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O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre a nova temporada da série de Ryan Murphy!

O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story | Crítica

O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story

Ano: 2018

Criadores: Scott Alexander, Larry Karaszewski

Elenco: Édgar Ramírez, Darren Criss, Ricky Martin, Penélope Cruz, Finn Wittrock

Ryan Murphy estabeleceu um padrão de qualidade altíssimo com a estelar primeira temporada de O Povo Contra O.J. Simpson: American Crime Story. Séries antológicas são conhecidas por terem qualidade inconstante ao longo dos anos, por sempre contarem histórias inteiramente novas; isso aconteceu com True Detective, Black Mirror e American Horror Story, também de Murphy. Assim, os primeiros episódios de O Assassinato de Gianni Versace desapontam, demora um pouco para a série acostumar o espectador com um estilo tão diferente do que ela nos acostumou.

O título do novo ano, assim como o material de divulgação, é, de certa forma, enganoso. Tudo leva a crer que os Versace e as consequências do assassinato de Gianni Versace (Édgar Ramirez) são o ponto principal da temporada, mas o foco é a vida do assassino, Andrew Cunanan (Darren Criss). Contada por meio de duas linhas do tempo, uma delas inversa, similar ao feito de Amnésia, a temporada começa com o último dos cincos assassinatos cometidos por Cunanan e vamos voltando no tempo para entender as suas motivações e tudo o que aconteceu na sua vida para alcançar este ponto.

A construção do Andrew Cunanan é fantástica, um dos melhores personagens ambíguos (o termo anti-herói não cabe aqui) a sair da televisão nos últimos anos. Conforme a série volta na sua linha cronológica e entendemos tudo o que aconteceu com o Andrew, todos os traumas que passou, as discriminações que ele e seus amigos sofreram por conta da orientação sexual e como figuras como Gianni Versace são respeitadas apenas por serem ilustres enquanto todos os outros homossexuais sofrem preconceito diariamente. Não justifica os assassinatos, mas explica. Andrew consegue despertar simpatia e revolta com a diferença de uma cena, suas mentiras patológicas e contraditórias são fascinantes; a habilidade dele que convencer qualquer um de qualquer coisa e conseguir se inserir em ambientes frequentados pela alta sociedade sem dificuldades é invejável. A composição do assassino é elevada por uma atuação surpreendente de Darren Criss, que tecnicamente só havia trabalhado em Glee antes – vale ressaltar que seu ex-colega de elenco, Jonathan Groff, também interpretou um excelente sociopata em Mindhunter.

Contar a história de trás pra frente nem sempre é uma decisão acertada. Primeiro, vemos duas das vítimas de Andrew sendo assassinadas para depois conhecermos os personagens e nos importarmos com eles, eliminando um maior impacto das suas mortes. O núcleo dos Versace parece que só existe para vender a série, porque ela mesma se esquece da existência dele.  Se a primeira temporada trouxe Cuba Gooding Jr. de volta do esquecimento, agora a Penélope Cruz volta a fazer um papel relevante, depois de alguns anos sumida, interpretando Donatella Versace. Mesmo com pouco tempo de tela, ela dá um show à parte em toda cena. Édgar Ramirez também está ótimo como Gianni e Ricky Martin pouco pode fazer como Antonio D’Amico. Elogiar o elenco nas séries do Ryan Murphy é redundância, todas apresentam atuações excepcionais.

Apesar do arco dos Versace não interessar na maior parte do tempo, ele funciona quando oferece comparação da situação do Gianni com outros gays. A cena da entrevista a qual ele saiu do armário com o seu namoro e a entrevista em que o oficial da Marinha Jeff Trail (Finn Wittrock, melhor do que nunca), sem revelar a sua identidade por medo de represália de seus colegas ao falar de como é ser homossexual na Marinha é deprimente. A segunda temporada oferece vários socos no estômago e consegue entregar críticas sociais relevantes. É espantoso ver como as coisas mudaram pouco em 20 anos. O melhor exemplo disso é a polícia não fazer nada enquanto Andrew Cunanan matava outros gays menos ilustres e só apenas quando ele assassinou um Versace, alguém famoso, todos os agentes do FBI e da SWAT foram colocados atrás dele. “Vocês já se sentiam enojados por ele antes mesmo dele se tornar nojento”, diz um amigo de Andrew, durante um interrogatório.

A direção de qualidade é outro ponto forte. O padrão de qualidade Ryan Murphy raramente desaponta e ele continua a criar séries excelentes e é um dos responsáveis pela era de ouro televisiva ser tão excepcional. Resta aguardar pela próxima temporada, que cobrirá o escândalo sexual do ex-Presidente Bill Clinton com a sua estagiária Monica Lewinsky; Dennis Quaid será o ressuscitado da vez interpretado o rival de Clinton, George W. Bush. É uma pena que Murphy esteja saindo da FX para ir para a Netflix, a emissora deve os últimos oito anos de excelentes séries ao seu inegável talento.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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