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Mudo | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre o novo filme de Duncan Jones!

Mudo | Crítica

 Mudo (Mute)

Ano: 2018

Roteiro: Duncan Jones, Michael Robert Johnson

Direção: Duncan Jones

Elenco: Alexander Skarsgård, Paul Rudd, Justin Theroux, Seyneb Saleh, Sam Rockwell

 

Já não é mais surpresa que filmes originais da Netflix em sua maioria são regulares ou ruins. Uma exceção à regra é quando um diretor talentoso assume a direção de algum desses projetos; assim temos Beasts of No Nation de Cary Fukunaga, Okja de Bong Joon-ho e Os Meyerowitz de Noah Baumbach. Seguindo este padrão, era de se esperar que Duncan Jones, dos excelentes Lunar e Contra o Tempo entregaria outra ótima ficção científica, o que, infelizmente, não é o caso.

O início do filme é, de certa forma, promissor. O acidente de Leo (Alexander Skarsgård) quando criança que resultou em seu mutismo e suas interações com a sua namorada, Naadirah (Seyneb Saleh) são cenas dirigidas com bastante sensibilidade e dão a acreditar que algo bom está por vir, mas é só a parceira desaparecer que Mudo vai ladeira abaixo. O mistério do desaparecimento bem como a sua investigação não são convincentes, não é de se esperar que um bartender mudo e de origem amish se torne um detetive profissional de uma hora para outra, mas ele constantemente interrompe as pessoas prestes a entregar informações chave e fica possesso de raiva quando qualquer pessoa cita Naadirah, ele até mesmo a interrompeu quando ela ia contar um segredo sobre sua vida.

Alexander Skarsgård, que é conhecido por interpretar personagens brutos, consegue vender um personagem sensível e emotivo muito bem. O mesmo se aplica a Paul Rudd que, acostumado com personagens amáveis e carismáticos, dá a vida ao Cactus Bill, um amargo cirurgião que trabalha para máfia, de forma mais séria que seu habitual mas sem perder sua comicidade. No entanto, todos os papéis do filme são tão rasos quanto o roteiro, ninguém é desenvolvido ou capaz de despertar a simpatia do espectador. Até Leo, que começa bem, logo perde sua empatia e se torna um herói de ação genérico.

A ambientação cyberpunk em nada adiciona a trama, assim como a origem amish do protagonista, são apenas meros detalhes de um mundo nada interessante; se a história se passasse nos dias atuais, não mudaria nada. Existem também diversas referências a Lunar, ambos compartilham o mesmo universo, mas a diferença de qualidade entre os dois é enorme. É extremamente difícil ver onde Mudo quer chegar, falhando tanto como filme de investigação e como filme de vingança, e a conclusão dos dois caminhos seguidos é desinteressante.

Se arrastando ao longo de intermináveis 123 minutos de duração, Mudo é outro filme que não consegue cumprir com as expectativas e a segunda ficção científica ruim da Netflix em menos de mês. O projeto que Duncan Jones demorou 16 anos para tirar do papel talvez devesse continuar não produzido para o bem de todos.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.3/5]

 

 

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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