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Especial | Os melhores filmes do primeiro semestre de 2018

Filmes de super-herói, queridinhos do Oscar e terror!

Especial | Os melhores filmes do primeiro semestre de 2018

O ano já está na metade e, até agora, nos proporcionou grandes filmes. Sim, tem aqueles tão ruins que devem cair no esquecimento, como Cinquenta Tons de Liberdade e The Cloverfield Paradox, mas hoje estamos aqui para celebrar aqueles que nos fizeram rir, vibrar e se emocionar. A equipe do Bode na Sala separou os 13 melhores filmes de 2018 até aqui.

 

  • Viva: A Vida é uma Festa, por Diego Francisco

A Pixar mais uma vez entregou uma lindíssima e emocionante animação, o que apesar de ter sido um padrão para o estúdio no passado, alguns dos lançamentos mais recentes foram decepcionantes. Explorando a cultura mexicana, Viva nos apresenta a Miguel Rivera, uma sonhadora criança que tem como objetivo se tornar um músico famoso como o seu ídolo Ernesto de la Cruz. No entanto, a família Rivera é completamente contra qualquer tipo de música, o que faz o protagonista tocar escondido. No Dia dos Mortos, Miguel acaba preso no mundo dos mortos e precisa da benção de um familiar para voltar para o mundo dos vivos. Elogiar a animação em um filme da Pixar é quase que desnecessário, todos os longas do estúdio apresentam animação 3D eficientes e que nunca envelhecem com o tempo. A trilha sonora original traz belas canções originais e a característica mensagem sobre família e aceitação que, obviamente, faz até marmanjo chorar.


  • Me Chame Pelo seu Nome, por Rafael Bernardes

Indicado ao Oscar 2018 como Melhor Filme e presente em outras categorias da premiação, o romance situado na Itália chegou neste ano nos cinemas brasileiros. O longa é protagonizado por Timothée Chalamet, juntamente com Armie Hammer, que faz seu par na produção. O interessante é que se trata de um romance puro e simples, com uma direção magnífica e excelentes atuações. Mesmo possuindo alguns problemas de ritmo, principalmente na metade da obra, os diálogos e monólogos fazem com que nenhum defeito fique em grande evidência. A descoberta da sexualidade, sem ser pejorativo ou se limitar a clichês é algo feito com maestria, colocando em tela duas pessoas que, aparentemente estavam esclarecidas e que acabaram se apaixonando. A dor, a alegria, o êxtase de uma paixão, tudo isso é retratado da forma mais real e bonita possível.


  • A Forma da Água, por Diego Francisco

Vencedor do Oscar de Melhor Filme e de três outras estatuetas, A Forma da Água é o filme mais recente do talentoso Guillermo Del Toro e um de seus filmes mais belos. Elisa (Sally Hawkins, excelente) é uma faxineira muda que trabalha em uma instalação do Governo durante a Guerra Fria. Mesmo com dois amigos próximos, interpretados pelos excelentes Richard Jenkins e Octavia Spencer, ela não consegue evitar se sentir deslocada e sozinha; isto muda quando uma criatura (brasileira, vale ressaltar) é movida para o laboratório. Creditada como Homem Anfíbio (Doug Jones), a criatura é fascinante desde suas cores fortes a sua capacidade de aprender, o romance dela com Elisa nunca deixa de ser perfeitamente crível. Embalado por uma trilha linda e melancólica composta por Alexander Desplat, A Forma da Água é um conto de fadas moderno e adulto que mereceu todos os prêmios que levou e, mais importante, nos lembra de sonhar.


  • Três Anúncios para Um Crime, por André Bozzetti

Escrito e dirigido pelo excelente Martin McDonagh, de Na Mira no Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, Três Anúncios Para um Crime nos traz a história de Mildred (Frances McDormand), uma mulher que busca por justiça para o estupro e assassinato de sua filha, ocorrido meses antes. Por falta de pistas, ou talvez pela incapacidade dos policiais encarregados, o caso ficou sem solução e as investigações cessaram. Inconformada com a ausência de resultados e pelo abandono do caso, Mildred aluga três outdoors às margens de uma estrada abandonada, nos quais ela coloca mensagens cobrando especificamente o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) por respostas. No entanto, pelo chefe Willoughby ser muito querido pela população e por seus colegas de corporação, apesar dos anúncios reacenderem o interesse no caso e reativarem as investigações, também geraram revolta por parte de alguns habitantes da conservadora cidade de Ebbing, e Mildred terá que lidar com as consequências de suas ações. Três Anúncios Para um Crime foi, merecidamente, um dos principais concorrentes ao Oscar 2018. Conquistou as estatuetas de Melhor Atriz para Frances McDormand e Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell, que eram praticamente unanimidades. O humor ácido e os diálogos afiados aliviam um pouco do peso da história, principalmente ao quebrar momentos especialmente tensos.


  • Trama Fantasma, por André Bozzetti

Daniel Day-Lewis. Paul Thomas Anderson. Citar esses dois nomes nos créditos de um único filme é suficiente para sabermos que algo maravilhoso sairá dali. E Trama Fantasma confirma as previsões mais otimistas, justificando suas indicações a alguns dos principais prêmios do cinema mundial, incluindo o Oscar. A história, ambientada na Londres do início dos anos 1950, gira em torno do relacionamento entre o estilista Reynolds Woodcock (Day-Lewis) e sua nova “musa” Alma (Vicky Krieps). O estilista e sua irmã Cyril (Lesley Manville, maravilhosa) tinham como clientes as mais importantes figuras da sociedade na época, desde atrizes de cinema até membros da realeza. No entanto, a personalidade forte de Alma abala a rigorosa rotina de Woodcock. Ela não aceita se submeter a todos os caprichos do estilista, e este não estava acostumado a ser desafiado. Esta dinâmica entre os dois personagens se torna tão complexa e doentia que passa a ser angustiante. O filme é cheio de diálogos incríveis, com destaque para uma das últimas falas de Woodcock, em uma cena absolutamente fantástica em uma sala de jantar.


  • Pantera Negra, por Rafael Bernardes

Provavelmente, um dos mais importantes filmes da Marvel Studios. Pantera Negra, além de trazer uma fascinante imersão em Wakanda, a nação africana tecnologicamente desenvolvida, nos apresenta uma história que vai muito além de uma simples trama de super-herói, com disputa por reino, cultura africana e representatividade, por ter um elenco majoritariamente negro, que incorpora discussões socialmente relevantes. Dirigido por Ryan CooglerPantera Negra consegue acertar em praticamente tudo a que se propõe, inserindo, inclusive, um dos melhores vilões do Universo Cinematográfico da Marvel, o Killmonger (Michael B. Jordan) — algo que a Marvel não tem muita tradição em acertar. Certamente, um dos melhores filmes do ano até aqui e, acredito que irá se manter quando houver uma lista final.


  • Aniquilação, por Diego Francisco

Após estrear na direção com o excelente Ex_Machina: Instinto Artificial, Alex Garland voltou para a ficção científica com Aniquilação. Baseado no livro homônimo, a obra mostra a Área X, um lugar isolado em que uma estranha atividade alienígena vem ocorrendo mutando a vida do local, seja com plantas ou animais. Uma equipe composta por uma bióloga, uma física, uma paramédica, uma geóloga e uma psicóloga é enviada para investigar os estranhos eventos que ocorrem lá. Esta ficção científica cria momentos aterrorizantes e difíceis de esquecer (cena do urso, estou falando com você), os visuais do filme são fantásticos e alternam entre o belo e o arrepiante. Com uma ótima atuação da Natalie Portman no papel principal e um elenco de apoio com nomes como Oscar Isaac, Jennifer Jason Leigh e Tessa Thompson, Aniquilação é um filme forte e, por vezes, perturbador que, apesar de não ser pra todo mundo, é uma das melhores ficções científicas lançadas nos últimos anos.


  • Projeto Flórida, por André Bozzetti

Uma das grandes injustiças do Oscar de 2018 foi ter praticamente esquecido Projeto Flórida. Teve uma única indicação graças ao trabalho fenomenal de Willem Dafoe, que concorreu ao prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, mas a concorrência com o favoritíssimo Sam Rockwell tirou as suas possibilidades de premiação. Acabou então passando de forma quase despercebida pelas salas de cinema do país, visto que ficou pouquíssimo tempo em cartaz. De qualquer maneira, é um filme que merece ser conferido. Projeto Flórida nos apresenta uma das crianças mais encantadoramente endiabradas já vistas no cinema. Moonee (Brooklynn Prince), uma menina de seis anos de idade, vive com sua mãe em um hotel barato, nos arredores da Disney World. A mãe, Halley (Bria Vinaite) uma jovem que claramente passou muitas dificuldades para criar a filha e ainda mais para educá-la visto que, apesar de muito amorosa e dedicada, é quase tão imatura quanto a criança pela qual é responsável. E quando conhecemos mais a fundo o relacionamento entre elas e a dura realidade que enfrentam, é impossível não se emocionar e compreender todas as atitudes de ambas, por mais irresponsáveis que possam ser. Elas nos apresentam um mundo no qual os sonhos parecem tão próximos mas, na verdade, se mostram inatingíveis.


  • Um Lugar Silencioso, por Diego Francisco

Dirigido por John Krasinski e ancorado por uma forte atuação de sua esposa, Emily Blunt, Um Lugar Silencioso é um exercício. O fato das criaturas antagonistas serem atraídas exclusivamente pelo som faz os personagens viverem uma vida privada de qualquer tipo de barulho e desafia os espectadores a fazer o mesmo, quase como se um som muito alto feito pela audiência pudesse alterar o destino dos protagonistas. Com o silêncio predominante, o longa constrói longas e agonizantes cenas de tensão, mas estas cenas não seriam tão eficientes se não estivéssemos tão investidos com a família principal. Apenas a trágica cena inicial é necessária para nos fazer simpatizar com a família, entender as suas frustrações e o clima de constante inquietação em que vivem devido as criaturas que estão nas proximidades, esperando apenas um deslize para atacar. Com ótimas performances dos experientes Krasinski e Blunt, quem rouba a cena é a jovem Millicent Simmonds, intérprete da filha mais velha, ela protagoniza o melhor arco narrativo do filme e sua surdez (a atriz é surda na vida real) representa uma grande desvantagem, uma vez que ela não pode ouvir som algum e não sabe quando as criaturas estão chegando.


  • Vingadores: Guerra Infinita, por Carlos Redel

Obviamente, a obra máxima do Universo Cinematográfico Marvel — até agora — não poderia ficar de fora da lista de melhores do primeiro semestre. Vingadores: Guerra Infinita é a poderosa conclusão de um planejamento de 10 anos do estúdio e nada menos que 18 filmes. Com isso, os Irmãos Russo nos levam para uma viagem impressionante por dentro da mente Thanos (Josh Brolin), um dos melhores vilões do cinema dos últimos anos, nos revelando as suas motivações incrivelmente cruéis e, ao mesmo tempo, compreensíveis. Com toda a construção do universo e de seus personagens, a Marvel já tinha um público que se importava e torcia pelos seus heróis. Com isso, o estúdio pôde dar um pesado golpe no coração dos fãs e, mesmo sabendo que deverá haver uma reversão no destino daqueles personagens, é impossível não se emocionar e se desesperar de ansiedade por Vingadores 4. É ação e emoção em nível Titã Louco!


  • As Boas Maneiras, por Carlos Redel

Há tempos o cinema nacional não apresentava uma obra tão original e interessante. Com As Boas Maneiras, os cineastas Juliana Rojas e Marco Dutra entregam uma fábula de terror incrivelmente envolvente e impressionante. Girando em torno de uma interessante história de lobisomem, o filme não tem medo de exibir elementos que, em primeiro momento podem causar estranheza, mas que são extremamente importantes para a narrativa, entregando uma obra original e inesquecível. Além disso, o longa conta com atuações excepcionais de Marjorie Estiano e Isabél Zuaa. E, para mostrar a força feminina, Rojas e Dutra fazem questão de não colocar nenhum homem em cena durante toda a primeira metade do filme — e que, coincidentemente, é a melhor parte de As Boas Maneiras. Também existe uma forte crítica social durante a história, colocando o foco em velhos problemas do nosso país. No final das contas, o longa é nada menos que imperdível!


  • Hereditário, por Rafael Bernardes

Filmes de terror, com exceção de algumas obras, costumam conter uma fórmula parecida para assustar o público. Esses longas que fogem da curva, costumar dar muito certo ou muito errado. Casos como os recentes A Bruxa e Ao Cair da Noite mostram que vale a pena apostar em algo diferente. O estúdio é o mesmo dessas produções, o A24, que decidiu jogar suas fixas em Hereditário, uma produção que já causou polêmica ao ser comparado com O Exorcista. Logo após esse fato, houve relatos de que pessoas saíram rindo de sessões. Porém, o filme vai muito bem na sua proposta: deixar o espectador absolutamente tenso e espantado por estar assistindo determinada cena. O susto não é provocado através de jump scares e sim com imagens impactantes, contando com uma câmera expositiva utilizada de forma frequente, mas não exagerada. Se trata de um ótimo filme do gênero, com atuações espetaculares.


  • Desobediência, por Carlos Redel

Apesar de uma estreia meio tímida, Desobediência é, na verdade, um dos melhores filmes que chegaram aos cinemas nacionais em 2018. Contanto a história de Ronit (Rachel Weisz) e Esti (Rachel McAdams), duas mulheres criadas no meio de uma conservadora comunidade judaica na Inglaterra, mas que nutriam uma paixão secreta na juventude. Quando a primeira vai se “libertar” em Nova York, a outra fica e acaba se casando com o melhor amigo da dupla, Dovid (Alessandro Nivola). No entanto, quando o pai de Ronit morre, ela precisa voltar para aquela realidade e, lá, todo o sentimento que ficou guardado por anos, pode voltar com tudo. O longa coloca um holofote de maneira sobre um tema tão delicado e importante, que é a liberdade. Com isso, se mostra muitíssimo relevante para a atual realidade do mundo, uma vez que, apesar da evolução natural, o ser humano se recusa a abrir a mente para temas que necessitam de racionalidade. Afinal, qualquer crença que tire a liberdade de uma pessoa ou impeça o amor tem que ser revista. Uma obra tocante e perfeitamente conduzida por Sebastián Lelio, diretor do premiado Uma Mulher Fantástica.


Menções honrosas 

13 filmes não são o suficiente para selecionar os melhores do semestre. Eles não entram na lista, mas são bons o suficiente para merecer uma homenagem:

  • The Post: A Guerra Secreta
  • Artista do Desastre
  • Eu, Tonya
  • Deadpool 2
  • Os Incríveis 2

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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