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7 Dias em Entebbe | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o novo filme de José Padilha!

7 Dias em Entebbe | Crítica

7 Dias em Entebbe (7 Days in Entebbe)Resultado de imagem para 7 dias em entebbe poster

Ano: 2018

Direção: José Padilha

Roteiro: Gregory Burke

Elenco: Daniel Brühl, Rosamund Pike, Eddie Marsan, Lior Ashkenazi, Denis Ménochet, Ben Schnetzer, Nonso Anozie, Peter Sullivan

José Padilha e temas políticos/policiais estão sempre interligados, desde os dois Tropa de Elite, Narcos e a recente série O Mecanismo. As qualidades do diretor são incontestáveis, sempre baseando-se em fatos para compor a sua trama e dar vida aos personagens. O cineasta gosta de tocar em temas delicados e em 7 Dias em Entebbe não foi diferente.

A situação histórica era a seguinte: em 1976, um voo da Air France foi sequestrado por militantes palestinos, juntamente com dois alemães, que lutavam contra Israel. Cerca de 80 israelenses estavam no avião. A intenção era realizar uma negociação com Israel para que militantes palestinos presos fossem libertados. A história se divide em três, focando nos dois alemães dentro do grupo que se autointitulava revolucionário, a política de Israel, com os confrontos de ideias e, a partir da metade do segundo ato, um soldado israelense e sua namorada também começam a ser desenvolvidos.

Essa divisão do foco narrativo é prejudicial ao longa, pois acaba não desenvolvendo bem nenhum personagem. Não nos importamos se eles vão viver ou morrer. Algumas decisões são mal explicadas e apenas jogadas em tela. Padilha tenta em diversos momentos mesclar o artístico com a ação, mas acaba falhando justamente pela falta de desenvolvimento dos personagens, mas também não executa bem as cenas. Aquela câmera móvel muito presente em Tropa de Elite 2 está aqui também, mas ele exagera na câmera lenta, principalmente em momentos decisivos, próximos ao desfecho.

A tensão nunca é bem estabelecida, pois não há um senso de gravidade. Os personagens não são ameaçadores e nem parecem ter certeza do que estão fazendo. Toda a operação não parece ter uma convicção de quem está fazendo. Não conseguimos comprar a luta de nenhum dos lados, não nos identificando com ninguém. O roteiro não é um primor, mas até que funcionaria, se não fosse esse fato já citado. O ritmo é inconstante em todos os atos, por vezes sendo frenético e em outros momentos se arrastando e demorando para entregar o que se espera.

O longa parece que não tem alma e a produção está longe de ser impecável. As atuações também acabam indo nessa onda. Daniel Brühl parece estar no piloto automático e Rosamund Pike está um pouco superior, mas bem abaixo dela mesmo, quando comparamos com outros trabalhos realizados.

Mesmo com diversos problemas, a falta de fidelidade com a realidade pode ser algo que incomode a quem conhece os fatos. Verdades são ocultadas para não queimar a imagem de determinado lado, que é posto como o “correto” nas entrelinhas. O militarismo é exaltado, mas isso é feito com manipulação de informações. Claro que não se trata de uma reportagem e não há a necessidade de ser completamente fiel ao ocorrido, mas quando se muda a história com um objetivo de exaltar alguém, o filme acaba se tornando quase que um panfleto ideológico.

7 Dias em Entebbe tenta fazer algo criativo, com uma boa trilha sonora e uma excelente música tema, mas peca nas questões técnicas e históricas. Se trata de um filme esquecível e, ao contrário do tema que ele retrata, se torna irrelevante. José Padilha está se perdendo no seu próprio território.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 2/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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