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Jogador Nº 1 | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o novo filme de Steven Spielberg!

Jogador Nº 1 | Crítica

Jogador Nº 1 (Ready Player One)

Ano: 2018

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Zak PennErnest Cline

Elenco: Tye SheridanOlivia CookeBen MendelsohnLena WaitheT.J. MillerSimon Pegg, Mark Rylance

Steven Spielberg, no alto dos seus 71 anos, está mais moleque do que nunca. O diretor, responsável por criar clássicos juvenis, começando por Tubarão, o pai de todos os blockbusters, consegue, em Jogador Nº 1, reencontrar um cinema divertido, carregado de referências à cultura pop e que dialoga perfeitamente com a sociedade atual.

Spielberg, que poucos meses antes lançou o dramático e tenso The Post: A Guerra Secreta, demonstra todo o seu talento ao transitar entre gêneros, temáticas e maneiras de se fazer um filme. Em Jogador Nº 1, o cineasta nos leva até o ano de 2045, quando o mundo entrou em uma espécie de colapso econômico. A população, que não para de aumentar, encontra no OASIS um uma maneira de escapar da realidade.

Mas, afinal, o que é o OASIS? Criado por James Halliday (Mark Rylance), o OASIS é um mundo digital, onde as pessoas podem se conectar e viverem vidas totalmente diferentes, seja na pele de um ninja, de um samurai, um orc ou, até mesmo, uma Tartaruga Ninja. Não há limites. E é nesse cenário que conhecemos Wade Watts (Tye Sheridan), um jovem órfão que subsiste, ao lado de sua tia, em um complexo de trailers empilhados. Claro, isso é no mundo real. No virtual, ele tem uma importante missão.

Quando viu que sua morte se aproximava, Halliday deixou três chaves/easter eggs dentro de seu jogo. Quem completar os desafios e encontrar os objetos não será apenas o maior jogador de todos, como novo dono do OASIS – uma empresa trilionária. Com o seu avatar Perzival, Wade, que é fissurado pela história de Halliday, não desiste de procurar pelas pistas e, assim, ser o sucessor de seu ídolo. Claro que pessoas poderosas também têm o mesmo objetivo.

E nessa jornada entre o mundo virtual e o real que Spielberg faz a sua mágica. Com uma imersão impressionante, o cineasta consegue criar um deleite visual na tela, além de uma história bem amarrada, intensa e com uma aventura inocente de uma maneira que, mesmo sem percebermos, já estava fazendo falta. É o bem contra o mal. O povo contra o império. A esperança de uma vida melhor contra o lucro cego.

Bem, e as referências? Elas estão lá. E aos montes. Mas o que impressiona é que nada está ali gratuitamente. Spielberg consegue inserir incontáveis personagens e itens da cultura pop, mas para contar a sua história. O cineasta mistura a nostalgia com o novo, se reinventando, mas sem esquecer de tudo aquilo que marcou a cultura pop. E ninguém melhor que o próprio Spielberg, um dos maiores gênios do entretenimento — se não for o maior —, para cuidar bem de todo esse material e conseguir entregar algo brilhantemente bem feito.

Claro, nem tudo é perfeito em Jogador Nº 1. O roteiro, que foi escrito por Zak Penn e Ernest Cline, autor do livro que o filme adapta, acaba sendo um pouco expositivo demais. Além de muita parte com narração, para podermos entender aquela realidade e suas regras, as relações entre alguns personagens incomoda em alguns momentos — seja pela rápida construção ou pelo exagero de momentos que precisam de drama. A cena em que conhecemos a tia de Wade é um exemplo disso.

No entanto, nada estraga a impressionante e deliciosa experiência que Spielberg nos entrega. Ao terminar a sessão, a única certeza que fica é que o filme é presente para todas as gerações. Todos aqueles que amam uma boa e sincera aventura, seja ela no mundo real ou no virtual, vão sair da sala de cinema felizes e esperançosos. Ver um mestre criando aquilo que ele melhor sabe fazer é algo para reverenciar.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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