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Operação Red Sparrow | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o novo filme de Jennifer Lawrence!

Operação Red Sparrow | Crítica

Operação Red Sparrow (Red Sparrow)

Ano: 2018

Direção: Francis Lawrence

Roteiro: Justin Haythe 

Elenco: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Ciarán Hinds, Jeremy Irons, Douglas Hodge

Os filmes de espionagem têm se caracterizado nos últimos anos por unir o suspense das tramas mirabolantes a fantásticas sequências de ação de seus protagonistas, que são comparáveis até mesmo a super-heróis. James Bond, Jason Bourne, Lorraine Broughton, Ethan Hunt e outros, além de se envolverem em complexas missões que exigem muita astúcia, disfarces e planejamento, não raramente precisam resolver tudo em combates físicos, alguns deles, memoráveis. Em Operação Red Sparrow, a ação foi deixada em segundo plano e, inicialmente, isso até funcionou muito bem. Mas não por muito tempo.

Sparrows são agentes russos treinados para missões especiais nas quais precisam iludir seus alvos e extrair qualquer informação deles utilizando as armas de sedução que forem necessárias. Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) era a principal bailarina do Bolshoi que, após um grave acidente em uma apresentação, é obrigada a abandonar os palcos. Sem poder pagar pelo tratamento que sua mãe necessita e sequer pelo apartamento onde moram, Dominika aceita a proposta de seu tio Vanya Egorov (Matthias Schoenaerts) para trabalhar para o governo russo. Para isso, ela deverá entrar em uma escola de Sparrows, onde vai aprender técnicas de persuasão, sedução e também de combate. Após alguns meses de treinamento, Dominika é enviada para uma missão: investigar Nate Nash (Joel Edgerton), um agente da CIA, e descobrir quem é seu informante dentro do alto escalão da inteligência russa.

Nos primeiros minutos, tanto a direção de Francis Lawrence quanto a montagem chamam atenção. Somos apresentados aos personagens principais através de uma montagem paralela e, assim, podemos perceber o quanto eles são bons e estão inseridos cada qual em seu universo. Vemos Nash envolvido com mensagens criptografadas de seu informante, indo ao seu encontro em meio ao Parque Gorki, e Dominika se preparando de forma confiante para subir ao palco, em belas imagens do espetáculo no Teatro Bolshoi.

As sequência da dança, infelizmente, não é tão longa, afinal os planos muito bem escolhidos unidos à lente grande angular utilizada em boa parte deles, criam um visual fantástico, e nos dão vontade de ver muito mais.  O vermelho que já faz parte dos ambientes habitados por Dominika é uma cor que remete tanto à sedução quanto à violência: duas representações que caminham lado a lado na história. História essa que, apesar de baseada no livro de Jason Matthews, lembra muito a origem da personagem Natasha Romanoff, a Viúva Negra, nos quadrinhos.

Apesar do belo visual e de algumas cenas marcantes, com destaque para o acidente no palco, a cena da sauna e um interrogatório um tanto quanto violento, as atuações, de uma maneira geral, prejudicam um pouco o filme. Jennifer Lawrence e Jeremy Irons (em alguns momentos) talvez sejam as exceções. Os outros atores soam bem artificiais, principalmente entre os russos, mas também Nash e os outros agentes da CIA, que não convencem não só pelas atuações propriamente ditas, mas pelo conteúdo de suas falas. Lawrence tem momentos realmente admiráveis. Além das cenas citadas anteriormente, a tão comentada cena de nudez completa da atriz se mostra não só natural como muito significativa para a trama. Vale também destacar o resultado fantástico do treinamento de ballet realizado por ela que, mesmo que auxiliado pela dublê e alguns recursos digitais, conseguiu ser muito convincente nos planos que exigiam que fosse a própria atriz em cena.

E se por um lado o roteiro de Justin Haythe possui o elogiável cuidado em apresentar para o público pistas das reviravoltas da trama, permitindo que estes a antecipem em função de elementos que são expostos de maneira bem destacada, por outro assume uma postura retrógrada em sua caracterização dos russos e dos norte americanos. Os russos são frios, maus, e seu governo ditatorial trata todos os habitantes como marionetes do seu sistema, enquanto os estadunidenses são heróicos e preocupados com o bem estar geral.

Sendo assim, Operação Red Sparrow é um filme daqueles que pode até agradar durante sua exibição, por ser eficiente em gerar um envolvimento do público com seus protagonistas, mas que, infelizmente, se perde em seu próprio maniqueísmo. A sensação é que quanto mais se pensa a respeito do filme, pior ele fica. E isso é realmente uma pena, pois uma postura mais isenta e multidimensional certamente enriqueceria demais a história.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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