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GLOW – 2ª temporada | Crítica

Série retorna com mais lutas, humor e drama!

GLOW – 2ª temporada | Crítica

GLOW – 2ª temporada

Ano: 2018

Criadoras: Liz Flahive, Carly Mensch

Elenco: Alison Brie, Betty Gilpin, Sydelle Noel, Britney Young, Marc Maron, Britt Baron, Kate Nash, Gayle Rankin, Kia Stevens, Jackie Tohn

Após o aparente sucesso do piloto de GLOW, as lutadoras se reúnem para filmar o resto da temporada e os conflitos vêm de toda parte. A emissora e os patrocinadores estão preocupados que o programa não é “infantil” o suficiente, alguns fãs do programa são muito inconvenientes e, desta vez, não apenas os conflitos entre Ruth (Alison Brie) e Debbie (Betty Gilpin) que causam tensão no dentro e fora do ringue. Ruth entrou em fogo cruzado com o diretor Sam Sylvia (Marc Maron) por dirigir melhor do que ele.

Sam é o personagem mais explorado do novo ano da série. O uma vez brilhante diretor de filmes de terror e agora decante produtor que tenta alcançar a fama mais uma vez não é uma figura fácil; Sam é capaz de atos e comentários cruéis que atingem todos a sua volta, mas é capaz de ajudar e apoiar quem precisa quando necessário – até quando isso significa peitar seus superiores pela integridade do programa. Tudo isso enquanto tenta dar o seu melhor para ser um pai presente para sua filha, Justine (Britt Baron) Sam, ainda por cima, reconhece sua natureza insegura e mesquinha quando se sente ameaçado. Marc Maron ajuda o personagem a não ficar caricato e dá uma das melhores performances da série.

Todas as atuações são ótimas e sabem equilibrar comédia e drama, mas é Alison Brie que brilha de novo. As coisas nunca são totalmente positivas para Ruth Wilder e ela sempre acaba prejudicada de um jeito ou de outro. Sua amizade/rivalidade com Betty após traí-la continua repleta de altos e baixos, ela continua sem sorte com relacionamentos românticos e uma decisão que ela tomou, apesar de ter sido certa, pode ter custado o programa. Ruth não tem descanso, mas isso nunca quebra o otimismo e o carisma inabalável da personagem, ainda mais agora que ela é considerada líder por suas colegas de elenco. Alison Brie continua com seu timing cômico perfeito vende todos os momentos mais dramáticos com seus olhos extremamente expressivos. Vai ser uma grande injustiça se ela for esnobada das premiações.

Se a primeira temporada de GLOW já era relevante por tratar de assuntos como o machismo e estereótipos raciais, a série consegue abordar temas que estão acontecendo com a indústria cinematográfica agora – um triste reflexo de como as coisas não mudam. Existe um executivo, numa clara referência a Harvey Weinstein e similares, que coloca o programa a exibição do programa em risco quando uma investida sexual dele em uma das lutadoras não dá certo. A produção da Netflix também destaca a importância de mulheres atrás das câmeras, todas as lutadoras se sentem mais confortáveis quando Ruth está no comando das filmagens, ela é mais criativa e entende as necessidades das mulheres. Vale destacar que GLOW não é levado a sério como os programas de wrestling protagonizados por homens.

Lembra da primeira temporada quando o Sam tinha ideias absurdas para o programa e estas foram cortadas por serem complexas demais e consumirem muito tempo? GLOW atinge seu ápice nos últimos episódios quando após ganharem total liberdade criativa, Sam e as mulheres passam a investir em histórias bizarras transformando GLOW numa espécie de programa de esquetes cult. O oitavo episódio, The Good Twin, é completamente dedicado ao novo formato do programa e o resultado é nada menos do que espetacular. Ver as personagens que as lutadoras criaram em narrativas sem noção e como essas histórias acabam em partidas de wrestling é divertido e sensacional.

Apesar de meia hora por episódio ser uma ótima duração e contribuir para maratonas, falta tempo para desenvolver alguns núcleos. A subtrama que envolve Bash (Chris Lowell) e Florian (Alex Rich) é pouco desenvolvida e quando chega a uma triste conclusão, não convence. Algumas tramas são iniciadas e esquecidas, algumas aparecem só no começo e no final, como a paixão de Carmen (Britney Young) por Bash. É possível que GLOW se beneficiasse com uma duração de 50 minutos por episódio, assim como Orange Is the New Black. Dez episódios é muito pouco para uma série tão boa.

GLOW é uma das melhores produções originais da Netflix e não recebe tanto reconhecimento quanto merece – um paralelo que pode ser traçado com a próprio programa dentro da série. Com um excelente final que abre boas possibilidades para o futuro e outra vitória para nossas queridas lutadoras, é uma obrigação que a série seja renovada e, preferencialmente, com mais episódios por ano.

Nota do crítico:

 

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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