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The Handmaid’s Tale – 2ª temporada | Crítica

Novo ano da aclamada série é um misto de violência, esperança e redenção

The Handmaid’s Tale – 2ª temporada | Crítica

The Handmaid’s Tale – 2ª temporada

Ano: 2018

Criador: Bruce Miller

Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Alexis Bledel, Madeline Brewer, Ann Dowd, O. T. Fagbenle, Max Minghella, Samira Wiley, Amanda Brugel

Vencedora do Emmy de Melhor Série Dramática e outras quatro estatuetas por atuação e direção, The Handmaid’s Tale estreou com um estrondo. A série, baseada no livro homônimo escrito por Margaret Atwood, apresentou um futuro distópico e sem qualquer esperança: uma sociedade comandada a mão de ferro por um governo totalitário de cunho religioso que retirou os direitos das mulheres e força as férteis a serem estupradas e conceber os filhos de figuras importantes na sociedade.

June (Elisabeth Moss), agora grávida, tem de lidar com um ambiente cada vez mais hostil com inúmeros conflitos entre Fred (Joseph Fiennes) e Serena Waterford (Yvvone Strahovski) enquanto tenta pensar num jeito de escapar dos seus captores. Em vista das recentes e desumanas punições, as Aias ficam mais unidas ao passo de que o grupo rebelde parece estar inativo.

The Handmaid’s Tale ficou famosa por não amenizar na violência e este ano não é diferente; no final da primeira temporada Tia Lydia (Ann Dowd) prometeu que haveria consequências e ela não mentiu: logo no início da temporada a série mostra a que veio. Por mais brutais que as cenas sejam, elas nunca glorificam ou exploram a natureza gráfica da violência como um mero artifício, mas ajuda a criar a atmosfera de constante opressão presente em Gilead. Fora de Gilead as coisas não são melhores, somos reintroduzidos a Emily (Alexis Bledel), que agora trabalha nas Colônias. Conhecidas como “não mulheres”, as Colônias reúnem Aias, Marthas e esposas que quebraram as regras e as forçam a um extensivo trabalho escravo, onde fica até a morte certa.

Tanto Serena quanto Tia Lydia ressurgem como personagens multidimensionais. Ao passo que as duas são capazes de atos extremamente cruéis, a série possibilita que Yvonne Strahovski e Ann Dowd as explorem e deem mais material para trabalhar. Serena passa por uma espécie de arco de redenção ao questionar se Gilead, a nação que ela ajudou a construir, é um lugar no qual sua filha pode crescer e ser feliz. Estes questionamentos fazem Serena entrar em conflito direto com seu marido, os dois passam a ter visões diferentes sobre o que é melhor para a cidade. Tia Lydia continua a demostrar afeição para com Janine (Madeline Brewer) e ser extremamente justa quando existem bebês no assunto; ela até fica do lado da June quando detecta problemas na residência dos Waterford.

Enquanto as antagonistas femininas deixam de apresentar tanto risco, o mesmo não vale para o Comandante Waterford. A cada episódio ele fica mais desprezível e odiável, incapaz de mostrar bondade sequer para sua esposa. Waterford, no entanto, continua sendo facilmente manipulável por June, que cede às vontades dele o suficiente para conseguir o que quer. Joseph Fiennes cria um vilão calculado e ameaçador, conferindo tensão para toda cena que protagonista.

O elenco de The Handmaid’s Tale é todo fenomenal. Elisabeth Moss mais uma vez dá a melhor atuação da sua carreira e é uma forte candidata a levar novamente o Emmy de Melhor Atriz pra casa; mesmo tendo interpretado Peggy Olson em Mad Men por sete temporadas, apenas duas de Handmaid’s são necessárias para que June Osborn seja a sua personagem definitiva. Emily segue sendo a personagem que mais sofre na série, pulando de situação ruim para situação ruim, e Alexis Bledel vende toda cena em que está em tela. Os veteranos John Carrol Lynch e Marisa Tomei tem participações breves, mas não menos marcantes.

Muitas vezes, a falta de esperança presente na série pode ser um problema. O espectador é condicionado a ver todas as tentativas de liberdade e luzes no fim do túnel caírem por terra que quando algo bom acontece, fica óbvio que é apenas uma questão de tempo para tudo dar errado novamente; e isso acontece inúmeras vezes, beira a repetição. Por sorte, Handmaid’s conta com a imprevisibilidade para surpreender uma vez ou outra.

Eden (Sydney Sweeney) surge como o pior que Gilead por fazer com uma pessoa. Com apenas 15 anos, ela é obrigada a se casar com um desconhecido e não questiona a decisão por um momento, Eden tem uma fé cega nas leis da cidade e acredita nas distorções feitas na palavra de Deus, incapaz de ver o quanto está sendo prejudicada por elas. Este, como vários outros elementos da série, surpreendem por também existir na nossa sociedade até hoje.

O maior sucesso da plataforma de streaming Hulu, The Handmaid’s Tale dobrou a audiência da primeira temporada e já está renovada para o terceiro ano. Nenhuma transgressão passa impune e, não importa o quanto o final possa ter sido positivo, haverão consequências. Abençoado seja o fruto.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.7/5]

 

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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