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Em 97 Era Assim | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre a comédia dirigida por Zeca Brito!

Em 97 Era Assim | Crítica

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Ano: 2017

Direção: Zeca Brito

Roteiro: Leo Garcia

Elenco: Frederico Restori, João Pedro Corrêa Alves, Pedro Diana Moraes, Julio Estevan, Carla Cassapo, Fernanda Carvalho Leite, Dânny Gris, Rafa Tombini, Janaina Kraemer

Como é bom assistir a uma obra que retrate a nossa realidade, que tenha grande proximidade com o que vivemos. Sendo gaúcho e porto alegrense, eu fui um dos jovens do filme Em 97 Era Assim. E pude sentir nostalgia através da ambientação de cenários, costumes, gírias e situações comuns. Um simples e divertido retrato de uma época que durou muito mais do que as pessoas imaginam.

Essa crítica terá um pouco da minha vivência como adolescente, pois, mesmo tendo a idade dos personagens principais somente 10 anos depois, em 2007, as diferenças são pouquíssimas, limitando-se a roupas, tecnologia e veículos. As gírias eram as mesmas, os costumes, as formas de se divertir, etc. O longa conta a história de quatro meninos: Renato (Frederico Restori), Moreira (João Pedro Corrêa Alves), Pilha (Pedro Diana Moraes) e Alemão (Julio Estevan) e, mesmo o protagonista sendo Renato, todos possuem muito espaço na trama, muito por conta de estarem sempre juntos.

O quarteto de adolescentes com seus hormônios à flor da pele deseja, a qualquer custo, perder a virgindade. Esse é o plot principal, mas diversos outros acontecimentos rodeiam a trama que, obviamente, retrata a visão de meninos de 15 anos, o que acaba justificando a maneira de como as meninas são mostradas na história. Elas acabam sendo espécies de muletas narrativas para que o roteiro não seja tão simples e auxiliam no desenvolvimento, mas sem muito espaço.

Falando em roteiro, existem problemas de continuidade e de desenvolvimento de personagens, além de algumas inconsistências narrativas, mas nada que atrapalhe o que está sendo mostrado. O elenco foi muito bem selecionado e, mesmo levando em conta a inexperiência dos atores em longas-metragens, eles se saem bem e entregam o necessário para que possamos nos identificar com todos, enxergando um pouco de cada um em nós mesmos. O maior destaque é Júlio Estevan, interpretando muito bem o personagem mais unidimensional da produção.

Os estereótipos são encarnados, mas ao contrário da maioria dos filmes que se utilizam disso, a justificativa é tão grande que deixa o longa mais divertido assim do que se tivesse tentado criar jovens complexos e com personalidades aprofundadas. A intenção aqui não é essa, mas, sim, de mostrar como éramos “idiotas” (no bom sentido) quando jovens e que tudo aquilo não tem sentido nenhum, mas para nós, era a nossa vida.

O ritmo do longa é bom, prendendo o espectador do início ao fim. No segundo ato há momentos que destoam um pouco do resto da obra, mas a duração contribui para que não haja tédio. Você fica envolvido nos problemas banais e nas situações embaraçosas. Os personagens adultos também são muito divertidos, fazendo com que nos lembremos dos pais dos nossos amigos que continham aquelas personalidades.

Ao realizar um filme com o propósito alcançado, Zeca Brito, diretor da produção, possui muitos méritos nesse processo. Ele, junto de Carla Cassapo, preparadora de elenco, conseguiram fazer com que a química desses meninos seja excelente e nos faça acreditar que eles eram realmente amigos de infância. Os méritos de Zeca não se limitam apenas à direção do elenco. O cineasta movimenta de forma concisa a câmera, com planos longos seguindo personagens e dando dinamismo ao filme. A variação de planos abertos e fechados é precisa e a ambientação foi muito bem feita: estamos nos anos 1990 e somos jovens em Porto Alegre!

Em 97 Era Assim fisga o público com uma nostalgia estratégica e conta uma história simples e bem fechada, divertindo o tempo inteiro. Os problemas de roteiro, como a utilização de clichês e detalhes já mencionados acima, não interferem no objetivo dos criadores. Trabalho bem executado por todos os envolvidos e que aquece o coração de quem sente saudades dos tempos em que não tínhamos muitas responsabilidades e que a nossa maior preocupação eram os namoros de colégio e a vida naquele ambiente.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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