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Atlanta: Robbin’ Season | Crítica

Confira a crítica da segunda temporada da comédia surreal criada por Donald Glover!

Atlanta: Robbin’ Season | Crítica

Atlanta: Robbin’ Season

Ano: 2018

Criadores: Donald Glover

Elenco: Donald Glover, Brian Tyree Henry, Lakeith Stanfield, Zazie Beetz

Além de seu sucesso como ator e cantor (sobre o codinome de Childish Gambino), Donald Glover provou ter um talento ainda maior como roteirista, produtor e diretor em seu primeiro projeto atrás das câmeras. Glover, que já havia sido roteirista em 30 Rock e feito algumas contribuições no roteiro de Pantera Negra, faz um trabalho marcante em Atlanta. O modo como a série consegue lidar com uma variedade de temas, fazer comentários sociais relevantes, contar uma história competente e ainda mostrar a realidade da comunidade negra na cidade de Atlanta mesclando humor, drama e surrealismo, e sendo excepcional em tudo ao que se propõe (assim como Donald Glover), é nada menos que impressionante.

Depois de um ano e meio de hiatus de sua magnífica temporada de estreia, Glover e Hiro Murai mostram que perderam mão e amadureceram na direção ao oferecer um segundo ano tão efetivo quanto o primeiro e ainda mais envolvente. Com o subtítulo de Robbin’ Season, uma referência à temporada de final de ano na cidade em que o números de assalto sobe por causa do Natal, ninguém está seguro, roubos acontecem por toda parte. Mas não apenas roubos de bens matérias; personagens são roubados do seu tempo, de seus papéis, de sua dignidade.

Neste contexto, voltamos a acompanhar Earn Marks (Donald Glover) trabalhando como agente de seu primo Alfred (Brian Tyree Henry) na sua careira de rapper como Paper Boi. Apesar de o dinheiro ser mais estável, Earn continua dando o seu melhor para sustentar a sua filha, mesmo que a relação com a sua ex(?) Vanessa (Zazie Beetz) seja cheia de idas e vindas. A desconstrução do Earn é uma parte vital da temporada, antes construído como um cara sem sorte que tem que batalhar muito para conseguir dinheiro e ir atrás das raras oportunidades que a vida dá, aprendemos duramente que talvez ele não seja tão digno de pena assim. Com o seu trabalho como agente consumindo cada vez mais do seu tempo e diminuindo ainda mais o tempo que passa com sua filha, Earn não dá para Van a mesma dedicação que ela do dá e recusa ter algo mais sólido com ela. Não só na sua vida pessoal, Earn não é o melhor dos agentes e isso, por vezes, acaba atrapalhando a carreira de Al.

Alfred é o personagem que mais recebe desenvolvimento este ano. Ele deve preservar sua imagem como rapper ao tentar se manter “real” e não cair nas armadilhas oferecidas pelo dinheiro e pela fama, o que causa diversos e profundos conflitos, tanto físicos quanto emocionais. A amizade dos primos é posta à prova mais de uma vez e, através de um ótimo episódio flashback, vemos toda a carga emocional e a culpa que eles trazem do passado. Quando crianças, Al sempre protegia Earn na escola, na vida adulta, a relação continua a mesma com o rapper sustentando o primo.

A complexidade narrativa de Atlanta atinge novos níveis com o sexto episódio, Teddy Perkins. Se nos últimos dois anos, os comediantes Jordan Peele e John Krasinski demonstraram uma surpreendente capacidade em criar terror com os excelente Corra! e Um Lugar Silencioso, Donald Glover entrou no mesmo patamar que os colegas de profissão. Protagonizado pelo peculiar Darius (Lakeith Stanfield), o episódio mostra a sua jornada para pegar um piano customizado e sua estadia na casa do estranho dono dono, Teddy Perkins (Glover debaixo de uma whiteface). Em trinta minutos de pura tensão e desconforto, tememos por Darius e sua curiosidade quase infantil que não o permite enxergar a gravidade da sua situação. Perkins é apresentado como uma figura triste e solitária, com um rosto estranhamente pálido (com uma semelhança não acidental a Michael Jackson) como um reflexo do preço que a fama pode ter depois de um pai abusivo que faria de tudo para os filhos alcançarem o sucesso.

Com uma qualidade técnica cada vez mais comuns em séries de comédia, a segunda temporada de Atlanta é um outro grande acerto da FX que não recebe o reconhecimento e a atenção que merece do público (a primeira temporada tem um Globo de Ouro de Melhor Série – Comédia e várias indicações ao Emmy). Tratando de temas como pobreza, racismo, fama, educação pública, amizade, família, suicídio e violência urbana com humor e surrealismos absurdos. O season finale dá uma nova dimensão ao que Earn pode fazer por dinheiro e a série promete trazer maiores conflitos no seu terceiro ano, se for renovada.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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