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Os Incríveis 2 | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre a nova aventura da família Pêra!

Os Incríveis 2 | Crítica

Os Incríveis 2 (Incredibles 2)

Ano: 2018

Direção: Brad Bird

Roteiro: Brad Bird

Elenco (vozes originais): Craig T. NelsonHolly HunterSarah VowellHuck MilnerCatherine KeenerEli FucileBob OdenkirkSamuel L. JacksonBrad BirdJonathan Banks

Os Incríveis, lançado lá em 2004, provavelmente, era o filme da Disney/Pixar que os fãs mais gostariam que tivesse uma continuação. No entanto, o estúdio apostou em sequências de Monstros S.A., Toy Story, Procurando Nemo e até Carros, mas nada de trazer a família Pêra de volta. E foi assim por longos 14 anos. As crianças da época (eu tinha 12 anos, por exemplo) já são adultos agora — mas isso não quer dizer que estejam menos empolgados pela animação.

Com a grande competência da Pixar de fazer obras incríveis e que transcendem o tempo, os seus fãs antigos permanecem e, consequentemente, trazem novos (sejam filhos, sobrinhos, irmãos, afilhados). É uma espécie de religião. Assim, o estúdio pode ter o tempo que quiser para produzir algo que faça jus ao seu legado. Os ‘pixaretes’ ficarão ali, esperando. Foi assim com Toy Story 3, por exemplo, em que cada dia de espera valeu a pena. Já com a franquia Carros… Bem, deixa pra lá.

Então, depois desse longo período aguardando por Os Incríveis 2, ele finalmente chegou aos cinemas. Quebrando todos os recordes de bilheteria para uma animação nos Estados Unidos, o filme, que traz Brad Bird de volta como diretor, começa exatamente no momento em que o longa original terminou. E isso é muito interessante, pois aquele gancho com o Escavador ficou instigando os fãs por todo esse tempo. E finalmente podemos ver como os heróis enfrentam o vilão, matando uma curiosidade de mais de uma década.

Só que, após o confronto, a situação dos heróis, mais uma vez, é colocada em pauta. Afinal, com toda a destruição que causam para salvar a cidade, será que eles mais ajudam ou atrapalham? Com isso, a família Pêra se vê, novamente, sendo obrigada a abandonar os uniformes e tentar levar uma vida normal. Até que surge uma oportunidade, como uma luz no fim do túnel, que poderá limpar a imagem de todos os seres superpoderosos que lutam pela justiça. E a peça-chave para que isso aconteça não é o Sr. Incrível, mas, sim, a Mulher-Elástica.

E, claro, além do vilão, essa troca de papéis é o grande fio-condutor do filme. Com mãe tendo que trabalhar, sobra para o pai a tarefa de cuidar da casa e dos filhos. Então, a Pixar acerta de uma maneira incrível (olha o trocadilho). Ao mostrar que um dos mais poderosos heróis do planeta não consegue dar conta de tarefas domésticas, que geralmente recaem sobre as matriarcas, Brad Bird (que também assina o roteiro) esclarece que nada é mais difícil e heroico do que estar presente para os filhos.

É muito interessante ver a reação do Sr. Incrível, que sempre foi o provedor do lar, ao ser substituído por sua esposa. Inclusive, em um determinado momento, ele precisa dar um discurso motivador para a sua companheira e faz isso com bastante sofrimento, como se cada palavra fosse um golpe em sua masculinidade. Algo que, obviamente, as crianças não vão perceber, mas que, sem dúvidas, será essencial para a formação dos pequenos. Mesmo que não entendam o significado dessa troca de papéis, essa importantíssima mensagem trará alguma boa consequência.

No entanto, infelizmente, nem tudo é festa. Apesar de ser extremamente relevante, principalmente em tempos tão retrógrados em que vivemos, Os Incríveis 2 sofre um pouco no roteiro. Na concepção da ameaça que fará a trama andar, há um claro reaproveitamento de ideias do longa original, entregando algo muito parecido com o que foi visto anteriormente, só que com um antagonista muito menos carismático — saudades do Bochecha.

Outro fato interessante de Os Incríveis 2 é a exploração da época em que ele se desenvolve. No longa anterior, sabíamos que a época em que a história se passava não era a nossa, mas não ficava claro qual era ela. Agora, na sequência, o filme se utiliza bem dos anos 1960, criando, inclusive, um clima que permeava os longas da década, com invenções mirabolantes e colocando os monitores — que cada vez mais ganhavam espaço — como condutores de possíveis ameaças.

No quesito técnico, houve uma grande melhora na animação — que já era muito boa, diga-se de passagem —, deixando todos os elementos que aparecem na tela beirando a perfeição. Percebe-se uma dedicação impressionante por conta dos realizadores, que não deixam um fio de cabelo sequer sem cuidado especial. É de encher os olhos. Assim, a Pixar entrega, mais uma vez, uma obra memorável e que, mesmo com pequenos deslizes, se mostra extremamente relevante. Ah, e o Zezé é um dos grandes trunfos da obra. Valeu a pena esperar!

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 3.8/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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