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Praça Paris | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa nacional!

Praça Paris | Crítica

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Ano: 2017

Direção: Lúcia Murat

Roteiro: Raphael Montes, Lúcia Murat

Elenco: Joana de Verona, Grace Passô, Alex Brasil, Babu Santana, Digão Ribeiro, Marco Antonio Caponi

Realidades sociais são muito exploradas no cinema nacional e, quase sempre, de forma precisa e emocionante. Colocar dois lados de uma mesma moeda, desmembrando o passado de duas personagens completamente diferentes é algo ousado e bem executado em Praça Paris. O longa começa contando uma história que parece simples, mas envolve muito mais do que aparenta.

A trama gira em torno de Glória (Grace Passô), uma mulher negra da favela, que trabalha na UERJ. Ela se consulta com Camila (Joana de Verona), uma psicóloga branca e de origem portuguesa. As suas realidades são expostas e desmembradas no início do filme, com certo dinamismo e um bom ritmo. As formas de divulgar determinada informação são variadas e deixam a produção tensa, mesmo que não hajam tantos motivos para isso.

Lucia Murat merece os méritos de sua boa direção, mesclando planos longos com planos abertos e envolvendo o espectador. A mixagem de som é excelente, colocando sons ambientes como trilha sonora na maior parte do tempo e quando os sons se envolvem as falas dos personagens ficam claras. Passa uma sensação de realismo que é essencial para o tema que está sendo abordado.

As atuações, na maior parte do tempo, são boas, mesmo sem um destaque em especial. Se a direção e o roteiro tivessem mantido a pegada dos dois primeiros atos, mas em especial do primeiro, o longa seria excelente. No segundo ato, a história começa a perder um pouco de força e fica confusa. O espectador começa a não saber qual rumo vai ser tomado. Porém, os principais problemas se encontram no terceiro ato. As justificativas para que personagens centrais façam determinadas ações são extremamente ruins e uma produção que vinha tendo um senso de realidade impressionante, toma caminhos de uma obra hollywoodiana clichê, jogando fora tudo aquilo que foi construído.

As críticas sociais e a demonstração da hipocrisia das pessoas brancas de classe média, tão bem exploradas no primeiro ato, são jogadas no lixo com um desfecho porco e desorganizado. A trama vai para um caminho surreal e completamente inconsistente, quando falamos de roteiro. Parece que uma pessoa começou a escrever e outra terminou. São dois filmes em um só. Um é muito bom e o outro é um desastre.

Praça Paris trata sobre temas extremamente importantes e faz bem no início, mas se perde e entrega um desfecho absurdo para a proposta inicial. Tinha tudo para ser um grande filme nacional, mas termina sendo só mais um longa esquecível.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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