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Desventuras em Série – 2ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre a nova temporada da série da Netflix!

Desventuras em Série – 2ª temporada | Crítica

Desventuras em Série – 2ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Barry Sonnenfeld, Mark Hudis 

Elenco: Neil Patrick Harris, Patrick Warburton, Malina Weissman, Louis Hynes, K. Todd Freeman, Presley Smith, Lucy Punch, Avi Lake, Dylan Kingwell

Desventuras em Série irrita por sua natureza procedural; é extremamente repetitiva a rotina dos irmãos Baudelaire de encontrar um novo tutor, serem surpreendidos pelo Conde Olaf (Neil Patrick Harris) disfarçado, nenhum dos adultos acreditar nos irmãos, o tutor morrer e o Conde Olaf ser desmascarado na frente de todos e fugir. A irritabilidade fica ainda maior com o nível de negligência e burrice que tomam os adultos a cerca dos Baudelaire, em especial o insuportável Arthur Poe (K. Todd Freeman), que nunca aprende com os seus erros anteriores.

A natureza repetitiva do projeto comandado por Barry Sonnenfeld se encontra também na sua maior força: o mistério. Toda cortina de fumaça envolvendo a rede de intrigas por trás da morte dos pais Baudelaire e a sociedade secreta para qual trabalhavam é ótima, mas é prejudicada pela insistência da série de enfiar as respostas na face dos protagonistas só para eles perderem as informações instantaneamente. O ponto alto é quando Conde Olaf assiste a uma fita que revela uma informação importantíssima e ele a destrói sem sequer ouvir o resto da mensagem,

Os personagens de Desventuras em Série são inconstantes, para crianças tão inteligentes, os Baudelaire são bem burrinhos; eles caem em iscas tão óbvias que nem parecem os prodígios que saem de todas as enrascadas como o McGyver. O próprio Olaf oscila entre genialidade e idiotice: no mesmo episódio que ele se apresenta com o sobrenome Escola Médica em um hospital (!), ele consegue utilizar perfeitamente um anagrama para esconder o registro de uma vítima (!!). Por fim, os membros da organização secreta que agora conhecemos pela sigla CSC não são dos mais brilhantes, a secretária Jacquelyn (Sara Canning) e o garçom Larry (Patrick Breen) sempre estão dispostos a intervir e ajudar o trio de irmãos, mas em nenhum momento eles tentaram explicar para eles o que acontece, tentando colocar um livro no caminho deles ao invés de entregá-lo em mãos.

Apesar de todos os males, Desventuras em Série é um envolve mistério com certas falhas na execução mas que sabe como prender o espectador. A narração de Lemony Snicket (Patrick Warburton), mesmo que interrompendo a ação algumas vezes, é divertida e insere de maneira irônica termos como red herring, deus ex machina e cliffhanger dentro da narrativa. Snicket também é outro tiro no próprio pé ao sempre lembrar que a história não tem um final feliz e por acabar entregando os momentos em que tudo dá errado ou quando alguém morre.

Com um season finale que acerta ao fugir da rotina estabelecida pelos episódios anteriores e ao trazer novas dimensões ao personagem do Conde Olaf, a série se aproxima do seu temido final (a terceira e possivelmente última temporada deve adaptar os quatro livros restantes da saga), Desventuras é a prova que contar a mesma história várias vezes cansa, e rápido.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 4.3/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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