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Westworld – 2ª temporada | Crítica

Novo ano é repleto de mistérios, enigmas e sangue!

Westworld – 2ª temporada | Crítica

Westworld – 2ª temporada

Ano: 2018

Criadores: J. J. Abrams, Jonathan Nolan, Lisa Joy 

Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Ingrid Bolsø Berdal, Luke Hemsworth, Simon Quarterman, Rodrigo Santoro, Angela Sarafyan, Ed Harris, Ben Barnes, Clifton Collins Jr., Jimmi Simpson, Tessa Thompson, Louis Herthum, Talulah Riley, Gustaf Skarsgård, Katja Herbers, Zahn McClarnon

Após a magnífica primeira temporada, era difícil conseguir prever o futuro de Westworld. Conseguiria a série manter a atmosfera cheia de mistérios e reflexões filosóficas num ano marcado pelo conflito entre homem contra máquina? Apesar de toda a ação envolvida, a atração da HBO consegue manter todos os elementos que a fizeram famosa — e os expande.

Com confrontos e o caos deixado após o season finale do primeiro ano, Westworld volta a todo vapor com a rebelião dos anfitriões liderada por Dolores (Evan Rachel Wood), depois de matar o criador do parque, Robert Ford (Anthony Hopkins). Acompanhada pelos fieis Teddy (James Mardsen) e Angela (Talulah Riley), a anfitriã original deve guiar seus seguidores até o Além do Vale, um lugar profético onde reside um segredo qual apenas ela sabe. O Vale também é o destino final de William (Ed Harris), que está numa narrativa exclusiva deixada pelo sempre presente Ford, uma jornada pelo seu passado com uma espécie de redenção ao revisitar todos os seus pecados.

Maeve (Thandie Newton) deixa de lado sua oportunidade de abandonar o parque e retorna em busca da sua filha, contando com a inesperada ajuda de Lee Sizemore (Simon Quaterman), que deixa de ser um personagem secundário irritante para despertar a simpatia do espectador ao começar a se importar com os anfitriões. Jonathan Nolan honra o seu sobrenome ao entregar uma temporada fora de ordem cronológica; Bernard (Jeffrey Wright) acorda duas semanas após a rebelião ter começado e não se lembra de nenhum dos eventos anteriores, ainda incerto de qual lado tomar. Ele e Stubbs (Luke Hemsworth) estão de mão atadas ao se verem no meio de um objetivo secreto e obscuro da Delos, empresa responsável pelo parque, que não envolve salvar os humanos presos no meio da rebelião. É louvável a capacidade da série de equilibrar de forma coesa quatro linhas do tempo sem nunca se tornar confusa.

Nem todos os núcleos são empolgantes logo de cara, em especial os que envolvem a Dolores e a Maeve, que, por vezes, acabam caindo na repetitividade. Mas todos os caminhos acabam no mesmo lugar, se tornando relevantes para o quadro geral no season finale: uma hora e meia de pura glória de ficção científica onde tudo faz sentido. Curiosamente, as partes mais interessantes do novo ano são as que apresentam mundos novos. Shogun World impressiona com a estética que perfeitamente recria o Japão Imperial e conta com a presença de samurais, ronins, ninjas e gueixas; as semelhanças narrativas deste parque com Westworld são visíveis, mas não repetitivas: enquanto a própria série reconhece que alguns personagens e narrativas são recicladas, as diferenças para contextualizar os elementos no Japão são excepcionais.

Outro episódio que “abandona” a trama principal e impressiona é o oitavo, Kiksuya. Aqui acompanhamos a jornada de Akecheta (Zahn McClarnon, excelente), um índio lakota da Nação Fantasma e seu caminho para alcançar a senciência por conta própria, sem qualquer influência do Ford. Melancólico, o episódio destoa muito do restante da série, sem jamais parecer filler e desconstrói o estereótipo do índio violento — a Nação Fantasma é, facilmente, o grupo mais pacífico de Westworld.

As ausências de Ford e suas constantes reflexões não afetam a série, que continua a propor discussões importantes sobre a natureza humana, nosso livre arbítrio e a tênue linha que nos separa dos androides. O maior exemplo é a busca da Maeve por sua filha; tecnicamente a anfitriã mirim não é filha da protagonista, apenas um robô seguindo uma programação. Mas o argumento apresentado é tão convincente que legitima a busca pela criança. Assim como a luta pela independência dos anfitriões do parque, que é carregada de questionamentos.

As atuações também mantém o altíssimo padrão estabelecido na temporada anterior. Se Louis Herthum teve apenas o piloto para brilhar como o pai da Dolores, aqui ele recebe mais tempo em tela para alternar entre todas as versões anteriores de seu anfitrião; suas interações com Evan Rachel Wood, que consegue trocar rapidamente de líder impiedosa para a personalidade de filha de fazendeiro, são magníficas. Ed Harris, Jeffrey Wright e Thandie Newton sofrerão sérias injustiças se não forem ao menos indicados ao Emmy.

A excelência narrativa não é o único atrativo. O investimento milionário da HBO é visível em cada momento da série.  A belíssima fotografia parece ser um dos únicos elementos que lembram que Westworld também é faroeste ressaltando as locações de tirar o fôlego. Os efeitos visuais são espetaculares e nem lembram que são de uma produção televisiva. A violência, até quando excessiva, nunca soa gratuita e sempre apresenta criatividade em algumas mortes. E a cereja do bolo é a trilha composta pelo sempre excelente Ramin Djawadi. Se o primeiro ano da série impressionou ao trazer covers de canções famosas em versão faroeste, agora ele trouxe rendições de músicas seguindo os estilos japoneses e indianos, um delírio sonoro toda vez.

Imprevisível e subvertendo todas as expectativas, a segunda temporada de Westworld prova mais uma vez que aprendeu com os erros de Lost, o alicerce de todas as séries de mistério pós-2004, ao conceber cada temporada com um começo, meio e fim, ao iniciar o ano com diversos mistérios e enigmas e responder quase todas as respostas no final, deixando cada temporada funcionando por conta própria, mas ainda criando ganchos para o ano seguinte. Jonathan Nolan e Lisa Joy ainda têm mais quatro temporadas planejadas e é quase impossível ver aonde a série vai a seguir devido ao final muito conclusivo, mas se continuar com este nível altíssimo de qualidade, o futuro de Westworld é muito promissor.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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