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Especial | 10 diretores que nunca fizeram um filme ruim

Especial | 10 diretores que nunca fizeram um filme ruim

Manter uma carreira consistente pode ser uma tarefa difícil para os mais talentosos dos diretores, até Francis Ford Coppola tem Jack. Mas existem aqueles que ao longo das décadas conseguem produzir longas que não descem do padrão de qualidade estabelecido por suas obras mais ilustres. Pensando nisso, o Bode na Sala separou 10 diretores que nunca fizeram um filme ruim.

Para esta lista, levamos em conta apenas diretores que tem carreira extensa. Por mais que jovens nomes como Damien Chazelle, Ryan Coogler ou Edgar Wright possam ser brilhantes, eles ainda tem poucos créditos de direção.

 

  • Paul Thomas Anderson, por Rafael Bernardes

Você conhece esse rapaz que parece ser britânico, mas que nasceu nos Estados Unidos? Ele possui o “Toque de Midas”, fazendo tudo o que ele encosta virar ouro. O diretor conseguiu tirar uma excelente atuação de Mark Wahlberg em Boogie Nights – Prazer Sem Limites, filme que, como Magnólia, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Falando em Magnólia, o cineasta conseguiu realizar um longa praticamente impecável, com uma junção de histórias e um elenco de peso. Além disso, o homem escolheu ninguém mais ninguém menos do que Adam Sandler para protagonizar Embriagado de Amor. Era o ano de 2002, no auge de Sandler nas comédias pastelonas hollywoodianas. Foi uma grande surpresa assistir ao filme e poder perceber do que o cineasta é capaz. Já falamos sobre três excelentes filmes, mas foi em Sangue Negro que, fazendo uma parceria espetacular com Daniel Day-Lewis, dupla que se repetiu em Trama Fantasma, o diretor criou a sua obra-prima. Um drama potente, com um personagem extremamente forte. Se trata de um dos melhores filmes do século!

 

  • Wes Anderson, por Rafael Bernardes

É agora que o estudante de humanas com coque samurai andando de bicicleta vai se identificar. Wes Anderson é o queridinho dos hipsters, muito por conta do visual de seus filmes e por tratar de temas importantes da sociedade com um humor excêntrico e muito inteligente. O diretor possui um perfeccionismo absurdo no enquadramento, dando sempre uma aula de simetria em suas produções. Ele pega Ben Stiller e Owen Wilson, os coloca em uma comédia inteligente e faz um excelente filme. Os Excêntricos Tenenbaums é aquela obra engraçada, mas que não faz o público gargalhar, mas deixa tudo divertido mostrando cenas constrangedoras e fazendo críticas disfarçadas de piadas. Além de conter aquela fotografia característica do cineasta, com o enquadramento sempre preciso. Ele conseguiu se reinventar com Moonrise Kingdom, apresentando um filme mais leve e até mais divertido que suas outras produções. Anderson mostrou que também sabe fazer animações excelentes quando lançou O Fantástico Sr. Raposo e confirmou neste ano, realizando o Ilha dos Cachorros. Porém, seu melhor trabalho estreou nos cinemas em 2014. Eu sei que você sabe do que estou falando. O Grande Hotel Budapeste, que perpetua a parceria majestosa do diretor com Bill Murray. O longa foi indicado a diversos Oscar e conquistou muitos prêmios. O filme mais fraco do diretor é A Vida Marinha com Steve Zissou, que mesmo assim não chega a ser ruim, mas não está no nível de suas outras obras.

 

  • Michael Haneke, por Rafael Bernardes

Talvez esse seja o diretor menos conhecido da lista. Michael Haneke é um cineasta austríaco que gosta muito de realizar produções na língua francesa. Ele possui um estilo variado de filmagem, sempre com planos inventivos e com algo mais a dizer com a câmera em suas mãos. Haneke consegue transmitir mensagens somente através de sua direção, fazendo uma revolução de gênero ao criar Violência Gratuita, um de seus melhores filmes. O longa mostra uma família burguesa sofrendo torturas físicas e psicológicas de dois jovens rapazes, honrando o título da produção. Porém, a forma com que ele faz isso é encantadora e assustadora ao mesmo tempo. Há uma elevação do termo “terror psicológico”, colocando diversos aspectos do horror e priorizando não mostrar ao espectador o que está acontecendo. O diretor consegue brincar com o espectador e criticas os filmes de terror convencionais ao mesmo tempo. Além dessa obra-prima, Haneke realizou Amor, um longa extremamente sensível e inteligente; Caché, filme que possui uma tensão fora do normal; O Vídeo de Benny, que é um Precisamos Falar Sobre o Kevin raiz. Sem falar nas suas outras diversas obras que possuem muita qualidade. Há filmes que não contém o nível desses citados, mas nenhum é ruim, longe disso.

 

  • Stanley Kubrick, por Diego Francisco

Um dos diretores mais importantes para a história do cinema e com um legado que perdura até hoje, Stanley Kubrick foi uma máquina de produzir clássicos do cinema. Conhecido pelo seu perfeccionismo e atenção extrema aos detalhes técnicos, Kubrick teceu obras que são reconhecidas até hoje como o melhor que o cinema tem a oferecer. Maior parte de sua obra é baseada em livros, suas adaptações são conhecidas por algumas vezes serem melhores que o material original. Kubrick também não se limitava a gênero, dirigindo drama, suspense, guerra e romance. Assim temos Laranja Mecânica, O Iluminado, Nascido Para Matar e De Olhos Bem Fechados. Sua direção em 2001: Uma Odisseia no Espaço é tão primorosa que desencadeou boatos que ele teria dirigido a viagem à lua em 1969, teorias que levaram ao divertido documentário falso Dark Side of the Moon, que prova que Stanley Kubrick dirigiu a viagem à lua e passou sua vida inteira atormentado por ter que guardar segredo.

 

  • Sérgio Leone, por Diego Francisco

Mestre na direção de faroestes, o italiano Sergio Leone sabia compor um épico como ninguém, tanto que existem três em sua carreira. Sua obra bebeu da fonte de outro grande nome do cinema, Akira Kurosawa, convertendo as histórias de samurai para pistoleiros. Assim nasceu a Trilogia do Homem Sem Nome, também conhecida como Trilogia dos Dólares, composta por Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito. todos os filmes protagonizados por Clint Eastwood. Com Era Uma Vez no Oeste, Era Uma Vez Uma Revolução e Era Uma Vez na América, seu último filme, Leone fechou outra trilogia magnífica. Mas Leone não recebeu reconhecimento nos Estados Unidos, não conseguindo nenhum Oscar durante seu tempo de vida, uma prova do quão superestimada é a premiação. Outro esnobado do Oscar foi um grande colaborador do diretor, o compositor Ennio Morricone, que apesar de realizar as trilhas mais icônicas da história do cinema durante anos, só foi reconhecido pela Academia em 2016.

 

  • Sam Mendes, por Diego Francisco

Conseguir um Oscar de Melhor Diretor é sempre um grande feito, e é um feito maior ainda quando você leva essa estatueta para casa no seu primeiro filme. Foi isso que Sam Mendes fez com Beleza Americana, sua estreia na direção que foi vencedora de cinco das oito indicações ao Oscar. Depois deste começo de carreira promissor, Mendes não parou e fez grandes filmes como Estrada Para Perdição, Soldado Anônimo e Foi Apenas Um Sonho, romance que juntou Leonardo DiCaprio com Kate Winslet, esposa do diretor na época. Mendes também foi responsável pelos dois filmes mais recentes do 007, Operação Skyfall e Spectre, que apesar de não ser tão icônico quanto seu antecessor, é um ótimo filme na maior parte do tempo. O diretor não voltará para a vigésima quinta missão do espião James Bond, mas é certeza que Sam Mendes continuará produzindo ótimos filmes.

 

  • Hayao Miyazaki, por Diego Francisco

Diretor do Studio Ghibli que, ao lado do seu amigo Isao Takahata, consolidou a reputação do estúdio, Miyazaki contribui com excelentes animações tanto para crianças quanto para adultos há mais de 30 anos. Os maiores sucessos comerciais de sua carreira são Meu Amigo Totoro e a Viagem de Chihiro, que o rendeu o Oscar de Melhor Animação, mas a maior parte dos seus filmes não faz tanto sucesso no Ocidente. O épico Princesa Mononoke, o divertido Castelo no Céu, o delicado Serviço de Entregas da Kiki, todos merecem mais atenção do que recebem. A paixão de Miyazaki por voar está presente em maioria de suas obras e boa parte de seus filmes contem importantes mensagem anti-guerra e naturalista. Miyazaki já anunciou o fim de sua carreira diversas vezes, Vidas ao Vento, sua obra mais recente, parecia uma despedida por ser o primeiro filme do diretor a não ter nenhum tipo de magia e trazer um protagonista com o sonho de se tornar designer de aviões. Mas felizmente ele voltará para mais um longa, How Do You Live? 

 

  • Christopher Nolan, por Rafael Bernardes

Polêmica! Christopher Nolan, mesmo sem fazer nenhum filme ruim, conseguiu atrair haters para si. Os motivos: já ouvi falarem que ele explica demais as coisas. O cara fez A Origem, que não é um longa fácil de se entender, longe disso. Interestelar é um alvo dessas críticas; que, por se tratar de uma ficção científica que aplicava conceitos como buracos de minhoca, era essencial que houvesse explicações para o público. O cineasta é cirúrgico ao escolher as obras que irá dirigir, contando com uma parceria infalível com seu irmão, Jonathan Nolan, que escreveu a maioria dos roteiros de suas obras. Amnésia foi um dos primeiros filmes de Nolan e pode ser considerado como um dos melhores, trazendo uma narrativa inventiva, que conta a história de trás para frente. Na sua trajetória realizou obras como O Grande Truque e a Trilogia O Cavaleiro das Trevas, além dos longas já citados acima. No ano passado, ele se reinventou, entrando em um gênero novo em sua carreira: guerra. Dunkirk é uma produção que honra o título de audiovisual, sendo uma experiência única para ser assistida no cinema. Até seus filmes menos conhecidos possuem uma qualidade assustadora, não dando margens para que possam dizer que algum dia ele já fez algo ruim.

 

  • Quentin Tarantino, por Rafael Bernardes

O nerd apaixonado por pés não poderia faltar nessa lista! Quentin Tarantino é dono de uma cinebiografia invejável, estreando no cinema com Cães de Aluguel, um filme de assalto que não mostra o crime, focando nos acontecimentos posteriores. A produção é filmada praticamente em um único ambiente, com um elenco fortíssimo e a sanguinolência tradicional de Tarantino. A violência extrema faz parte da narrativa e faz muito sentido dentro da história. Logo após ele resolveu dirigir e roteirizar apenas Pulp Fiction: Tempo de Violência, um clássico do cinema hollywoodiano. O cineasta inovou dividindo a narrativa em linhas temporais distintas, contando diversas histórias fechadas que se misturam e se completam. Ele ainda dirigiu Bastardos Inglórios, Django Livre, Os Oito Odiados e Kill Bill Vol 1 e 2. As obras com uma qualidade não tão boa quanto a maioria são À Prova de Morte e Jackie Brown, que mesmo assim são filmes muito bons. Tarantino consegue manter uma qualidade absurda em suas produções sem perder o seu estilo e sem ficar repetitivo.

 

  • Denis Villeneuve, por Diego Francisco

Provavelmente, o nome mais empolgante trabalhando em ficções científicas atualmente, o canadense Denis Villeneuve alcançou o sucesso maistream ao dirigir o aclamado Os Suspeitos e não parou por aí, seus próximos lançamentos demonstraram uma grande consistência na sua direção. Depois dos igualmente bem recebidos O Homem Duplicado e Sicário, o diretor entrou no território de ficção científica e produziu duas obras-primas em sequência: A Chegada e Blade Runner 2049, continuação do clássico de 1982 que recebeu o título de uma das melhores sequências já feitas. E não para por aí. Villeneuve está cotado para adaptar o clássico de ficção científica Duna em duas partes. O sucesso do cineasta, no entanto, não estaria completo sem seus mais colaboradores mais próximos, o sempre excepcional diretor de fotografia Roger Deakins e o talentoso compositor Jóhann Jóhannson.


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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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