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Uma pequena homenagem ao aniversário de Persona 4

O jogo completou 10 anos no último dia 10 de julho!

Uma pequena homenagem ao aniversário de Persona 4

Persona 5 foi um fortíssimo concorrente entre os jogos do ano de 2017, vendendo mais de um milhão de cópias e tornando-se finalmente um game popular — além de oferecer uma despedida digna da série ao seu diretor Katsura Hoshino (não confundir com a mangaká de D.Gray-man). Apesar disso, os jogos anteriores da série ainda não são suficientemente conhecidos e, até hoje, são considerados jogos de nicho. É por essa razão que venho lhes falar um pouco sobre o legado da série e, principalmente, de seu quarto episódio, que não apenas há pouco fez aniversário, como também, ainda hoje, é facilmente um dos jogos mais influentes de toda série.

Todos os protagonistas dos jogos da série até então, em ordem de seus respectivos jogos. Arte feita por coco-pin.

A série Persona começou inicialmente como uma das muitas sub-séries da série Shin Megami Tensei, famosa por seus RPGs e clima sombrio em suas histórias, além dos demônios sempre presentes com forte simbolismo, parte da identidade da série, e que aqui tornam-se criaturas invocáveis chamadas personas. A história de cada jogo da série Persona sempre possui alguma aplicação diferente e a retratação de algum tabu da sociedade, sendo sua aventura sempre protagonizada por jovens estudantes, geralmente juniors e seniors (equivalentes ao segundo e terceiro ano, respectivamente, de nosso Ensino Médio, por assim dizer).

Mais um dia normal na vida dos jovens da série…

Os dois primeiros Personas da série (sendo o segundo Persona dividido em dois jogos) lançaram para Playstation 1, em 1996 (Revelations: Persona), 1999 (Persona 2: Innocent Sin), e 2000 (Persona 2: Eternal Punishment). Ambos tiveram problemas em sua localização, com Persona 1 sofrendo mudanças esdrúxulas – se não tragicômicas – com a retratação de suas personagens; e Persona 2 recebendo censuras devido à retratação do nazismo eventualmente mostrado no decorrer da trama. Ambos os jogos receberam um remake para PSP, o primeiro portátil da Sony, mas o segundo Persona 2, Eternal Punishment, acabou nunca recebendo uma localização para o Ocidente.

2007 foi o ano de Persona 3, para Playstation 2, o jogo que popularizou a série um pouco mais entre os fãs de RPGs mais veteranos. Persona 3 não contou apenas com uma história e atmosfera de acordo com os moldes da Shin Megami Tensei, como também contou com algo totalmente novo até então na série: os chamados Social Links. Além de enfrentar todos os problemas sobrenaturais que a história apresenta ao seu personagem, a história do jogo corre por mais ou menos um ano de sua vida, e ele deve saber gerenciar, ao longo desse tempo, diversas outras coisas com que um estudante adolescente deve se preocupar… estudos, provas finais, trabalho, e, principalmente, sua vida social, os vínculos que ele pode criar com outras pessoas. Persona 3 também contou com uma versão com mais conteúdo (inclusive um epílogo) chamado Persona 3 FES, e uma versão para o PSP chamado Persona 3 Portable, oferecendo a possibilidade de jogar com uma menina, e trazendo algumas pequenas diferenças no decorrer da história.

Uma das melhores coisas, além de história e música, que Persona sempre nos traz com excelência: personagens muito bem escritos e muito bem desenvolvidos.

E então, dez anos atrás, no dia 10 de Julho de 2008, Persona 4 foi lançado, para Playstation 2, e a popularidade da série começou a crescer ainda mais, aproveitando-se do terreno criado por Persona 3, seu entusiasmado elenco, e sua localização excepcional. Persona 4, para quem não conhece, é centrado em um grupo de jovens que investigam uma série de estranhos assassinatos em uma pequena cidade, e a exploração de um misterioso mundo ligado a eles e aos sentimentos mais reprimidos das pessoas. É impossível não pensar em Scooby-Doo ao ver esse jogo, levando em conta a investigação e a idade das personagens, sendo facilmente o jogo menos obscuro de toda a série, mas isso não é ruim… a história funciona e traz momentos incrivelmente pesados e significativos e, enquanto eles não chegam, o jogo faz um trabalho incrível em estruturar muito bem seu enredo e camaradagem entre as personagens, como já é de se esperar pela prioridade em sua cor amarela, simbolizando a alegria, mas ao mesmo tempo a doença.

Cuidado! É importante pensar no que falar.

Persona 4, assim como qualquer Persona, traz momentos realmente sérios e batalhas difíceis, mas, mesmo assim, é muito difícil não pensar primeiro nos momentos felizes e aconchegantes com o elenco memorável do jogo. Seja uma competição de omelete para sua priminha, um curry impossivelmente duvidoso como única janta num acampamento, talvez um jogo de palitinhos capaz de gerar o mais completo caos social, uma noite de natal com sua namorada, ou todas as incontáveis caminhadas de ida e volta à escola ao lado de cada uma daquelas pessoas, não existe um momento simplesmente menor do que memorável, sempre ao lado dos amigos e amigas feitos pelas circunstâncias trazidas pela trama.

Claro, houveram assassinatos, cadáveres posicionados de forma bizarra em antenas de TV, explorações nos cantos mais obscuros da personalidade de diversas pessoas, mas caramba… Como não lembrar daquele festival de escola em que você e a galera tiveram uma ideia única e talvez pouco funcional? Como a gente se divertiu! E como isso deixou saudades.

Batalhas não são tudo!

É claro, o jogo não foi livre de problemas e aspectos que poderiam ter sido melhores. Problemas que, felizmente, foram decentemente consertados em Persona 5. As masmorras eram um tanto simples, apesar de muito significativas, e certos temas, levando em conta a atmosfera, poderiam ter sido tratados de formas menos juvenis. Além disso, o jogo conta com quatro finais diferentes, e a forma de alcançar dois deles pode, em alguns aspectos, parecer um tanto punitiva demais. Nenhum jogo é perfeito, disso estamos todos cientes, e realmente nenhum desses problemas é suficiente para eclipsar cada bom momento trazido por essa memorável jornada.

Seja sempre o amigo que sua equipe merece.

Persona 4, assim como seu antecessor, também recebeu uma versão melhorada, chamada Persona 4 Golden, para o portátil mais atual da Sony, o PS Vita, com adições muitíssimo bem vindas. Além disso, esse jogo recebeu também dois Animes (Persona 4: The Animation, e Persona 4: The Golden Animation); dois jogos Spin-Offs de Luta (Persona 4: Arena e Persona 4: The Ultimax), sendo um deles uma conexão com o elenco de Persona 3; um spin-off de dança (Persona 4: Dancing All Night), que mais tarde seria feito também para Persona 3 e Persona 5; e um spin-off de RPG (Persona Q), juntando o elenco de Persona 3 e Persona 4 em uma aventura extra nova e mais ou menos canônica.

Para aqueles que curtem RPGs e simulação de vida social, uma coisa eu posso garantir: esse jogo vale a pena ser jogado. O sucesso de Persona 5 demonstra o quanto essa série tem a oferecer, e se você se interessou pelo jogo, com certeza deve dar uma chance para Persona 4 também, assim como para os anteriores. Caso essa pequena pitada da série e do jogo tenha lhe interessado, fique aí com o trailer da mais recente versão de Persona 4 Golden.

Você já jogou Persona 4 ou algum outro jogo da série Persona? Me fale da sua experiência com as aventuras da série!


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Fernando Menezes

Formado em Desenvolvimento de Jogos, experiente em tentar de tudo, fluente em trocadilhos e piadas ruins. Possui um otimismo incansável, e uma biblioteca de jogos maior que sua expectativa de vida. Luta no tatame, e em tudo que é jogo de luta possível. Se RPG não é vida, ele não quer estar vivo. Acha que tudo fica melhor com música e pôneis.

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