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Especial | 11 diretores que estrearam fazendo grandes filmes

Alguns cineastas já estreiam com o pé direito!

Especial | 11 diretores que estrearam fazendo grandes filmes

Obviamente, todo diretor de cinema tem que começar com algum filme, certo? Temos grandes cineastas que estrearam com longas, digamos, duvidosos, como James Cameron debutando na direção com Piranhas 2: Assassinas Voadoras, por exemplo.

No entanto, alguns realizadores começam com o pé direito, entregando, já na estreia, excelentes filmes. E é deles que vamos falar agora, na primeira parte do nosso especial.

Confira:


  • Sam Mendes – Beleza Americana (1999), por André Bozzetti

Kevin Spacey e Sam Mendes

O nome de Sam Mendes é muito lembrado atualmente em função dos filmes da franquia 007 que dirigiu: o ótimo 007: Operação Skyfall (2012) e o bom 007 Contra Spectre (2015). No entanto, desde sua estreia na direção, seu trabalho já mereceu destaque. Beleza Americana, lançado em 1999, recebeu oito indicações ao Oscar e conquistou 5 importantes estatuetas, entre elas as de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator, para o agora execrado Kevin Spacey. Isso tudo em um ano de concorrentes fortíssimos aos prêmios da Academia, como Meninos não Choram, Magnolia, À Espera de Um Milagre, Quero Ser John Malkovich, O Talentoso Ripley, Matrix, Clube da Luta, O Sexto Sentido e O Informante. No filme, Spacey interpreta Lester Burnham, um homem em plena crise de meia idade que, com o casamento afundado na rotina, fica obcecado por uma amiga de sua filha adolescente. Filha esta que o odeia, diga-se de passagem. O filme conta com uma fotografia fantástica e a direção de Mendes é impecável, com alguns momentos sublimes. Uma estreia invejável, sem dúvida alguma.


  • Danny Boyle – Cova Rasa (1994), por André Bozzetti

Danny Boyle

Em 1996, Danny Boyle dirigiu o alucinante e fantástico Trainspotting: Sem Limites, que ainda é cultuado nos dias de hoje, mais de 20 anos após o seu lançamento. Este é provavelmente o trabalho mais reconhecido do diretor, que possui outras obras sensacionais como A Praia Extermínio, Caiu do Céu, Sunshine: Alerta Solar, Quem Quer Ser um Milionário? e 127 Horas. Seu longa de estreia é um pouco menos conhecido, mas mostrou características muito promissoras. Cova Rasa conta a história de três jovens que dividem um flat e, após uma criteriosa seleção para aceitar um novo morador, conseguem finalmente um bom candidato. No entanto, o novo inquilino aparece morto, e entre suas coisas, os jovens encontram uma mala com uma enorme quantia em dinheiro. A partir daí, a vida deles e o relacionamento entre os três mudam completamente. Contando com um ritmo excelente, ótimo timing cômico e uma dose excelente de tensão e suspense, Cova Rasa é um filme que envelheceu muito bem. Vale a pena conferir!


  • Ryan Coogler – Fruitvale Station (2013), por Diego Francisco

Ryan Coogler e Michael B. Jordan

Antes de revitalizar a franquia Rocky com o excelente Creed e fazer um dos melhores filmes do MCU com Pantera Negra, Coogler estreou com Fruitvale Station: A Última Parada. Com um orçamento modesto de US$ 900 mil e mantendo a câmera sempre a mão para criar uma estética documental, o longa baseado em uma história real acompanha um dia da vida de Oscar Grant (Michael B. Jordan, que trabalhou em todos os projetos do diretor). Recém-saído da cadeia, Oscar tenta ganhar a vida de forma honesta para sustentar a sua namorada e sua filha pequena. Criando uma importante mensagem sobre brutalidade policial em seu clímax emocional, Fruitvale Station já demonstra a habilidade de Coogler dirigindo cenas urbanas e protagonistas carismáticos.


  • Neill Blomkamp – Distrito 9 (2009), por Diego Francisco

Neill Blomkamp e Sharlto Copley

Elysium e Chappie, apesar de não serem necessariamente ruins, não chegaram nem perto da estreia de Neill Blomkamp na direção, Distrito 9. Criando paralelos fortíssimos com a história real do Distrito 6 da África do Sul, o longa com estética documental mostra o país invadido por alienígenas não hostis. Esse aliens, conhecidos como “camarões”, estão com a nave quebrada e passaram a viver nas favelas do lugar que ficou conhecido como Distrito 9, onde são marginalizados, prostituídos e vítimas de preconceitos dos moradores da região. O filme tem todas as características que Blomkamp usou em todas suas produções até aqui: crítica social atual e relevante, violência extrema, ambientação na África do Sul e a presença do ótimo Sharlto Copley. É uma pena enorme que Blomkamp não tenha conseguido dirigir seu filme da franquia Alien e salvá-la das mãos de Ridley Scott.


  • David Lynch – Eraserhead (1977)

David Lynch e Jack Nance

David Lynch “apenas” criou uma linguagem com um estilo próprio dentro do cinema. Seus filmes são inconfundíveis, com todo o surrealismo necessário para distribuir críticas extremamente necessárias. E o primeiro longa do gênio é um dos mais pirados de sua carreira. Eraserhead conta a história de Henry Spencer, responsável por criar seu filho deformado, contando com sonhos perturbadores e alucinações. A trama fica cada vez mais louca, com o bizarro imperando em praticamente todo o tempo. É um filme difícil de assistir, pois, além de ser completamente surtado, é forte e muito expositivo. Lynch não poupa o espectador ao mostrar tudo o que ele quer, incluindo coisas bem nojentas. Mas tudo serve a um propósito, nada é bizarro só por ser, só para chocar. É isso que torna essa obra tão espetacular e, possibilitou que o diretor se estabelecesse como um dos maiores de sua geração.


  • Orson Welles – Cidadão Kane (1941), por Rafael Bernardes

Orson Welles

Logo aos vinte anos, Orson Welles já encantava os Estados Unidos com A Guerra dos Mundos, obra radiofônica que entrou para a história. O homem é considerado como um dos artistas mais versáteis da história, por produzir trabalhos memoráveis no rádio, no teatro e no cinema. O primeiro longa do diretor foi justamente a sua obra-prima, Cidadão Kane. Considerado por muitos especialistas como o melhor filme já feito, o longa conta a história de Charles Foster Kane, um magnata da imprensa. A produção revolucionou a forma de se fazer cinema, sendo impecável tecnicamente. As simbologias e alegorias contidas em uma trama que deveria ser relativamente simples, mostram o quão genial era Welles. Estrear no cinema realizando um dos melhores filmes de todos os tempos não é pra qualquer um.


  • Jordan Peele – Corra! (2017), por Carlos Redel

Jordan Peele

 

Jordan Peele, depois de se consolidar na comédia, decidiu se arriscar no roteiro e na direção de seu primeiro longa-metragem. E, sabe, ele não poderia ter começado de maneira melhor. Corra! é um terror que aborda o racismo, com uma tensão primorosa e, ainda, consegue ter pontos de comicidade. A história, escrita brilhantemente por Peele — que até lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original —, consegue fazer ótimas críticas e coloca diversas referências à sofrida história dos negros nos Estados Unidos, mostrando que o racismo, infelizmente, transcende épocas. Um dos melhores filmes de 2017 e que, surpreendentemente, consegue ficar melhor a cada revisão.


  • Martin McDonagh – Na Mira do Chefe (2008), por Carlos Redel

Martin McDonagh, Colin Farrell e Brendan Gleeson

Martin McDonagh que, em 2017, entregou um dos filmes mais elogiados do ano, o Três Anúncios Para um Crime, fez a sua estreia na direção em 2008, com Na Mira do Chefe. A comédia britânica de humor negro, que também foi escrita por McDonagh, acompanha dois assassinos que, depois de um trabalho dar errado, são enviados para Bruges, uma tranquila cidadezinha na Bélgica, para esfriarem a cabeça. Tudo vai bem, até que um dos matadores recebe a missão de eliminar o seu companheiro, que cometeu um erro. A partir daí, uma série de divertidas situações são colocadas na tela, mesclando comédia, ação e até drama. O longa, indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, é um excelente trabalho e, infelizmente, pouco reconhecido.


  • Leandra Leal – Divinas Divas (2017), por André Bozzetti

Leandra Leal e elenco do documentário de Divinas Divas

Leandra Leal é muito reconhecida por seu trabalho como atriz, pelo qual já foi diversas vezes premiada, tanto por performances na TV quanto no cinema. Na tela grande, destacam-se suas atuações no fantástico O Lobo Atrás da Porta (2013) e no grande sucesso Bingo: O Rei das Manhãs (2017). Sua estreia na direção foi com o documentário Divinas Divas, que trata da primeira geração de travestis artistas do Brasil, que brilhava nos teatros do Rio de Janeiro e também mundo afora. O filme acompanha o reencontro destas artistas para a realização do espetáculo que dá nome ao documentário. A sensibilidade de Leandra ao unir sua história pessoal às emocionantes histórias contadas pelas estrelas do espetáculo faz de Divinas Divas um documentário leve, tocante e encantador.


  • Quentin Tarantino – Cães de Aluguel (1992), por João Vitor Hudson

Harvey Keitel e Quentin Tarantino

Depois de anos de trabalho em uma locadora e paixão pelo cinema, Quentin Tarantino decidiu que tava na hora de investir na sua carreira de cineasta. Seu primeiro longa-metragem figura até hoje como uma das melhores estreias de diretores da história. Cães de Aluguel retrata o antes e o depois de um mal-sucedido roubo de diamantes praticado por seis homens que chamam a si mesmo por nomes de cores e não se conhecem. Era a primeira incursão de Tarantino como diretor de longas e ali ele já deixava sua assinatura: violência estilizada, diálogos muito bem escritos que trazem pouca relevância para a trama, humor negro e uma trilha sonora eclética. Cães de Aluguel obteve praticamente nenhum sucesso à época de seu lançamento, mas a fama do filme seguinte do diretor, Pulp Fiction, garantiu a ele um status cult e se tornou um clássico do cinema independente.


  • Sam Raimi – A Morte do Demônio (1981), por João Vitor Hudson

Bruce Campbell e Sam Raimi

Sam Raimi é um diretor bastante conhecido. Antes de trabalhar na trilogia Homem-Aranha, ele já possuía um nome importante na indústria do cinema graças a uma franquia de terror estrelada por Bruce Campbell. Sua estreia na direção foi justamente com o primeiro filme dessa franquia, A Morte do Demônio. O filme conta a história de um grupo de amigos que decide passar um fim de semana em uma cabana no meio do nada, e de repente encontram um livro feito de pele que liberta demônios cruéis pelo lugar. A Morte do Demônio não foi um sucesso logo de cara e sua produção trouxe desconforto para o elenco e a equipe, mas ganhou um status de culto com o tempo. Uma importante franquia surgiu a partir do longa, gerando outros três filmes, videogames, histórias em quadrinhos e a série de TV Ash vs. Evil Dead, ainda em exibição. Curiosidade: um nome que foi importante para este filme é o de Stephen King, que garantiu sua distribuição após tecer elogios sobre ele.


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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