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Alguma Coisa Assim | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o filme de Esmir Filho e Mariana Bastos!

Alguma Coisa Assim | Crítica

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Ano: 2017

Direção: Esmir FilhoMariana Bastos

Roteiro: Esmir FilhoMariana Bastos

Elenco:  Caroline AbrasAndré AntunesClemens Schick

Em dez anos muitas coisas podem acontecer. Nós vivenciamos diversas coisas no nosso dia a dia, absorvendo experiências e aprendendo com elas, sejam boas ou ruins. As amizades que fazemos, as pessoas com quem nos relacionamos, tudo isso se transforma em memórias e histórias para serem contadas. Alguma Coisa Assim fala justamente de mudanças, sejam elas históricas dentro de determinada cidade ou, principalmente, envolvendo pessoas e como elas se tratam com o passar dos anos.

Esmir Filho e Mariana Bastos são os responsáveis pela direção da coprodução brasileiro-alemã, contando a história de dois amigos, Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras). O longa é filmado, primeiramente, em 2006, mostrando uma São Paulo que possuía uma vida noturna intensa, contendo diversas baladas alternativas. É em uma delas que somos apresentados a Caio e sua autodescoberta sexual, que provavelmente já estava em desenvolvimento. Também é nela que conseguimos entender um pouco da relação do casal de amigos.

A segunda passagem de tempo é em 2013, mostrando um Caio mais maduro, prestes a se casar e uma Mari ainda vivendo cada dia como se fosse o último, sem vontade nenhuma de se prender a ninguém e desacreditando totalmente em uma relação conjunta como o casamento. O desenvolvimento dos personagens vai sendo feito de forma magistral. Na terceira linha temporal, eles estão em 2016, onde Mari vive em Berlim e Caio vai visitá-la e aperfeiçoar sua pesquisa acadêmica.

O que deixa tudo tão natural é realmente as filmagens terem sido feitas durantes esses dez anos. Reparar nas feições dos atores, no envelhecimento, no que o tempo nos causa e nas consequências que ele traz é delicioso e apavorante ao mesmo tempo. O longa já é chamado de “Boyhood brasileiro”, por conta do trabalho realizado em um grande espaço de tempo. Porém, a grande diferença aqui é que Alguma Coisa Assim possui um objetivo claro e consegue falar de muitas outras coisas ao mesmo tempo, não se limitando a apenas um tema.

O roteiro é consistente, possuindo um bom ritmo na maior parte do tempo. Como se trata de um filme com dois atos, apenas quando o desfecho está próximo que as coisas são mostradas de forma mais lenta e, por vezes, enrolando um pouco e demorando para apresentar as soluções narrativas. Os planos e contra planos feitos pela dupla de cineastas são espetaculares, com uma direção inventiva e linda visualmente. A direção de fotografia também deve ser exaltada, com um filtro mais envelhecido quando estamos vendo cenas em 2006, um mais claro em 2013 e um mais limpo e nítido em 2016, mesclando a linha temporal, envolvendo a aparência dos personagens e a paisagem apresentada com cores diferentes.

As atuações de Caroline Abras e André Antunes são espetaculares, sendo que os dois estão em foco durante toda a produção. Todos os outros atores interpretam personagem extremamente coadjuvantes, que servem apenas para complementar a história. Quando necessário, eles entregam um rage dramático surpreendente. Principalmente Abras, com sua performance por vezes contida, que se liberta em uma cena específica. As suas reações e trejeitos são naturais e convincentes. Um trabalho para aplaudir de pé.

Alguma Coisa Assim se trata de uma obra linda, sincera e natural, conseguindo falar sobre diversos assuntos e com uma temática muito interessante, contando com um ótimo trabalho da direção, roteiro consistente e excelentes atuações. Os poucos defeitos não atrapalham nem um pouco a vivência que se pode ter ao assistir o filme. Um simples e bem realizado retrato do tempo, de suas causas e as mudanças que ele traz.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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