Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre a continuação do sucesso musical de 2008!

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo | Crítica

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again)

Ano: 2018

Direção: Ol Parker

Roteiro: Ol Parker

Elenco: Lily JamesAmanda SeyfriedMeryl StreepPierce BrosnanDominic CooperColin FirthStellan Skarsgård, Cher

Em 2008, o musical Mamma Mia! estrelado por Meryl Streep acabou virando uma espécie de guilty pleasure para muitos fãs de ABBA, de musicais ou dos vários artistas reconhecidamente talentosos que participaram da produção. Não foi o meu caso. Apesar de simpatizar com a trilha sonora absolutamente nostálgica e contagiante, não consegui comprar o overacting de praticamente todo o elenco, nem o roteiro bobo, raso e repetitivo, e até uma qualidade de som e imagem muito abaixo do que seria esperado na época. É um filme de 2008 com cara de 1998. Ou 1988. E pior, envelheceu muito mal, sendo ainda menos eficaz hoje em dia. Então, o que esperar de uma continuação? Uma tragédia ainda maior? Felizmente, dessa vez não foi o que ocorreu.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo acompanha os esforços de Sophie (Amanda Seyfried) para reinaugurar o reformado e aprimorado hotel apresentado no primeiro filme e realizar o sonho de sua mãe, Donna (Meryl Streep).  Alternadamente, nos mostra a juventude de Donna (então vivida por Lily James) ao completar os estudos e partir para conhecer o mundo, quando podemos então conhecer melhor a história de seu encontro com os três possíveis pais de Sophie.

Esta decisão de nos trazer o passado de Donna acaba sendo o grande acerto do filme. Isso porque a representação da juventude da personagem, com algumas alterações sobre o que é falado ou dado a entender no filme de 2008, dá sentido, graça e relevância aos eventos mais recentes. Donna e suas parceiras Rosie e Tanya (Alexa Davies e Jessica Keenan Wynn na juventude) são apresentadas como garotas que amam curtir a vida, amam mais ainda sua liberdade e são companheiras para todos os momentos. E é muito importante ver na tela grande personagens femininas sendo mostradas dessa maneira, sem obedecer a amarras da sociedade e sem seguir padrões impostos por homens.

Lily James, diga-se de passagem, fez um trabalho excelente na composição de sua personagem. Ela consegue trazer trejeitos e formas de falar que nos remetem à interpretação de Meryl Streep, mas em nenhum momento soa como uma imitação. Sua Donna tem personalidade e carisma por si só. Alexa Davies e Jessica Keenan Wynn não estão tão parecidas com suas versões mais velhas, no entanto possuem uma química admirável com Lilly que, unidas aos bons diálogos e situações divertidas, fazem com que as cenas do passado sejam os maiores destaques do filme. Ainda no passado, as versões jovens dos possíveis pais de Sophie estão excelentes. Harry, Bill e Sam (Hugh Skinner , Josh Dylan e Jeremy Irvine, respectivamente) possuem boa presença, se saem muito bem em seus números musicais e se encaixam na história das suas versões mais velhas melhor do que aquelas cenas mostradas nos flashbacks da produção de 2008. Quando voltamos aos dias atuais, Julie Walters e Christine Baranski (Rosie e Tanya respectivamente) acertam o timing cômico e tom do humor de forma muito mais eficaz que no primeiro filme, melhorando demais suas personagens.

Amanda Seyfried segue sem muita graça mas não compromete, pois suas parcerias de tela estão muito bem. Com exceção do marido Sky (Dominic Cooper), que felizmente possui pouco tempo em cena, e está bem menos ruim do que no filme de 2008. Outro ponto positivo tanto para roteiro quanto direção de Ol Parker são alguns personagens que fazem pequenas pontas e, mesmo assim, marcam presença em cena. O melhor exemplo é o vendedor de passagens para a balsa, que quase merece um spin off  próprio, nem que seja em um curta metragem e, obviamente, Andy Garcia com o seu sedutor Fernando Cienfuegos.

Se o roteiro ajudou a tornar a continuação melhor do que o original, outro fator fundamental foi o aprimoramento técnico e artístico de maneira geral. A fotografia, a qualidadedo do som e a beleza e complexidade das coreografias deram uma cara totalmente diferente do que aquela vista no filme anterior. E não é apenas um fator financeiro, visto que a diferença de orçamentos de ambas as produções (52 para 70 milhões de dólares) não é tão grande considerando os dez anos existentes entre elas. Outro fator que merece destaque é a montagem que torna as alternâncias entre passado e presente muito belas e fluidas. Além disso, a escolha das músicas e sua conexão com as cenas acerta no humor e até no simbolismo em diversos momentos.

É uma pena que o trailer do filme e até a sinopse apresentada em algumas fontes tragam tantos spoilers de surpresas que ele nos entrega na hora certa. Apesar de algumas dessas situações não serem exatamente inesperadas (algumas até já são bem óbvias pelas pistas dadas anteriormente), receber a confirmação no momento planejado funciona muito melhor.  Isso vale para detalhes da história, aparições de personagens e até mesmo algumas piadas. Fiquei feliz de ter ido assistir o filme sem nenhuma informação anterior.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo é o tipo de filme que faz você querer cantar e dançar pela sala de cinema. É praticamente impossível sair de mau humor de um filme que traz tanta cor, alegria, leveza e, principalmente, boa música.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 0    Média: 0/5]

 


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

 

The following two tabs change content below.

André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

Latest posts by André Bozzetti (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close