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Missão: Impossível – Efeito Fallout | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre a nova aventura de Ethan Hunt!

Missão: Impossível – Efeito Fallout | Crítica

Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout)

Ano: 2018

Direção: Christopher McQuarrie

Roteiro: Christopher McQuarrie

Elenco: Tom CruiseHenry CavillVing RhamesSimon PeggRebecca FergusonSean Harris, Alec Baldwin, Angela BassettVanessa KirbyMichelle Monaghan, Wes Bentley

Insano. Essa é a palavra que melhor define Missão: Impossível – Efeito Fallout. E devemos considerar o melhor sentido que pode ser atribuído à palavra. Diferente de outras tantas franquias, que perdem qualidade com o tempo e que se sustentam apenas por suas altas bilheterias, as aventuras de Ethan Hunt parecem só melhorar a cada filme que é lançado. Se desconsiderarmos o pavoroso Missão: Impossível 2, todos os outros mantiveram níveis altíssimos. E este sexto longa dá a impressão de que a identidade que começou a ser construída com tanta qualidade nos seus dois antecessores foi finalmente finalizada, trazendo um filme maduro, que brinca com o absurdo nas suas cenas de ação de forma totalmente natural, com humor na dose certa e que utiliza os elementos de espionagem sem muita complicação, sem buscar uma complexidade desnecessária.

Nesta nova produção, escrita e dirigida por Christopher McQuarrie, a IMF enfrentará os Apóstolos, que são ex-membros do Sindicato, a organização criminosa que Hunt (Tom Cruise) desmantelou em Missão: Impossível – Nação Secreta. Estes perigosos terroristas possuem homens infiltrados em diversas agências de inteligência do mundo todo. Quando Hunt opta por salvar sua equipe ao invés de fugir carregando cargas de plutônio, cujo destino seria a utilização em bombas nucleares por parte dos Apóstolos, e estas caem nas mãos dos criminosos, a CIA entra no jogo enviando o agente August Walker (Henry Cavill) para supervisionar as ações da IMF.

Esta interação entre Hunt e Walker é o fio condutor do longa. O personagem de Cavill é apresentado como um agente violento e arrogante, cuja conduta e ações não agradam Ethan Hunt, que só o aceita em sua equipe por completa falta de opção. É admirável como Cavill consegue transmitir através do deboche e ironia a personalidade duvidosa do agente da CIA. Tom Cruise, por sua vez, já vive Ethan Hunt com tanta naturalidade que sequer parece interpretar. Os dois atores dividem a tela em boa parte do filme, e em todos os momentos a química entre ambos se mostrou fantástica, seja nos momentos de humor, nos de tensão e principalmente em dezenas de cenas da mais pura adrenalina. Como citei no início do texto: o filme é insano.

Tanto o roteiro como a direção de McQuarrie merecem elogios. Depois do sensacional trabalho realizado em Nação Secreta, o diretor teve a chance de trabalhar em sua continuação, algo que ainda não tinha acontecido na franquia. Após Brian De Palma, John Woo, J.J. Abrams e Brad Bird dirigirem os quatro primeiros, a manutenção de McQuarrie em dois filmes fez com que algumas ideias amadurecessem e se mostrassem ótimas escolhas. Por exemplo, no filme anterior, quando a CIA sugere fechar a IMF, um dos argumentos é que a maior parte das missões do grupo de Hunt acaba sendo resolvido por pura sorte. E isso é inegável. Apesar dos planos mega-elaborados, sempre é necessária uma conjunção absurda e irreal de fatores para que aquilo funcione. E exatamente esse ponto, que lida com os limites do absurdo, acaba sendo genialmente assumido neste sexto filme. Ele abraça a ideia e mostra diversas vezes que os personagens tem plena noção de que precisam contar sempre com a sorte para que seus planos dêem certo. Essa coragem de não se levar tão a sério, proporciona alguns dos momentos mais divertidos e tensos da trama.

Além disso, a ação do filme está eletrizante. São tantas cenas e sequências marcantes que é difícil escolher qual a melhor. A perseguição de carros e motos por Paris, o salto do avião, a perseguição de helicópteros, a corrida sobre os telhados, a luta no banheiro do Grand Palais, os confrontos corporais finais (sem citar quais são para não dar spoilers), e muito mais. Todas cenas e sequências estão de tirar o fôlego.

Elogiável também a decisão pelos retornos de Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), Benji Dunn (Simon Pegg) e Solomon Lane (Sean Harris). Ferguson foi um dos grandes destaques de Nação Secreta e, no seu retorno em Efeito Fallout, sua personagem ganha força e importância. Além disso, demonstra características marcantes, tanto nas suas fantásticas técnicas de luta, quanto em seu perfil psicológico. Benji, que aparece em seu terceiro filme seguido, está cada vez mais mais adaptado e participativo nas atividades de campo. Simon Pegg acerta o tom do humor, com ótimo timing e sem exageros. E Solomon Lane, apesar de ter menos tempo de tela do que no filme anterior, é uma sombra de ameaça o tempo inteiro, comprovando que a construção do vilão foi realmente eficiente. Ving Rhames também retornou como Luther, mas este não teve o mesmo destaque que em filmes anteriores.

Uma trilha sonora fantástica e os efeitos em 3D muito bem utilizados que nos colocam dentro do filme fazem com que assistir Missão: Impossível – Efeito Fallout em uma sala IMAX seja uma experiência cinematográfica sensacional. Enquanto seguir nesse nível, as aventuras de Ethan Hunt e da IMF serão sempre bem-vindas. Basta saber até quando Tom Cruise vai seguir como o Dorian Grey de Hollywood, pois o que ele correu/saltou/lutou/rolou neste filme, aos 56 anos de idade, não vai ser fácil de repetir.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 5/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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