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Luke Cage – 2ª temporada | Crítica

Série aprende com os erros do passado e se renova!

Luke Cage – 2ª temporada | Crítica

Luke Cage – 2ª temporada

Ano: 2018

Criador: Cheo Hodari Coker

Elenco: Mike Colter, Simone Missick, Theo Rossi, Gabrielle Dennis, Mustafa Shakir, Alfre Woodard, Rosario Dawson, Finn Jones, Reg. E Cathey

Para todos os efeitos, a primeira temporada de Luke Cage não empolgou. Apesar de ter os seus momentos, o ritmo era arrastado, os personagens não cativavam e cometeu um erro gravíssimo ao matar Cornell “Boca de Algodão” Stokes (Mahershala Ali, ótimo) e substituí-lo por um antagonista bem menos interessante e mais caricato, Willis “Cascavel” Stryker (Erik LaRay Harvey). Dois anos depois, os roteiristas visivelmente aprenderam com os erros do passado e entregaram tudo aquilo que o primeiro ano deveria ter sido.

Após os eventos de Os Defensores, Luke Cage (Mike Colter) volta para a rotina de bater em bandidos e impedir transações criminosas, mas está cansado da natureza repetitiva do seu trabalho, suas ações parecem não surtir efeito algum. Mariah Stokes (Alfre Woodward) permanece inatingível e sem nenhuma conexão criminosa visível para manda-la para trás das grades. Luke também é abalado pelas tentativas de seu pai, o reverendo James Lucas, interpretado por Reg E. Cathey — excelente em seu último papel —, o que acaba interferindo no seu relacionamento com a Claire (Rosario Dawson).

Logo de cara, é possível notar a melhora nos personagens na série. Luke, que conseguiu o feito de ser menos interessante na própria série do que em sua participação em Jessica Jones, passa por um ótimo arco em que sua luta contra o crime interfere na vida pessoal; além de estar na pior consigo mesmo, o herói tem que enfrentar uma nova ameaça. John “Bushmaster” McIver (Mustafa Shakir) é um oponente que se iguala fisicamente a Luke e ainda se aproveita do fraco estado mental em que o persoangem se encontra; ele jurou vingança contra os Stokes que destruíram a família dele e não vai parar até que consiga comandar o Harlem. Os riscos agora são bem maiores, a violência nas ruas cresce exponencialmente e tanto Mariah quanto Bushmaster não têm limites para suas ações.

Não só o protagonista, mas o elenco de apoio está muito mais carismático e interessante de assistir. A obstinada Misty Knight (Simone Missick) deixa de ser um constante incômodo e se torna, possivelmente, a personagem mais útil da série, seu ótimo trabalho policial e sua intuição colocam todos na direção certa. Mesmo sem um braço ela continua chutando bundas de criminosos e a recente amizade dela com a Colleen (Jessica Henwick) é muito boa. Até mesmo Shades (Theo Rossi) largou a rotina de tira óculos, põe óculos e apresentou um desenvolvimento muito competente, criando um contraste com sua sócia e amante, Mariah.

Danny Rand (Finn Jones) tem uma breve aparição, o suficiente pra mostrar o quanto o personagem evoluiu e deixou de ser insuportável. Sério, ele não fala “Eu sou o Imortal Punho de Ferro. Protetor de K’un-Lun. Inimigo jurado do Tentáculo” uma única vez. A dinâmica e as diferenças entre Danny e Luke fazem uma série de Heróis de Aluguel, saga dos quadrinhos em que os dois se juntam para combater o crime, seja preferível a uma segunda temporada de Punho de Ferro.

O ritmo deixa de ser arrastado e os eventos fluem bem na maior parte do tempo. No entanto, 13 episódios ainda é um número exagerado, o que se tornou marca nas séries da parceria Marvel/Netflix, apenas Demolidor consegue preencher uma temporada inteira sem enrolar ou despertar tédio. A série continua com uma ótima trilha sonora e agora abre espaço para artistas negros reais tocarem no Harlem’s Paradise.

Com um excelente e divisivo final que abre as portas para inúmeras possibilidades para o futuro da série e para o protagonista, Luke Cage se tornou uma dos melhores frutos da parceria Marvel/Netflix, trazendo questões raciais e sociais relevantes. Uma terceira temporada é obrigatória.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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