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Aniquilação | Crítica

Leia a opinião de Diego Francisco sobre a nova ficção científica do diretor de Ex_Machina!

Aniquilação | Crítica

Aniquilação (Annihilation)

Ano: 2018

Direção: Alex Garland 

Roteiro: Alex Garland 

Elenco: Natalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez, Tessa Thompson, Tuva Novotny, Benedict Wong, Oscar Isaac

Existe toda uma novela nos bastidores de Aniquilação. A Paramount estava ansiosa para trabalhar com Alex Garland depois do aclamado Ex_Machina, o que durou até a exibição-teste. O público saiu insatisfeito da sessão por não ter entendido o filme. O estúdio queria fazer refilmagens para simplificar a trama, diretor e produtores se recusaram a fazer alterações no material já finalizado. A Paramount, por sua vez, boicotou a distribuição internacional do longa, que só estreou nos cinemas dos Estados Unidos e na China. Em todos os outros países, a distribuição foi feita pela Netflix, três semanas depois da estreia. E essa jogada enfureceu Garland, que desenvolveu o filme para ser visto no cinema.

Aniquilação acompanha Lena (Natalie Portman), uma bióloga com histórico militar que parte em uma missão para o Brilho, última expedição do seu marido, Kane (Oscar Isaac), antes de desaparecer. O tal Brilho trata-se de um campo eletromagnético em expansão de origem desconhecida, que tomou um território pouco habitado dos Estados Unidos e o governo se preocupa com a natureza do fenômeno e as implicações que ele pode causar. Depois de mandar alguns grupos de reconhecimento militar sem retorno, uma nova equipe, composta por Lena, a paramédica Anya Thorensen (Gina Rodriguez), a física Josie Radek (Tessa Thompson), a geóloga Cass Shepard (Tuva Novotny) e liderado pela psicóloga Ventress (Jennifer Jason Leigh), é enviada.

Dentro do perímetro da expansão eletromagnética, a noção de tempo é rapidamente perdida e estranhas mutações acontecem com a fauna e flora locais, o que também surte efeitos negativos nas mulheres enviadas na missão. Se com o orçamento modesto de Ex_Machina Alex Garland já tinha tecido um belo e envolvente thriller, os US$ 55 milhões investidos neste filme se convertem na tela com visuais exóticos e estonteantes. As plantas e animais mutados despertam não só estranheza e pavor, mas uma atraente beleza. Até mesmo as cenas mais básicas, com dois personagens conversando, são bem dirigidas e apresentadas com um clima inquietante de tensão.

Baseado no livro homônimo escrito por Jeff VanderMeer, o roteiro adaptado por Garland é lento, mas não menos efetivo. O mistério envolvendo  o Brilho é bem construído e conforme vamos nos familiarizando com o que realmente está acontecendo com o ambiente, o filme continua jogando mais surpresas para manter o espectador com a atenção não dividida. Aniquilação não suaviza suas cenas mais intensas e não hesita em compor as sequências mais desconcertantes e bizarras do cinema na memória recente; a cena do ataque do urso e o clímax precederão o longa por anos.

É uma tarefa quase impossível não comparar o filme com A Chegada, pois existem similaridades demais para serem ignoradas, desde a figura do marido ausente em frequentes flashbacks até a trilha sonora que entra embaixo da pele. Mas enquanto o final de A Chegada é conclusivo e hermeticamente fechado, Aniquilação é difícil de digerir, deixa muito para a interpretação e, de fato, não é para todo mundo; o que explica as reações negativas na sua exibição-teste.

No entanto, o filme não está livre de falhas. Tirando a protagonista, interpretada com excelência por Portman, nenhum outro personagem é propriamente desenvolvido e a maior parte das informações pessoais deles saem cuspidas em diálogos expositores. O ritmo nem  sempre convence, bem como as reações das protagonistas, que dificilmente mudam de expressões quando testemunham algo fora do comum, o que pode ser explicado pela influência que a Área X está exercendo sobre elas, justamente a maior força e problema do filme. Muito é deixado para interpretação, sendo poucas as coisas realmente concretas da projeção.

Com um final que pode não agradar a todos, mas que faz jus a tudo o que havia sido construído até então, Aniquilação entra no patamar das melhores sci-fi da década e só o tempo dirá como o filme vai envelhecer na concepção do público. Alex Garland se junta ao talentoso Denis Villeneuve como um dos nomes mais promissores a dirigir ficções científicas que não só são um festim visual, mas provocam o pensamento até muito tempo depois dos créditos acabarem.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 7    Média: 4.7/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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