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Han Solo: Uma História Star Wars | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o novo derivado da saga Star Wars!

Han Solo: Uma História Star Wars | Crítica

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)

Ano: 2018

Direção: Ron Howard

Roteiro: Jonathan KasdanLawrence Kasdan

Elenco: Alden EhrenreichWoody HarrelsonEmilia ClarkeDonald GloverPaul Bettany, Thandie NewtonJoonas Suotamo

A icônica frase “eu tenho um mal pressentimento sobre isso”, que sempre surge em algum momento dos filmes da saga Star Wars, desta vez, circundava os bastidores da produção de Han Solo: Uma História Star Wars. Todas as notícias que chegavam eram assustadoras. O filme seria uma comédia, o protagonista não sabe atuar, mudou o diretor, refilmaram 80% das cenas, é o filme mais caro da franquia. Pânico entre os fãs. Vislumbre da desgraça. “Vão destruir um dos melhores personagens do universo Star Wars”, pensavam. Pensávamos. Bom, eu me enganei. 

Dirigido por Ron Howard e escrito por Lawrence e Jonathan Kasdan, o longa nos traz um Han Solo (Alden Ehrenreich) ainda jovem, lutando para sobreviver em Corellia, um submundo do crime,  e sonhando em ser um grande piloto. Ao tentar escapar de lá com sua amada Qi’ra (Emilia Clarke), eles são perseguidos e a garota é recapturada. Solo consegue escapar e promete voltar para buscá-la. Anos se passam mas ele mantém a esperança de reencontrá-la, e para isso enfrenta inúmeros perigos com a ajuda de novos aliados, entrando de vez no mundo do contrabando e lidando com os mais temíveis criminosos. 

A primeira coisa que preciso dizer é que o ritmo do filme é fantástico. São 2h15min de duração que passam voando. É, “voando” é a palavra certa. Han Solo: Uma História Star Wars possui algumas das mais empolgantes e fluidas sequências de perseguições espaciais de toda a franquia. E isso é algo fundamental para um filme sobre o melhor piloto da galáxia, não é mesmo? A entrada da lendária espaçonave Millennium Falcon na história é empolgante. Ela é praticamente um personagem do filme, com sua imponência e pela forma como é reverenciada o tempo inteiro. De forma merecida, diga-se de passagem.

Se temos a Millennium Falcon, precisamos falar de pelo menos mais dois personagens diretamente relacionados a ela: Chewbacca (Joonas Suotamo) e Lando Calrissian (Donald Glover). Chewbacca, o inseparável parceiro de Han Solo e co-piloto da Millennium Falcon, é um dos destaques do filme. Com um carisma enorme, até por ser um daqueles personagens que nos acompanha há décadas, teve a história da origem da sua amizade com Solo apresentada de forma bem convincente, em uma cena divertida e totalmente coerente com o que conhecíamos dos dois. O mesmo pode ser dito sobre Lando, o proprietário anterior da Falcon. Mesmo sem nenhuma surpresa para quem assistiu O Império Contra-Ataca, as cenas que ilustram as histórias citadas por eles lá no Episódio V funcionam muito bem. 

Vale destacar também os ótimos personagens vividos por Woody Harrelson (Becket) e Paul Bettany (Dryden Vos). O primeiro serve como um ‘mestre’ para Han Solo no mundo do contrabando. O segundo é um vilão que se mostra realmente assustador, criando a atmosfera de perigo e urgência que exige que atitudes extremas sejam tomadas. Sobre o protagonista Alden Ehrenreich, talvez as notícias sobre sua incapacidade de atuar tenham sido exageradas. O rapaz se saiu bem, desde que as pessoas aceitem que ele não é o Harrison Ford. E falando em atuação, Emilia Clarke também se mostrou eficiente como Qi’ra, parecendo muito mais à vontade (ou melhor dirigida) do que em Game of Thrones. 

No que se refere à ligação com os antigos filmes, há um equilíbrio entre referências que repetem o que já vimos e outras que revertem nossa expectativa. Por exemplo, se por um lado repetem uma conhecida estratégia para invadir discretamente um local muito protegido, ou utilizam um disfarce que já vimos anteriormente, por outro alteram falas clássicas e trazem de volta o Han Solo original em uma cena inesperada que certamente será a mais comentada pelos divulgadores de spoilers. No entanto, são poucas as surpresas na história. O filme tem uma atmosfera de faroeste, onde diversos planos remetem aos clássicos do gênero. Inclusive na utilização de alguns lens flares, artificiais e meio exagerados na minha opinião. Ah, e existe uma cena ótima que remete demais a um filme recente do 007.  

De resto, o CGI é impecável. Os personagens estão super realistas, as naves estão fantásticas e os ambientes (tanto no espaço quanto nos planetas) são espetaculares. Isso não é mais surpresa quando se trata de Star Wars, mas merece todos os elogios de qualquer maneira. O mesmo pode se dizer da trilha sonora. Destaque para os momentos nos quais escutamos algumas melodias clássicas da franquia, pois são realmente emocionantes e são a cereja do bolo de determinadas cenas.

E como não podia deixar de ser, novamente um filme da franquia demonstra um posicionamento político e ideológico muito claro. Se em Rogue One víamos os tanques de guerra e soldados do Império procurando ‘terroristas’ como no Afeganistão, dessa vez escutamos as propagandas incentivando o alistamento ao Império da mesma forma que o Tio Sam chamava os jovens para se tornarem soldados para lutar e morrer em nome dos Estados Unidos da América. Em outro momento, uma personagem faz um discurso que pode tranquilamente ser relacionado ao veganismo, algo que também já foi citado de maneira rápida no Episódio VIII. 

Por fim, acho que chegou a hora de nós assumirmos que estamos velhos. Esse “nós” ao qual me refiro é a geração que se apaixonou pela primeira trilogia de Star Wars. Os episódios IV, V e VI, que contavam a história de Luke Skywalker e sua saga até se tornar um poderoso Jedi. Aquela trilogia que nos trouxe Darth Vader, Obi-Wan Kenobi, a Princesa Leia, o Mestre Yoda e, obviamente, Han Solo. O universo Star Wars não pertence apenas à nossa geração. Ele está conquistando de maneira fantástica uma nova legião de fãs, falando de assuntos que são relevantes para eles hoje. Nenhum daqueles nossos amados personagens poderá ser substituído e sequer revivido por outros atores. Mas eles sempre estarão lá nos clássicos para serem revisitados, e nós devemos aceitar que a geração que conheceu Star Wars pelas prequels, pelas animações ou até pelos novos filmes está tendo a chance de se apaixonar por este universo da mesma forma que nós nos apaixonamos décadas atrás. 

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 3.5/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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Comments

  1. Prof. Marlon Nunes - 24 de maio de 2018 at 07:02 - Responder

    Gostei, começo foi um pouquinho morno mais depois, acordou a galera no cinema que estava cheio , mas não lotado , ao nosso lado havia poltrona vazia.
    Contaram a História do Han e mostraram detalhes que todos curtem desse misto de herói e anti – heroi. Fiquem com aquela vontade de quero mais com o que acontece ali pelo final do filme, não com o final , pois esse é previsível, afinal estamos em uma história pregressa, como Rougue On, mas não deixa de ser bom ver essa fatia da franquia. Resumo , na minha opinião, vale o ingresso.

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