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Especial | 10 vilões que estavam certos

Algumas vezes, as motivações dos vilões são melhores que as dos heróis!

Especial | 10 vilões que estavam certos

Vilões são maus, mocinhos são bons. Quase todas as histórias contadas são simples assim, tudo preto e branco. Mas alguns enredos são mais complicados. Os melhores antagonistas são aqueles que apresentam complexidade, motivações convincentes e, algumas vezes, objetivos nobres. Levando em conta o sucesso de Pantera Negra, o mais recente exemplo de um filme em que o vilão tinha a razão, a equipe do Bode na Sala separou dez antagonistas que estavam certos, mas usavam maneiras controversas para atingir seus objetivos, afinal, os fins justificam os meios.

Ah, esse post pode conter alguns spoilers…


  • Roy Batty – Blade Runner: O Caçador de Andróides (1982), por Carlos Redel

Roy Batty (Rutger Hauer) é, provavelmente, um dos vilões mais icônicos do cinema, principalmente pelo seu inesquecível monólogo final: “Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva”. O personagem, que é líder dos replicantes rebeldes, busca nada mais que a sua sobrevivência e a de seus iguais, uma vez que sua “espécie” tem um prazo de validade – e o deles está acabando. Cabe ao “herói” da história, Rick Deckard (Harrison Ford), caçar esses replicantes rebelados e dar fim às suas vidas. Pois é, parece meio horrível isso. E, por incrível que parece, a cada revisão do longa, entende-se melhor as motivações de Roy, o que faz com que o personagem cresça ainda mais e suas últimas falas sejam ainda mais impactantes. Maravilhoso!


  • Dr. Leo Marvin – Nosso Querido Bob (1991), por André Bozzetti

O Dr. Leo Marvin (Richard Dreyfuss) estava vivendo muito bem sua vida, quando um colega seu repassa para ele um paciente, bem na véspera do início de suas férias. O paciente, Bob Wiley (Bill Murray), é um pesadelo. Extremamente maniático, dependente e obsessivo, persegue seu novo psiquiatra nas férias, invade sua casa, interfere no dia a dia de sua família e estraga o momento mais importante da carreira de Leo, a entrevista ao vivo para o Bom Dia, América. O Dr. Leo Marvin, até ficar completamente maluco por culpa de Bob, havia agido da maneira mais correta e compreensiva possível com seu novo paciente: o recebeu, atendeu, buscou uma solução para o problema manifestado na primeira consulta, deixou o contato de outro psiquiatra para atendê-lo em alguma emergência que ocorresse durante as férias, etc. Mesmo com as primeiras atitudes absurdas de Bob, Leo fez de tudo para manter a relação médico-paciente dentro dos limites éticos, mas Bob não deu chance. Tudo que o Dr. Marvin faz e que o torna o ‘vilão’ do filme é plenamente justificável ou, pelo menos, compreensível.


  • Chip Douglas – O Pentelho (1996), por Carlos Redel

Como podemos chamar de vilão alguém que só quer um amigo? Ok, é verdade que Chip Douglas (Jim Carrey) é um pouco – extremamente – exagerado com essa necessidade de ter um BFF. Na trama, Steven (Matthew Broderick), logo após se separar de sua namorada, vai morar sozinho e chama um instalador de TV a cabo, o Chip. Logo após um gesto de bondade de Steven, o personagem de Carrey se encanta com a possibilidade de ter nesse cliente um amigo. Logo, o rapaz começa uma desesperadora tentativa de conquistar Steven, que o ignora, pelo seu jeito um tanto quanto grudento. No final do filme, acabamos sentindo pena de Chip, por sua motivação que, apesar de exagerada, não passa de uma necessidade básica do ser humano: ter um amigo.


  • Mestre dos Fantoches – Ghost in the Shell: O Fantasma do Futuro (1995), por João Vitor Hudson

Este é mais um vilão de um clássico da ficção científica cyberpunk, um subgênero que é um prato cheio para antagonistas com objetivos plausíveis. No mundo de Ghost in the Shell, todo mundo tem um neurochip, um chip que se conecta com as fibras neurais do nosso cérebro, permitindo uma maior velocidade de transmissão de internet. O Mestre dos Fantoches (também conhecido como Mestre das Marionetes) é um vilão único, sem uma forma física exata, que hackeia os cérebros cibernéticos de pessoas comuns e inteligências artificiais menores e passa a controla-las para que cumpram pequenas etapas de seu misterioso plano, sem a noção de que estão sendo controladas por um vírus. O maior desejo do hacker, ao fim, é se fundir à Major Motoko, a agente mais letal da Seção 9, e criar uma nova forma de vida, mais avançada que a humana e que a inteligência artificial, na intenção de não ter que obedecer mais as limitações da consciência, e ser praticamente um forma de vida divina. Este clássico da animação japonesa e da ficção científica influenciou diversas obras no cinema, como a citada a seguir.


  • Agente Smith / Máquinas – Matrix (1999), por André Bozzetti

O Agente Smith, personagem eternizado por Hugo Weaving, traz bons argumentos para percebermos que as máquinas não são tão más quanto podem parecer. Ok, não podemos dizer que seus propósitos eram exatamente altruístas, mas elas perceberam que a raça humana estava destruindo o planeta e, sendo assim, salvaram o mundo do holocausto provocado pela nossa espécie. Não só isso: ainda tiveram a preocupação de tentar criar um programa que nos fizesse acreditar que vivíamos em mundo perfeito, sem sofrimento. A raça humana não quer isso. Quer provocar dor e destruição. Pois bem, as máquinas nos deram uma chance e não aproveitamos. Existem algumas milhões de espécies no planeta Terra e apenas uma delas coloca em risco todas as outras. Se não soubéssemos que estamos falando de nós mesmos, não pensaríamos que é um inimigo que merece ser eliminado?


  • Tyler Durden – Clube da Luta (1999), por Diego Francisco

O protagonista sem nome de Clube da Luta (Edward Norton) vivia uma vida normal, trabalhava num emprego que odeia, mas que permitia mobiliar seu apartamento com inúmeras peças caras das quais não precisava. Foi só depois de perder tudo e conhecer Tyler Durden (Brad Pitt) que sua vida mudou. A fundação do clube da luta permitia dezenas de homens extravasarem toda a sua violência e descontarem sua raiva uns nos outros, mas o clube era só a primeira parte do plano de Tyler. Após revelar ser parte da personalidade do protagonista, Tyler explica que objetivo final do Projeto Mayhem era explodir todos os prédios que continham os registros das empresas de cartões de crédito e apagar as dívidas de todo mundo. Ninguém seria ferido com as explosões e, no final, todos estariam livres.


  • Magneto – franquia X-Men (2000 – Atualmente), por Rafael Bernardes

Um dos maiores vilões (se não for o maior) dos X-Men é Magneto (Ian McKellen/Michael Fassbender), um homem profundo e com uma ideologia bem plausível. Retratado na franquia dos mutantes, ele luta para que a sua raça sobreviva, mas reagindo de forma violenta. Por conta de toda a repressão que já sofreu, não consegue ter empatia com a raça humana. Já que os considera inferiores, sua saga é bem violenta e, por momentos, parece não ter escrúpulos. Mas quando se trata dos mutantes, percebe-se que ele não é uma pessoa ruim, só escolheu a luta por meios violentos, reagindo ao sofrimento que lhe é causado. Ele é um reflexo de Charles Xavier (Patrick Stewart/James McAvoy), que possui visão de mundo parecida com Martin Luther King Jr. Magneto seria Malcolm X. Os dois lutam, mas utilizam meios distintos.


  • Ra’s al Ghul – Batman Begins (2005), por João Vitor Hudson

Um dos vilões mais icônicos dos quadrinhos do Batman foi eternizado nos cinemas por Liam Neeson e, na trilogia dirigida por Christopher Nolan, foi o responsável por treinar o jovem Bruce Wayne (Christian Bale) na temida Liga das Sombras. No entanto, o Ra’s tem um propósito que vai completamente contra o que Bruce deseja: ele quer liderar a Liga em Gotham City para poder destruí-la, já que, em sua percepção, a cidade se tornou um antro de crimes e corrupção, e não há mais como ela ser salva. Em certa cena do filme, quando Ra’s já está em Gotham, ele revela que a Liga das Sombras é responsável por restaurar a ordem no mundo, tendo destruído diversas cidades históricas, como Roma e criado o grande incêndio de Londres, no século 17. Apesar de seus objetivos quase nobres, Ra’s usa métodos nada ortodoxos para cumpri-los.


  • Ozymandias  – Watchmen – O Filme (2009), por Diego Francisco

Watchmen se passa no auge da Guerra Fria, onde o Relógio do Juízo Final aponta um minuto para a meia-noite, quando uma possível guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia acabaria com o planeta. Neste contexto, o plano de Adrian Veidt/Ozymandias (Matthew Goode) é perfeitamente plausível: destruir as maiores capitais do mundo e botar a culpa no único ser poderoso o suficiente para tal, o Dr. Manhattan (Billy Crudup). Por mais cruel que o plano pareça, resultou em uma aliança entre os Estados Unidos e a União Soviética para caçar o inimigo em comum, gerando a paz entre as duas nações. Com o tempo, os próprios protagonistas do filme, com exceção do incorruptível Rorschach (Jackie Earle Haley), reconhecem que, apesar de não ser ideal, o plano de Veidt é coerente. “Você matou milhões”, acusou Coruja (Patrick Wilson); “Para salvar bilhões”, respondeu Ozymandias.


  • Killmonger – Pantera Negra (2018), por Rafael Bernardes

O antagonista de Pantera Negra também possui semelhanças com Malcolm X, querendo revidar, reagir e agredir aquelas que já o fizeram sofrer. Erik “Killmonger” Stevens/N’ Jadaka (Michael B. Jordan) foi abandonado por seu país, cresceu por conta própria nas periferias dos Estados Unidos após a morte do seu pai e luta pelo direito de ser rei. O personagem, por ter crescido em um ambiente diferente e sem os privilégios de Wakanda, não respeita tradições, ele só quer alcanças o seu objetivo. Sua intenção é dar o troco, dar a tecnologia wakadiana para os negros oprimidos ao redor do mundo e fazer com eles possam se defender e atacar seus opressores. Sua motivação é extremamente compreensível, por conta de toda a sua história, mesmo que o caminho para atingir seu objetivo seja violento e divisivo.


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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