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13 Reasons Why – 2ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre o segundo ano da série adolescente da Netflix!

13 Reasons Why – 2ª temporada | Crítica

13 Reasons Why – 2ª temporada

Ano: 2018

Criador: Brian Yorkey

Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Alisha Boe, Brandon Flynn, Justin Prentice, Miles Heizer, Ross Butler, Devin Druid, Amy Hargreaves, Derek Luke, Kate Walsh

Apesar de efetiva, a primeira temporada de 13 Reasons Why apresentava diversos problemas de abordagem ao ser gráfica demais e não totalmente ideal em determinados pontos. Depois de ter coberto todos os acontecimentos do livro homônimo no qual foi baseada, a série volta com um segundo e desnecessário ano disposta a mostrar ao mundo que não só não aprendeu com os erros como também os repetiu e foi além.

Após as fitas deixadas por Hannah Baker (Katherine Langford) não serem consideradas provas o suficiente para a prisão de Bryce Walker (Justin Prentice), a mãe de Hannah, Olivia (Kate Walsh) vai à julgamento para tentar processar a escola pela incapacidade de impedir os abusos dos estudantes contra sua filha. Enquanto isso, Clay Jensen (Dylan Minette) e todos os estudantes presentes nas fitas se veem envolvidos em dois mistérios paralelos: uma figura misteriosa os ameaça para que eles não testemunhem no tribunal e um anônimo fornece fotos de Polaroid capazes de incriminar Bryce e seus colegas.

Logo de cara, o novo ano da série apresenta muita irresponsabilidade ao desmentir muitas das coisas que Hannah declarou nas fitas. Em flashbacks de eventos que claramente não aconteceram e subestimam a inteligência do espectador ao tratar essas lembranças como cânone, vemos o outro lado da história de algumas pessoas presentes na fita. Estes eventos são tão importantes que o fato da Hannah ocultá-los de sua história a deslegitima completamente enquanto personagem. Sem contar que as consequências das fitas são extremas, todos aqueles que estão envolvidos em algum nível com a falecida protagonista são muito prejudicados e alguns levarão sequelas físicas e psicológicas para sempre. Fica difícil ficar do lado da Hannah.

As coisas não ficam boas para Clay. O agora namorado da Skye (Sosie Bacon) não consegue esquecer sua primeira e falecida paixão e é muito desrespeitoso com sua própria namorada, que também tem histórico de depressão. A obsessão de Clay por Hannah chega a ser doentia e ele acaba prejudicando as pessoas a sua volta em sua torta jornada por justiça. Mesmo com a sua personagem morta, Katherine Langford se tornou popular entre os adolescentes e o jeito que os roteiristas encontraram de manter Hannah Baker com o maior tempo de tela o possível foi trazê-la de volta como uma constante alucinação de Clay. Todas as cenas de interação entre os dois são ridículas, principalmente por Clay nunca tratá-la como uma alucinação, mas como se fosse a própria Hannah, chegando até questioná-la por coisas que ele acabou de descobrir, como se ela não fosse um fragmento da imaginação dele.

Mas nem tudo no segundo ano é necessariamente ruim. As cenas das audições do julgamento são o melhor que a temporada tem a oferecer. Ainda que alguns dos testemunhos criem inconsistências sérias com a primeira temporada, o drama de tribunal é bem estabelecido e desenvolve alguns dos personagens de forma competente. Jessica (Alisha Boe), Alex (Miles Heizer), Zach (Ross Butler), Tyler (Devin Druid) e Justin (Brandon Flynn) se redimem dos erros cometidos no ano anterior e têm arcos excelentes.

Outro aspecto que não torna esta continuação totalmente dispensável é a atenção dedicada à parte técnica. 13 Reasons Why é bem filmada e tem uma excelente trilha sonora, as atuações também são exemplares, para um elenco majoritariamente jovem, ninguém desaponta. As qualidades positivas não são suficientes para mascarar os sérios problemas do roteiro. Por vezes, a escrita é preguiçosa como a conveniente amnésia do Alex. Outras vezes, elas tendem a desafiar a paciência do espectador, como quando quatro adolescentes saudáveis deixam o único fisicamente incapacitado do grupo entrar num carro sozinho com um dos vilões da trama para buscar evidência. São inúmeros os exemplos de saídas fáceis e quebras de personagem que a narrativa encontra para alcançar seus objetivos.

Depois de receber duras críticas pela gráfica cena do suicídio da Hannah, o mínimo que a série poderia fazer era não repetir a dose, mas não foi o caso. Em uma cena desnecessária e gratuita, outro personagem que sofria muito com bullying é punido por 13 Reasons em imagens que não saem fácil da cabeça. Uma solução apelativa para manter a série nos holofotes por mais tempo. E se a segunda temporada já parecia um exagero, a mesma termina em outro gancho ao deixar uma situação-problema enorme sem solução. Enquanto existirem espectadores e mesmo que não haja enredo, 13 Reasons Why continuará.

Com mais uma vez a Netflix priorizando quantidade ao invés de qualidade, a série deixa um gosto amargo na boca, de puro horror e de desapontamento. 13 Reasons Why tem a capacidade de despertar diálogos relevantes, mas sua execução irresponsável e focada em chocar o espectador acaba comprometendo a sua fidedignidade. Resta aguardar a terceira temporada e, de preferência, não assisti-la.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 12    Média: 2.9/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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