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Somente o Mar Sabe | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa estrelado por Colin Firth!

Somente o Mar Sabe | Crítica

Somente o Mar Sabe (The Mercy)

Ano: 2018

Direção: James Marsh

Roteiro: Scott Z. Burns

Elenco: Colin Firth, Rachel WeiszDavid ThewlisMark Gatiss, Andrew Buchan

O ano era 1968. Donald Crowhurst (Colin Firth), um microempresário sem muito sucesso na vida, decidiu encarar um desafio que estava muito acima do que ele imagina. Acostumado a navegar somente próximo da costa e sem qualquer experiência em águas perigosas, Crowhurst se inscreve em uma competição para dar uma volta ao mundo, sozinho e sem poder parar.

Baseado em uma história real, Somente o Mar Sabe explora com competência a vida do protagonista e sua família, conseguindo entregar uma trama interessante. Se o longa for assistido por um espectador que desconhece o desfecho da jornada de Crowhurst, certamente surpreenderá, por ir por um caminho totalmente diferente do esperado. Não é uma história de azarão.

No longa, conhecemos o protagonista se esforçando para obter sucesso, mas não conseguindo atingir esse resultado. Com facilidade para inventar coisas, Crowhurst acredita que, ao participar da competição, poderá usar sua criatividade para vencer, projetando um barco inovador. No entanto, a prática supera a teoria.

Após colocar a sua casa e a sua empresa como garantias, Crowhurst não pôde voltar atrás, mesmo após constatar que o seu barco não estava pronto para a viagem e que, possivelmente, não passaria pelas perigosas águas antárticas. Era um caminho sem volta. Apesar de inconsequência inicial, o protagonista não poderia decepcionar a sua esposa, Clare (Rachel Weisz), e seus três filhos.

O primeiro ato do longa mostra os bastidores da futura aventura, desde quando Crowhurst decidiu embarcar naquela jornada, até a busca por patrocinadores e apoiadores, ao lado de um bem articulado assessor de imprensa vivido por David Thewlis. Após, atrasos na confecção do barco começaram a demonstrar que aquele desafio não era uma boa ideia e isso já consegue deixar o espectador receoso: como dará certo?

O diretor James Marsh, responsável por A Teoria de Tudo, traz bons elementos para o longa. Crowhurst, ao embarcar na viagem, começa a perder a sua esperança e, quando o diretor trabalha com o som da água batendo no casco, por exemplo, aumenta a sensação de isolamento do personagem. Os enquadramentos, focando em elementos do barco ou no protagonista refletindo, preparam para o desfecho. O roteiro, escrito pelo competente Scott Z. Burns, demonstra uma boa pesquisa do período em que o personagem principal ficou isolado em seu barco.

A narrativa, transitando entre o mar e a casa da família, infelizmente, é o ponto fraco do longa. Não é possível sentir toda aquela falta que um pai faria em meses longe de seu lar. Falta emoção e uma construção mais sólida dessa relação. E o sentimento da separação dessa família seria o grande trunfo dessa história. Como isso não acontece, Colin Firth acaba sendo, de longe, a melhor coisa dessa produção.

O ator tem a sua melhor interpretação em anos, demonstrando com muita competência todo o sofrimento, o desespero e a loucura que o seu personagem requer, em função de ficar isolado no mar por meses. Até mesmo as atitudes inconsequentes de seu Crowhurst conseguem ser amenizadas pelo rosto tão sincero de Firth. Acreditamos que aquilo, realmente, será o melhor para a sua família. No final das contas, Somente o Mar Sabe consegue ser efetivo ao contar uma fascinante e triste história real, mas o bom resultado final, sem dúvidas, se deve, principalmente, pela escolha do seu protagonista.

Nota do crítico:

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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