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Matias Liebrecht, um brasileiro na Ilha dos Cachorros

Paulistano atuou como key animator no novo longa de Wes Anderson!

Matias Liebrecht, um brasileiro na Ilha dos Cachorros

Ilha dos Cachorros é o novo filme do cultuado cineasta norte-americano Wes Anderson. A animação em stop motion nos leva para Megasaki, onde todos os animais foram exilados, depois que uma epidemia misteriosa atingiu de vira-latas a cães de raça. Então, a trama acompanha o garoto Atari na missão de encontrar o seu cãozinho perdido. O longa, que arranca elogios por onde passa, conta com um grandioso elenco de dubladores: Bill Murray, Frances McDormandEdward NortonBryan Cranston, Greta GerwigJeff Goldblum, entre outros.

E, no meio de tantos astros, o nome de um brasileiro aparece nos créditos finais do longa: Matias Liebrecht, que atuou como key animator, ou animador-chave, sendo uma peça essencial para que Ilha dos Cachorros fosse tão bem-sucedido ao entregar uma história envolvente e emocionante. O paulistano, de 41 anos, que está sendo descoberto por muitos compatriotas apenas agora, no entanto, já tem uma sólida carreira em consagradas animações em stop-motion e você, provavelmente, já viu o trabalho dele por aí.

Em 2012, por exemplo, Liebrecht foi um dos animadores responsáveis por Frankenweenie, filme de Tim Burton que, inclusive, teve uma indicação ao Oscar. E essa foi apenas uma das quatro animações em que ele trabalhou e que foram indicadas ao prêmio máximo do cinema: Os Boxtrolls, Minha Vida de Abobrinha e Kubo e as Cordas Mágicas completam a lista. Será que agora, com Ilha dos Cachorros, a estatueta dourada vem? “Então, o filme está sendo muito aclamado. Acredito que, pelo menos, uma indicação ele vai conquistar. Agora, se vai ganhar ou não, aí já não sei”, respondeu Liebrech, em entrevista exclusiva ao Bode na Sala.

De acordo com o animador, trabalhar com stop motion é um exercício de paciência e determinação. Cada frame de uma animação realizada nesse formato precisa de um cuidado especial e muita dedicação. E a função de um key animator, como Liebrecht, necessita de uma precisão extra — apesar do brasileiro afirmar que é um trabalho de animador como qualquer outro. A sua parte em Ilha dos Cachorros, por exemplo, é cuidar das sequências mais importantes do filme, aquelas que alinham a história. E o profissional faz isso com dois dos personagens mais importantes da animação: Chief e Rex, cães interpretados por ninguém menos que Bryan Cranston e Edward Norton, respectivamente.

E você se lembra do início do parágrafo anterior, na parte sobre “paciência e determinação”? Bem, pelo tempo de produção de Ilha dos Cachorros, podemos ter uma noção sobre o que o animador falava. “Desde que entrei no estúdio, foram dois anos de produção. Mas, o processo todo, da pré até a pós-produção, acredito eu, deve ter demorado uns quatro anos”, revelou Liebrecht. O artista brasileiro também ressaltou o quanto Wes Anderson tem uma visão única na hora de contar uma história e, também, disse que já havia tentado trabalhar com o diretor em O Fantástico Sr. Raposo, um filme que ele considera “um marco para as animações em stop motion”.

E para o futuro? Bem, a carreira de Liebrecht não se parece nada com o seu trabalho, que tem que ser bem lento e paciencioso. Atualmente, ele está trabalhando em uma animação em Cingapura e, assim que terminar, volta para o Brasil: “Tenho mais dois projetos em desenvolvimento e entrarei em produção por aqui em um mês e meio”. E assim, o paulistano que se apaixonou aos 15 anos por uma arte que “mal sabia do que se tratava”, hoje se tornou uma referência mundo afora — e segue enchendo os seus compatriotas de orgulho!

Ilha dos Cachorros segue em exibição nos cinemas nacionais. Confira a nossa crítica aqui!


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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