor é muito mais assustador. Obviamente, com um orçamento estratosférico, o longa busca o maior número possível de espectadores e, por conta disso, conta com uma censura baixa. E isso faz com que as boas e velhas mutilações sejam deixadas de lado, diminuindo aquele prazer sádico de ver pedaços de seres humanos sendo espalhados por todos os lados. Mal se vê sangue, na verdade.

Na parte dramática, Megatubarão sofre com clichês, mas até que consegue trazer algumas quebras de expectativas interessantes, como a relação entre Taylor e a sua ex-esposa Lori (Jessica McNamee). Mas, para contrabalancear o elogio, temos um momento vergonha alheia total, que é quando um dos personagens vai morrer e resolve se despedir com uma seleção impressionante de frases manjadas.

Se assumindo como um filme B, apesar de ter um grande orçamento, Megatubarão oferece uma diversão rápida, mas facilmente esquecível. Para quem está interessado em ver Jason Statham brigando com um tubarão gigante pré-histórico, com boas sequências de ação e uma história que, dentro da medida do possível, é coerente com ela mesma — e tudo isso embalado em uma produção visivelmente rica —, é isso o que essa aventura oferece. Vai render, pelo menos, algumas boas risadas ao falar com os amigos sobre alguns absurdos vistos na tela.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 9    Média: 3/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Latest posts by Carlos Redel (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close