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Círculo de Fogo: A Revolta | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o longa estrelado por John Boyega!

Círculo de Fogo: A Revolta | Crítica

Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising)

Ano: 2018

Direção: Steven S. DeKnight

Roteiro: Steven S. DeKnight, Emily Carmichael, Kira Snyder, T.S. Nowlin

Elenco: John Boyega, Scott Eastwood, Cailee Spaeny, Burn Gorman, Charlie Day, Rinko Kikuchi, Tian Jing, Ivanna Sakhno. 

Robôs gigantes controlados por humanos enfrentando monstros que querem destruir o planeta Terra. Não tem surpresa. Se esta premissa não enche seu coração de empolgação para correr para a sala de cinema, provavelmente este filme não seja para você. No entanto, se a ideia lhe parece bacana, não esqueça do balde de pipoca e um copo enorme de refrigerante. Círculo de Fogo: A Revolta praticamente exige isso do seu público.

A história do filme se passa dez anos após a conclusão de seu antecessor. Terminada a primeira guerra entre os Kaijus (os monstros) e os Jaegers (os robôs), diversos países ainda estão se recuperando dos estragos monumentais provocados pelos ataques e violentos confrontos. Desde então, a fenda por onde os Kaijus passavam está fechada, e não houve mais nenhuma invasão. Cidades litorâneas devastadas exibem esqueletos gigantes entre os escombros. Muitas pessoas aproveitam-se da situação roubando peças dos antigos Jaegers para construir os seus próprios robôs, ou vender para quem planeja fazer isso.

É o caso de Jake Pentecost (John Boyega), filho do herói da primeira guerra contra os Kaijus, Stacker Pentecost, que não demonstra ter herdado o idealismo do seu pai. Ao invadir uma base militar para roubar peças dos Jaegers, Jake se depara com a jovem Amara Namani (Cailee Spaeny), que construiu um pequeno robô no qual consegue pilotar sozinha, sem o auxílio de um co-piloto como é necessário nos grandes Jaegers. Os dois são presos juntos ao tentar escapar da polícia e, para ser tirado da prisão, Jake aceita ser reintegrado aos Rangers e lá treinar Amara para o caso dos Kaijus retornarem um dia, o que obviamente acontece.

O ideal seria que toda a história terminasse nesse momento e a pancadaria tomasse conta da tela até o final. Afinal de contas, os únicos pontos positivos do filme estão justamente relacionados às fantásticas cenas de ação. O formato humanoide dos Jaegers é muito bem utilizado em suas coreografias de luta, fazendo com que a resposta deles aos comandos dos humanos que os operam em conjunto seja bem compreensível e clara para o espectador. Além do belo visual, os nomes dos Jaegers são fantásticos, e dão um ar heroico, que aparece em manifestações de admiração como se fossem uma espécie de deuses. Os monstros, sem nenhuma característica que possa gerar empatia, são os alvos perfeitos para serem exterminados. Ninguém vai sofrer pela morte de um Kaiju, porque não há nada do que ter pena e nem com o que se identificar.

O problema do roteiro é que o que sentimos pelos monstros acaba acontecendo também com os humanos. Com histórias tão rasas, conflitos tão superficiais e diálogos tão inexpressivos, pouco nos importamos com o destino deles. Se morrerem em combate, ok. Se sobreviverem, tanto faz. Principalmente o grupo de jovens cadetes que em um dia estão apanhando em um simulador e, no dia seguinte, estão combatendo monstros quase como guerreiros experientes. Não lembramos os nomes deles, nem entendemos suas motivações para alguns comportamentos estúpidos, e nem ligamos para o destino de qualquer um deles. Simplesmente porque são personagens absolutamente genéricos. Isso se estende também a personagens com mais tempo de tela e mais importantes para a trama, como Nate Lambert (Scott Eastwood) ou o Dr. Newton Geiszler (Charlie Day). Este segundo tem participação em uma das ideias mais criativas da trama, mas sua atuação caricata estraga muito do que seu personagem poderia entregar, e boa parte da ideia se perde e desaparece sem maiores explicações.

Sendo assim, Círculo de Fogo: A Revolta se mostra um filme de ação genérico, que se fosse reduzido unicamente aos confrontos seria um grande ganho. O que é uma pena, mas é previsível quando se vê o currículo do diretor e seus roteiristas (vários roteiristas, algo que é sempre muito arriscado), nos quais não se encontra nenhum projeto que dê qualquer indício de que poderíamos esperar um trabalho de qualidade, muito pelo contrário, com uma pequena exceção a T.S. Nowlin pela franquia Maze Runner. Mas, por incrível que pareça, o final do filme deixa no ar uma boa possibilidade para uma continuação. Quem sabe nas mãos certas, como foi com Guillermo Del Toro, a franquia possa se reerguer?

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 1/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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