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Dívida Perigosa | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa protagonizado por Jarde Leto!

Dívida Perigosa | Crítica

Dívida Perigosa (The Outsider)

Ano: 2018

Direção: Martin Zandvliet

Roteiro: Andrew Baldwin

Elenco: Jared LetoTadanobu AsanoKippei ShînaShioli KutsunaEmile Hirsch

Em 2013, Jared Leto voltou com tudo aos cinemas, com Clube de Compras Dallas — filme que lhe rendeu um Oscar. De lá para cá, o ator e cantor participou de mais três projetos: Esquadrão Suicida, com uma tenebrosa versão do Coringa; Blade Runner 2049, dando vida ao interessante Niander Wallace; e Dívida Perigosa, interpretando um misterioso Nick Lowell.

E, bem, como você deve ter sacado, vamos falar sobre este último. Dívida Perigosa, projeto original da Netflix, teria como diretor Takashii Miike, de 13 Assassinos, e Tom Hardy viveria o protagonista. E isso seria bem interessante, vale ressaltar. Mas, obviamente, a dupla pulou fora da produção, que acabou caindo para o pouco expressivo Martin Zandvliet, responsável por Terra de Minas, filme indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e, claro, Jared Leto, que além de protagonizar, produz o longa.

Na trama, Nick Lowell (Leto) é um ex-soldado norte-americano que acaba sendo preso em uma cadeia japonesa, nos anos 1950. Lá, ele acaba conhecendo Kiyoshi (Tadanobu Asano), um importante membro da Yakuza, e, logo em seguida, ajuda o seu novo amigo a fugir da cadeia — de uma maneira não muito convincente, diga-se de passagem. Assim, Nick também consegue a sua liberdade, mas não deixa de ter uma dívida com a máfia. E, claro, não demora para surgir um interesse romântico que pode colocar tudo em risco.

O longa é extremamente eficiente na reprodução do Japão dos anos 1950, criando toda a ambientação misteriosa necessária, que aguça a curiosidade e faz com que o espectador queira imergir ainda mais naquele lugar. Ponto para a direção de arte e para a fotografia. No entanto, a direção e o roteiro não se saíram tão bem.

Desenvolvida por Andrew Baldwin, a história, mesmo que tenha ambição de ser mais lenta, não funciona de maneira convincente. Faltam lacunas que não são preenchidas — não é que ele seja difícil de entender, longe disso, mas parece que falta alguma coisa entre as transições. Essa pouca profundidade dada aos personagens, que seria o ponto principal em uma trama mais arrastada, prejudica a conexão com o filme.

A direção de Zandvliet oscila. Há momentos interessantes, como alguns planos-sequência que acompanham os personagens, até ótimas tomadas noturnas pegando a essência nipônica da época. Em outras partes, no entanto, parece que o cineasta esquece de conceitos básicos, como continuidade e ritmo, enfraquecendo o resultado final.

Bem, ainda há a interpretação de Leto. E ela é interessante e monossilábica. Provavelmente, deve ser um dos seus papéis com menos diálogos — disputando de perto com Matt Damon, em Jason Bourne, o troféu de protagonista com menor número de falas. O seu Nick, estranho e robótico, certamente foi escolhido com atenção pelo ator, que busca desafios. No entanto, o que foi entregue pode ser decepcionante. As motivações do personagem, o seu modus operandi e sua frieza acabam não sendo tão eficientes assim para a trama.

No final das contas, Dívida Perigosa é mais um produto facilmente esquecível da Netflix, que não traz nada de novidade para o gênero e, como se não bastasse, não cria uma ligação satisfatória com o espectador. Uma pena, pois o projeto tinha tudo para ser, no mínimo, interessante. Não são duas horas completamente perdidas, mas elas poderiam ser empregadas em algo melhor.

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 2.5/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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