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Seven Seconds – 1ª temporada | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre a nova série da mesma criadora de The Killing

Seven Seconds – 1ª temporada | Crítica

Seven Seconds – 1ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Veena Sud

Elenco: Clare-Hope AshitayMichael MosleyDavid LyonsRussell HornsbyRegina KingRaúl CastilloBeau KnappPatrick MurneyZackary MomohMichelle VeintimillaNadia Alexander

Black lives matter. Esta frase, que se traduz livremente como “Vidas negras importam”, resume boa parte da obra que é Seven Seconds, uma das mais novas produções originais da Netflix (em um amontoado de tantas outras menos interessantes). A nova série de Veena Sud, criadora de The Killing, coloca o dedo na ferida da América pós-racial, um lugar onde as tensões entre a polícia e a população afro-americana estão cada vez mais pesadas e recorrentes.

Em Seven Seconds, acompanhamos o desenrolar de um caso sobre um adolescente negro que foi atropelado e deixado em uma vala para morrer. Peter Jablonski (Beau Knapp) é um policial recém-chegado no departamento de narcóticos da delegacia de Nova Jersey. Em um dia de nevasca, Jablonski conversava ao telefone com sua esposa enquanto dirigia sua SUV azul, e atropelou um jovem em sua bicicleta. Atordoado, ele pede a ajuda do pessoal de seu departamento, que altera a cena do crime para salvar a pele de Jablonski. O que não esperavam é que o corpo de Brenton Butler, o jovem negro atropelado, apresentava vida, e as consequências disso servem como fio-condutor da trama.

Os diversos temas tratados em Seven Seconds são abordados com maestria. A série fala sobre tensões raciais, corrupção policial, a definição do que é justiça, culpa e responsabilidade em uma história trágica e soturna, e até abrindo espaço para um debate sobre a homossexualidade. Em um roteiro cheio de reviravoltas nada forçadas (como costuma acontecer em muitas séries de tribunal), conhecemos personagens cada vez mais complexos que nos fazem pensar nos privilégios que certas camadas sociais possuem, principalmente se levar em conta que tudo isso acontece nos Estados Unidos, um país que muitos reacionários têm como modelo de nação.

O caso Brenton Butler é pego por uma jovem promotora, também negra, chamada KJ Harper (Clare-Hope Ashitey), que sofre de alcoolismo e vive tendo que reafirmar sua identidade como uma mulher negra que não nasceu em bairros pobres. Como seu parceiro, está o detetive Joe ‘Fish’ Rinaldi (Michael Mosley), que tem mais vontade de solucionar o caso do que KJ e está disposto a tudo para fazê-lo. Em nenhum momento da série sentimos que os dois se tornam amigos, sequer conseguem suportar a presença um do outro, mas ambos se completam profissionalmente, como nos velhos filmes de buddy cop.

Paralelo ao núcleo investigativo, está o da família de Brenton. Sua mãe, Latrice Butler (Regina King) é uma mulher que não aceita o ocorrido com seu filho, e que tem esperança que a justiça fará o seu trabalho. Seu marido, Isaiah Butler (Russell Hornsby) também não concorda com o que houve, mas, diferente de Latrice, ele é uma pessoa mais negativa. Isaiah tem dificuldade de aceitar o fato de seu irmão, Seth (Zackary Momoh), fazer parte de uma gangue de traficantes chamada de Cinco Reis, e concorda menos ainda quando surge o boato de que seu filho fazia parte desse mesmo grupo. É perceptível o sofrimento da família Butler ante o acidente do garoto e às mentiras e difamações que surgem dele, que são amplamente divulgadas pela mídia.

Mas Seven Seconds não se sustentaria sem um de seus pilares narrativos: o departamento de narcóticos e sua sujeira. Liderado pelo odiável Mike DiAngelo (David Lyons), o grupo é composto por Felix Osorio (Raúl Castillo), Manny Wilcox (Patrick Murney) e o novato Jablonski. DiAngelo possui métodos inescrupulosos, o colocando como o grande “vilão”, mas todos os personagens possuem diversas camadas revelando que não existe a dualidade mocinho-bandido.

Ao final do primeiro ano da série, ficamos com um gosto amargo na boca, pois seu desfecho imprevisível mostra como a justiça, e acima de tudo, o ser humano, tem falhas. Com um tema relevante, uma trama redondinha e atuações excelentes, Seven Seconds tem de tudo para se tornar um novo hit do serviço de streaming, mas, se Dear White People – que possui um tema semelhante e é muito mais pop – não o fez, dificilmente ocorrerá isso aqui. Isso é triste, pois o gosto na boca só fica mais amargo ao sabermos que existe uma pérola como esta escondida no imenso catálogo de produções originais da Netflix que quase nunca ouviremos falar.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 4    Média: 3.3/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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