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Sense8 – Amor Vincit Omnia (o episódio final) | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre a despedida da série criada por Lilly & Lana Wachowski

Sense8 – Amor Vincit Omnia (o episódio final) | Crítica

Sense8 – Amor Vincit Omnia (o episódio final)

Ano: 2018

Criadores: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski

Elenco: Jamie ClaytonMax RiemeltToby OnwumereDoona BaeTuppence MiddletonMiguel Ángel SilvestreTina DesaiBrian J. SmithFreema AgyemanNaveen AndrewsDaryl HannahTerrence Mann

O ano é 2017. Depois de dois anos de espera para a 2ª temporada, os fãs de Sense8 são surpreendidos com a notícia de que a Netflix, aquela que até então era conhecida como uma mãe no mundo dos seriados, cancelou a ficção científica de Lilly & Lana Wachowski. Nesse momento, muita gente ficou sem entender como o serviço de streaming cancelava uma série que era um sucesso. O motivo é que este sucesso se limitava somente ao Brasil, e Sense8 é uma produção cara, portanto, a baixa audiência não justificava continuar investindo nela. Após uma forte campanha dos fãs – e a entrada do site pornô XHamster na jogada –, a Netflix voltou atrás e decidiu investir em um episódio final para o programa.

Com uma duração exagerada de 151 minutos, o último capítulo do cluster de sensates mais amado do mundo não é ruim, ao contrário do que muita gente achou que seria, dada a necessidade de se fechar vários arcos em um único episódio, mas poderia ter sido muito melhor do que realmente foi. Acontece que aqueles mesmos problemas presentes nas duas temporadas estão mais evidentes. Há muitos deus ex machina, muitas facilitações de roteiro e muitas coisas praticamente impossíveis de acontecer (mesmo para um universo fictício).

Mas vamos à trama. Após o sequestro de Wolfgang (Max Riemelt) pela OPB, os outros sete membros de seu grupo unem forças para realizarem uma troca, já que o grande vilão Sussurros (Terrence Mann) foi feito refém por eles. Este fio condutor narrativo gera uma outra subtrama envolvendo um outro cluster cujas intenções não ficam claras, e tudo começa a ficar meio confuso no melhor estilo Piratas do Caribe 3 (e isso não é um bom sinal). A sensação de ver o último episódio de Sense8 é a mesma sentida em 2007 por muitos fãs da franquia estrelada por Johnny Depp, mas pelo menos aqui o final foi bem melhor.

Apesar de um roteiro confuso e com muito o que contar, ainda ficaram muitas pontas soltas. Enredos como o grande filme que Lito (Miguel Ángel Silvestre) estava para fazer e a iniciação de Capheus (Toby Onwumere) na vida política são quase completamente ignorados, há apenas pinceladas disso nos diálogos. Capheus, inclusive, é o personagem mais prejudicado, sendo reduzido a um mero motorista de van e grande conhecedor do veículo. Até mesmo o detetive Mun (Sukku Sun), um personagem secundário – pra não dizer terciário – que surgiu na 2ª temporada como parte do núcleo de Sun (Doona Bae), parece ter mais tempo de tela que o jovem queniano.

Em outros aspectos, Sense8 continua impressionante. A fotografia e a montagem continuam sendo os pontos mais fortes da megaprodução. O modo como as locações e os personagens transitam é um trabalho excepcional. As cenas de ação estão mais sangrentas do que nunca e também empolgantes, mas isso não é nenhuma novidade, visto que o trabalho mais notável da diretora Lana Wachowski é a trilogia Matrix. O trabalho sonoro também é digno de nota; cada soco e chute atingido nas cenas de luta parece realmente ter causado uma lesão, e muito disso se deve ao realismo do som que eles emitem.

A mensagem é clara: Sense8 chegou ao fim. É uma pena, visto que a série tinha suas qualidades, mesmo em meio a tantos defeitos, e muito a se explorar daquele universo. Mas é nítido que a atração deixou sua marca na cultura pop. Ação, romance, orgias que mais parecem pinturas artísticas do Renascimento, os mistérios da mente… Mesmo que apenas uma pequena parcela dos assinantes da Netflix tenha gostado da série, uma coisa é certa: Sense8, a produção que mostrou ao grande público que existem os mais diversos tipos de pessoas no mundo e que quase ninguém pertence ao padrão, fará falta.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 8    Média: 2.8/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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