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Cargo | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa de zumbi da Netflix!

Cargo | Crítica

Cargo

Ano: 2018

Direção: Ben HowlingYolanda Ramke

Roteiro: Yolanda Ramke

Elenco: Martin FreemanSimone Landers, Anthony HayesSusie PorterCaren PistoriusKris McQuadeLily Anne McPherson-Dobbins, Marlee Jane McPherson-Dobbins

Em 2013, um curta-metragem sobre mortos-vivos viralizou na internet. O seu nome? Cargo. A produção acompanha um pai que, no meio de um apocalipse zumbi, na Austrália, é infectado pelo vírus mortal. Então, o homem, sozinho com a sua filha, tem apenas 48 horas para encontrar um paradeiro seguro para a bebê, antes que ele se torne um monstro sedento por carne humana e a devore. E a produção consegue apresentar tudo isso, de maneira brilhante, em apenas sete minutos.

Com o grande sucesso do curta — justificável, uma vez que a ideia é realmente boa — não demorou muito para que anunciassem um longa-metragem baseado na produção australiana. Os mesmos diretores do original, Ben Howling e Yolanda Ramke, foram convocados para comandar o projeto, o que deveria deixar ele mais próximo da ideia inicial. Martin Freeman, o Bilbo Bolseiro da trilogia O Hobbit, foi chamado para ser a grande estrela do longa e, assim, atrair mais curiosos. Ah, e a Netflix comprou os seus direitos de distribuição, colocando o seu selo de “original”.

Pô, tudo para dar certo, né? Pois então, não é bem assim… Para uma história de sete minutos ser multiplicada por 15, ou seja, se transformar em 104 minutos, ela precisa de um recheio. E esse é o grande problema de Cargo — o filme, no caso. Para poder esticar a trama, o roteiro, que é escrito por Ramke, opta por trazer novos elementos para a história, mas deixando de lado toda a criatividade de sua obra original. O longa se abraça nos clichês do gênero e, com isso, perde toda a essência que fez do curta um sucesso.

Obviamente, assim como a maioria dos filmes de zumbis, as ações equivocadas dos personagens fazem a trama girar. Até aí, tudo bem. Mas a maneira como as situações são construídas para que as atitudes estúpidas sejam desenvolvidas — e, com isso, as suas consequências — é um dos piores defeitos de Cargo. As relações afetivas que, teoricamente, seriam o grande trunfo do longa, acabam ficando artificiais e as cenas que deveriam trazer a urgência para a trama soam como bobas, não impactando em nada. Além disso, não é possível se conectar emocionalmente com a história, tamanha a falta de sensibilidade na condução do projeto.

Assim como o curta, o longa-metragem é situado na Austrália e se aproveita das lindas paisagens da região para dar um ar interessante para o projeto, o que, visualmente, o distancia da maioria das produções do gênero. A região é filmada protocolarmente e com pouquíssima inspiração. Afinal, mesmo sendo quase impossível errar com aquele espetáculo da natureza, os cineastas não extraem tudo o que poderiam dali. A dupla não consegue passar o clima de isolamento e insignificância do homem e sua filha naquela imensidão pouco explorada pelos seres humanos.

Apesar do talento de Freeman, o ator não consegue salvar a trama de seu destino falho. Com uma ótima ideia desperdiçada, Cargo se torna cansativo e, no final das contas, não passa de uma história que já vimos diversas vezes. E o pior: querendo explorar a cultura da região — o que poderia ser bem interessante, se bem feito —, personagens são mal utilizados na trama e, com isso, o final, que deveria ser o auge do longa, perde totalmente a força, torna-se um tanto quanto vergonhoso. Uma pena, tinha muito potencial, mas foi estragado pelos seus próprios criadores.

Obs.: O único elemento realmente cativante no longa é a bebê Rosie, vivida pelas gêmeas Lily Anne e Marlee Jane McPherson-Dobbins. Que criança mais fofa!

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 9    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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