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O Passageiro | Crítica

Confira a crítica de André Bozzetti sobre a nova aventura de Liam Neeson!

O Passageiro | Crítica

O Passageiro (The Commuter)

Ano: 2018

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: Byron Willinger, Philip de Blasi, Ryan Engle

Elenco: Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick WilsonJonathan BanksSam NeillColin McFarlaneClara LagoElla-Rae Smith

Liam Neeson se tornou, tardiamente, um astro de filmes de ação. Diferente de outros atores que se consagraram no gênero quando jovens e, ao envelhecerem, apenas se adaptaram às novas histórias, Neeson participava apenas eventualmente de produções desse estilo, até que protagonizou Busca Implacável, em 2008. A partir de então, foi uma avalanche de filmes nos quais qualquer vilão se arrependia amargamente de ter mexido com ele. Quando se aproximou dos 60 anos de idade (hoje com 65), portador de uma voz imponente e um físico respeitável, o papel de ex-policial, ex-agente, ex-soldado, ex-assassino ou ‘ex-qualquer coisa que matava muita gente’ começou a a servir feito uma luva. A vantagem dele sobre outros atores que se encaixam nesse perfil é que, além das características físicas, Neeson é realmente talentoso. Infelizmente, isso não é  o suficiente para salvar alguns roteiros pavorosos.

Desta vez, ele vive Michael MacCauley, um ex-policial (para variar), trabalhando há dez anos como vendedor de seguros e pegando o mesmo trem todo dia, no mesmo horário. Com a casa hipotecada e o filho indo para a faculdade, as finanças da família não vão bem. Para piorar, MacCauley é demitido e, enquanto volta para casa pensando em como dar a notícia para sua esposa, ele é abordado no trem por Joannna (Vera Farmiga), uma mulher misteriosa. Ela lhe pede um pequeno ‘favor’ em troca de cem mil dólares: encontrar uma pessoa que não pertence àquele trem e uma bolsa que ela carrega. Mesmo decidido a não aceitar, ele se vê forçado a entrar no jogo dela, pois as vidas de sua família e de todos com quem ele tenta falar estão em risco. MacCauley precisa decifrar um mistério e tentar evitar diversas mortes antes que o trem chegue em sua última parada.

Não é o primeiro filme de ação protagonizado por Neeson dentro de um meio de transporte. Em Sem Escalas (2014), a trama se passa dentro de um avião. Em ambos, há um mistério sobre quem é o inimigo. Em ambos, há uma quantia alta de dinheiro envolvida. Em ambos, sentimos que já vimos aquilo em vários outros filmes e, principalmente, sentimos que nada daquilo é capaz de empolgar. Chega a ser estranho ver um filme assim no cinema em pleno 2018. A história do meio de transporte que não pode ser parado, do qual o herói não pode sair ou pessoas vão morrer, se tornou um pouco repetitiva desde o primeiro (e excelente) Velocidade Máxima, em 1994. Não que uma ideia semelhante não posso ser explorada, mas o mínimo que se espera é que traga inovações no roteiro ou nas cenas de ação. Nada disso ocorre em O Passageiro. Um filme que, mesmo que não seja chato, não passa de mais do mesmo.

Para piorar, até as cenas de ação deixam a desejar. A maior parte do tempo é dedicada à tentativa de MacCauley solucionar o mistério, o que praticamente se restringe a falar no telefone e ir de uma ponta a outra do trem uma dezena de vezes. Entre as poucas lutas em que o personagem se envolve, apenas uma tem alguma emoção e uma direção interessante, com planos longos que acompanham os movimentos bem de perto em um ritmo empolgante. E, mesmo assim, vemos um Liam Neeson menos habilidoso e forte do que em outros filmes, o que é meio frustrante, visto que os adversários dele nas lutas não são exatamente assustadores. Tudo bem que isso ilustra de forma acertada os 60 anos de idade e os 10 anos de trabalho como vendedor de seguros, mas esse tipo de coisa jamais atrapalhou os personagens de Liam Neeson antes. Sobre a direção, vale ressaltar que existem dois diálogos nos quais a câmera treme mais do que nas lutas que ocorrem dentro do trem, o que além de exagerado é absolutamente irritante.

Parece que os três roteiristas, Byron WillingerPhilip de Blasi e Ryan Engle, decidiram fazer uma história cada e unir depois em um único roteiro. Afinal, o início do filme com uma montagem mostrando o drama familiar e a rotina de MacCauley, a investigação sobre o passageiro misterioso e as sequências de ação não se encaixam bem praticamente em momento nenhum.

O mais incrível de tudo é que, apesar de todos estes aspectos negativos citados aqui, o filme não é completamente ruim. No entanto, eu não tenho dúvida nenhuma que isso se deve ao carisma infinito de Liam Neeson, mesmo que ele tenha sido boicotado por um roteiro fraco e uma direção absolutamente confusa, da qual pouca coisa se salva. É um filme que parece destinado àquelas sessões de final de semana da TV aberta, para ser exibido frequentemente depois da 1h da manhã.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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