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Maria Madalena | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o filme estrelado por Rooney Mara e Joaquin Phoenix!

Maria Madalena | Crítica

Maria Madalena (Mary Magdalene)

Ano: 2018

Direção: Garth Davis

Roteiro: Helen EdmundsonPhilippa Goslett

Elenco: Rooney MaraJoaquin PhoenixChiwetel EjioforTahar Rahim, Ariane LabedDenis Ménochet

A história de Jesus Cristo já foi contada diversas vezes no cinema. Seja em produções conservadoras, polêmicas ou que tenham o Padre Marcelo Rossi no elenco, já vimos a jornada do filho de Deus algumas dezenas de vezes. Agora, chegou a vez de levar a visão de Maria Madalena às telas de cinema, desmistificando a imagem da fascinante apóstola.

A intenção é, sim, muito boa: desmanchar a história errônea de Maria Madalena e apresentar o verdadeiro lugar da mulher entre os nomes mais importantes da jornada de Jesus Cristo. A figura, misteriosa e curiosa, já foi chamada de prostituta – o que, na visão dos conservadores, é um grave pecado – e até de mãe dos filhos do Messias. Tudo isso para sujar a importância de apóstola.

Ok, vamos lá, não sou um conhecedor da Bíblia e nem da história de Jesus Cristo e seus seguidores. Apesar de achar muito interessante a jornada do homem que, entre misticismos e crenças, foi, inegavelmente, um grande líder e símbolo de esperança. E, independentemente de se ter ou não religião, crer ou descrer, é fato que essa é a maior história já contada.

Sendo assim, quando anunciada uma versão sob um olhar feminista – apesar de ser dirigida por um homem, Garth Davis, de Lion: Uma Jornada Para Casa –, o interesse pela mítica figura de Maria Madalena só aumentou. Sim, a personagem, que é vivida por Rooney Mara, quebra paradigmas ao não aceitar o seu destino de submissão. No entanto, a obra está aquém daquilo que se espera.

Com uma câmera que, na maioria das vezes, é contemplativa, Davis foca muito nas reações dos seus personagens, com diversos close-ups e diálogos explicativos – em excesso, quase sempre. O primeiro ato do longa é, sim, muito interessante, mostrando a vida de Maria em Magdala, suas vocações e inquietações. Ali, o longa consegue fisgar o espectador e, realmente, passa a entregar o que se espera da figura da única apóstola de Jesus Cristo, vivido aqui por Joaquin Phoenix. Mas isso não dura.

Logo no segundo ato, a importância de Maria Madalena começa a ser diminuída e, infelizmente, o filme começar a perder força, dissolvendo-se em conversas expositivas sobre a importância da mulher, mas com pouca demonstração daquilo que é dito. No longa, fica mais do que claro que a personagem de Mara é a mais fiel e, provavelmente, a preferida de Jesus, mas a obra freia por aí, sem querer mostrar uma relação, digamos, mais carnal entre os dois – como em A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, por exemplo.

Com um ritmo arrastado, o longa foca, quase que totalmente, nos diálogos e no talento de seu elenco. Rooney Mara, como de costume, está muito bem em cena, entregando uma interpretação realmente inspirada, dando profundidade, emoção e esclarecimento à sua personagem.

Joaquin Phoenix, na pele de Jesus Cristo, consegue transitar muito bem pela jornada do filho de Deus, desde sua empreitada como pregador, passando pelo confronto com os vendilhões do Templo de Jerusalém, até chegar em seu momento de tortura, crucificação e ressurreição – tudo isso com uma atuação metódica, mostrando uma nova faceta do personagem, com um tom de voz arrastado e pleno, apesar de firme. O único problema, realmente, é a diferença de idade entre o personagem e o ator, que gira em torno de 10 anos. E isso transparece na tela.

Pedro, vivido por Chiwetel Ejiofor, e Judas, interpretado por Tahar Rahim, completam o quarteto principal do longa. Ambos com fortes atuações, não deixando nada a desejar para os dois protagonistas da história. Realmente, o grupo estava disposto a entregar interpretações marcantes. E é uma pena que isso não tenha sido o bastante para salvar o projeto.

No final das contas, Maria Madalena cai na mesmice de diversas outras obras piegas da história de Jesus Cristo, sem ter um desfecho impactante ou tentar se sobressair com o potencial que sua história oferece. Parece que todo o diferencial que tinha ficou no primeiro ato e, depois disso, a única sensação que oferece ao espectador é o desespero para se manter acordado.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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