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Octopath Traveler, um magnífico clássico moderno

O jogo está disponível para Nintendo Switch!

Octopath Traveler, um magnífico clássico moderno

Lançado no dia 13 de julho de 2018, ou seja, hoje completando uma semana de vida, Octopath Traveler já fazia um bom barulho na comunidade há algum tempo, desde seu anúncio durante uma das conferências da Nintendo. Em pouquíssimo tempo após seu lançamento, talvez para a surpresa de muitos, talvez até para a própria Square-Enix, o jogo já estava esgotado em muitas lojas japonesas e americanas — e com previsão de retorno apenas entre um ou dois meses! Uma pequena e feliz lembrança a todos nós de que os clássicos não morreram ainda, e dificilmente morrerão tão cedo.

Octopath Traveler, para quem não está ciente, é o mais novo RPG da Square-Enix. Através do continente de Osterra, oito indivíduos iniciam suas respectivas jornadas, cada um com seus próprios talentos e motivações, cabendo ao jogador decidir por onde começará sua jornada, e como irá seguir a história de cada um desses personagens, à medida que seus caminhos cruzarem-se em suas muitas viagens. O talento de cada personagem é ligado à sua classe primária, mas, além disso, todos podem receber uma classe secundária de batalha, oferecendo ainda mais possibilidades de táticas e estratégias.

O sistema de batalha é baseado nos clássicos RPGs de turno, mas oferecendo um sistema de “boost”, em que, a cada turno, o jogador recebe pontos em seus personagens que podem ser usados para intensificar suas habilidade e magias, aumentar o número de ataques, entre outras coisas. Cada inimigo possui múltiplas fraquezas, e acertá-lo com elas, de acordo com o número necessário de vezes, pode deixá-lo atordoado em um “break”, fazendo-o perder seu turno para recuperar-se. Tal sistema é facilmente um dos pontos mais fortes e recompensadores do jogo; táticos e divertidos, as batalhas, principalmente os “chefões”, são realmente desafiadores, mas com um bom uso de estratégias, é possível trancar seus inimigos em vários loops de atordoamento enquanto você vai pra cima com tudo.

Osterra, o mais novo continente das mágicas obras da Square-Enix.

Essa, definitivamente, não é a primeira vez nos últimos anos que a Square faz algo assim. Quem acompanhou o nascimento da Tokyo RPG Factory e o anúncio do Projeto Setsuna, durante a E3 de 2015, certamente ouviu falar do nascimento de duas obras que mexeram com o conceito de “clássico moderno”, sendo elas I Am Setsuna e Lost Sphear. Assim, como era virtualmente impossível olhar para essas duas obras e não se lembrar de clássicos como Chrono Trigger, Final Fantasy VI, Final Fantasy II e, até mesmo, Final Fantasy X, Octopath Traveler também tem suas referências muito bem estruturadas e, dificilmente, obras como Romancing SaGa, SaGa Frontier, Legend of Mana e Secret of Mana passarão despercebidos em seus pensamentos.

E como falar de suas referências sem mencionar sua estética? Octopath Traveler trabalha com o que alguns chamam de “2.5D” ou “HD-2D”, com personagens e oponentes desenhados em maravilhosas Pixel-Arts e cenários 3D cuidadosamente modelados, de forma a manter a identidade de suas referências, mas impressionando com sua magistral qualidade, efeitos de partículas e acabamentos em geral, sempre lindamente renderizados; o estilo não é apenas similar a, por exemplo, Final Fantasy VI, mas, sim, passa exatamente a mesma sensação de um RPG dos anos 1990, mesmo que sua execução seja completamente diferente. A obsessão pela crescente demanda gráfica, resultando na aplicação de 3D em tudo, não foi legal em jogos como o remake de Legend of Mana ou Breath of Fire: Dragon Quarter, nos mostram claramente a necessidade de aplicar as mudanças com sabedoria e saber as horas certas de manter o que está bom — e, definitivamente, Octopath Traveler está aí para nos mostrar exatamente isso e o quanto jogos podem ser nostálgicos e modernos simultaneamente.

O nível de cuidado colocado na arte em Pixels é incrível!

Aqueles que jogaram Bravely Default e Bravely Second talvez se sintam em casa com Octopath Traveler, levando em conta que são dos mesmos criadores, e possuem sistemáticas que, apesar de diferentes, claramente possuem as mesmas raízes. É interessante saber, diga-se de passagem, que nessa última semana desde seu lançamento, Octopath Traveler não apenas causou problemas de estoque, fazendo com que a Square até mesmo necessitasse se pronunciar, pedindo perdão e recomendado que comprem a mídia digital, como também já atingiu o dobro de vendas de Bravely Second e quase o dobro de Bravely Default.

O foco principal dos RPGs clássicos, no entanto, não envolve apenas a arte, mas, sim, a história e, principalmente, as personagens que movem ela. A principal diferença de Octopath está em como ele lida com o enredo, não sendo uma história de uma grande jornada envolvendo salvar o mundo, ou algo assim, mas histórias específicas e menores de oito personagens, cada um com seus caminhos e objetivos específicos em Osterra (por isso seu nome, sendo “Octo” a palavra em latim para “Oito”, “Path” a palavra em inglês para “Caminho”, e “Traveler” a palavra em inglês para “Viajante”). A ordem do jogo é totalmente aberta, o que permite ao jogador começar pelo caminho que ele quiser e seguir por qualquer outro que ele queira, a qualquer momento, assim que os caminhos dos outros personagens vão se cruzando com os seus; não há momento ou personagem certo, e é possível terminar a história de cada um deles.

A composição impressiona, e traz um resultado memorável.

Alguns com motivações verdadeiramente altruístas, enquanto outros seguindo morais questionáveis, os personagens são claramente diferentes uns dos outros, e ver como eles lidam com suas situações, e até seus talentos únicos, lhe faz verdadeiramente apreciar cada um deles. Dentre os oito talentos diferentes, há uma divisão entre ações “corretas” e “caóticas”, o que ajuda a visualizar as diferentes motivações e lógicas de cada um, geralmente com dois dos personagens possuindo uma ação com um fim igual, ou pelo menos consideravelmente semelhante, mas através de métodos diferentes.

Cada personagem terá seus desafios e, eventualmente, seus chefões finais específicos, mas mesmo que a equipe esteja unida em tais batalhas, o fato do jogo ter sido escrito de forma que cada um tenha sua jornada acabou impedindo que a história oferecesse momentos de vínculos mais presente entre os oito viajantes. O máximo que se tem em relação ao entrosamento são breves momentos de diálogos entre dois personagens, não muito diferente como são executadas as skits das séries Tales of e Fire Emblem, assim como algumas interações específicas entre algumas histórias. Dependendo da interpretação, isso pode fazer parecer que os personagens estão viajando juntos sem razão alguma, o que é uma lástima, mas com certeza não um problema grande o bastante a ponto de eclipsar o quão magnífica é a experiência trazida pelo jogo.

Aproveite os momentos que permitem que seus personagens se conheçam. Eles podem ser poucos, mas justamente isso os tornam significativos, até o ponto que a histórias se entrelaçam.

Octopath Traveler não apenas conquistou o coração de diversas pessoas procurando por jogos semelhantes aos clássicos, mas também foi muitíssimo bem recebido pelas críticas, com a maior parte de suas análises recebendo notas acima de 8 — recebendo notas acima de 9 até mesmo de críticos consagrados dentro da comunidade de jogos, como a IGN. O jogo, no momento, encontra-se acessível apenas para Nintendo Switch e não há anúncio de nenhuma adaptação para alguma outra plataforma, apesar do estúdio por trás do jogo mencionar possuir interesse em produzir projetos que atinjam outras plataformas além do Switch também.

Se interessou pelo jogo? Você também possui interesse nesses jogos que procuram ser “clássicos modernos”? Se você não testou nem sequer a demo gratuita, sugiro experimentar agora mesmo! A introdução de Primrose, a Dançarina, realmente me evocou memórias de RPGs clássicos, e me tocou profundamente.

Octopath Traveler já está disponível para Nintendo Switch.


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Fernando Menezes

Formado em Desenvolvimento de Jogos, experiente em tentar de tudo, fluente em trocadilhos e piadas ruins. Possui um otimismo incansável, e uma biblioteca de jogos maior que sua expectativa de vida. Luta no tatame, e em tudo que é jogo de luta possível. Se RPG não é vida, ele não quer estar vivo. Acha que tudo fica melhor com música e pôneis.

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