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Uma Quase Dupla | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa estrelado por Tatá Werneck e Cauã Reymond!

Uma Quase Dupla | Crítica

Uma Quase Dupla

Ano: 2018

Direção: Marcus Baldini

Roteiro: Leandro Muniz, Tatá Werneck, Daniel Furlan, Fernando Fraiha

Elenco: Tatá WerneckCauã ReymondLouise Cardoso, Ary França, Daniel Furlan, Alejandro ClaveauxGeorge Sauma

Uma comédia policial é sempre bem-vinda, afinal, como não se empolgar com um filme que mescla ação e boas risadas, não é mesmo? Então, quando as primeiras informações sobre Uma Quase Dupla surgiram, uma fagulha de esperança por uma divertida produção nacional do gênero se acendeu. E, bem, ele até atinge o seu objetivo, mas acaba escorregando em si mesmo.

A trama acompanha a investigadora Keyla (Tatá Werneck), que é deslocada do Rio de Janeiro para ajudar o subdelegado Cláudio (Cauã Reymond) em um misterioso assassinato na pacata Joinlândia, uma cidadezinha em que todo mundo é “joinha”. Então, com personalidades muito distintas — além de suas diversas excentricidades — os dois policiais precisarão se entender se quiserem parar esse serial killer.

E essa proposta de dois tiras muito diferentes que precisam se acertar por um bem maior já funcionou muito bem em diversas reconhecidas produções, como o recente Anjos da Lei. A diferença, aqui, é que a metade da dupla parece estar em um universo alheio. Infelizmente, Tatá Werneck, que deveria ser a responsável pela comédia do longa, está extremamente exagerada e submersa em um personagem do qual ela não consegue mais se desvencilhar.

Alçada à fama por ser uma ótima e original comediante, Werneck anda se embrenhando cada vez mais no cinema e em produções de televisão, mas sem entregar um personagem novo. Lamentavelmente, Tatá Werneck só consegue interpretar a própria Tatá Werneck. E, sabe, no começo de suas aparições, isso era algo engraçado. Mas, com o passar dos anos, a graça foi dando lugar para o constrangimento — e, em Uma Quase Dupla, a vergonha alheia vai às alturas.

No entanto, o filme não é completamente arruinado pelos exageros de sua protagonista. Cauã Reymond está muito bem no papel de Cláudio, conseguindo dar o ar inocente que o personagem exige, algo que funciona muito bem quando contrastado com o seu avantajado porte físico. Os momentos mais interessantes e divertidos do longa, facilmente, são estrelados pelo ator.

A cidade de Joinlândia, por sua vez, é quase um personagem do filme. Tudo naquele pacato lugar tem suas particularidades e os seus habitantes possuem um interessante grau de esquisitice, fazendo com que todos se tornem suspeitos dos misteriosos assassinatos, apesar da evidente falta de inteligência da maioria. A caracterização do lugar é uma atração à parte, pois, apesar de se passar nos dias de hoje, tem todo um ar dos anos 1970.

Vale destacar, também, o elenco de apoio. Louise Cardoso, Ary França, George Sauma e Daniel Furlan, independentemente do tamanho de suas participações, contribuem para o andamento da história, além de divertirem nos momentos em que aparecem na tela. O enigmático legista interpretado por Alejandro Claveaux também tem seus bons momentos.

A história do longa se mantém em um bom ritmo por quase toda a projeção, apesar das interrupções para as piadas de gosto duvidoso de Werneck, que também é produtora e contribui com o roteiro — essas atribuições somadas a um diretor sem pulso, fica fácil de entender como a protagonista conseguiu sair fora do tom na produção. Mas, apesar disso, Marcus Baldini consegue entregar um longa bem filmado e redondinho.

No final das contas, Uma Quase Dupla é uma interessante aposta do cinema nacional, que abraça um gênero consagrado lá fora, mas que nunca teve muito espaço por aqui. Só que, infelizmente, a ânsia para inserir o mais do mesmo e, assim, garantir público, acabou fazendo com que a produção derrapasse, perdendo a oportunidade de ser realmente boa e diferente. E isso é uma pena, pois, com uma Tatá Werneck menos afetada, poderíamos estar diante de uma promissora franquia.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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