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Três Anúncios Para um Crime | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre um dos favoritos na corrida pelo Oscar 2018!

Três Anúncios Para um Crime | Crítica

Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Ano: 2017

Direção: Martin McDonagh

Roteiro: Martin McDonagh

Elenco: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Caleb Landry Jones, Peter Dinklage

Em meio a tanto alarde sobre os indicados ao Oscar 2018, um filme figurava entre os favoritos apesar de pouco se ouvir falar sobre ele. Com todas as atenções voltadas para A Forma da Água, Três Anúncios Para um Crime chegou com uma divulgação bem mais modesta, o que apesar de não ser tão recomendável economicamente falando, visto que possivelmente atrairá menos público, sem dúvida é muito melhor para a experiência cinematográfica. Assistir a um filme sem uma  predisposição a gostar ou não, por não saber tanto da história e também por não ter recebido aquela overdose de comentários de fãs ou ‘haters’, ajuda a saborear a história e fazer o seu próprio julgamento. Para um filme discretamente fantástico como este, acabou sendo um ponto muito positivo.

Escrito e dirigido pelo excelente Martin McDonagh, de Na Mira no Chefe (2008) e Sete Psicopatas e um Shih Tzu (2012), Três Anúncios Para um Crime nos traz a história de Mildred (Frances McDormand), uma mulher que busca por justiça para o estupro e assassinato de sua filha, ocorrido meses antes. Por falta de pistas, ou talvez pela incapacidade dos policiais encarregados, o caso ficou sem solução e as investigações cessaram. Inconformada com a ausência de resultados e pelo abandono do caso, Mildred aluga três outdoors às margens de uma estrada abandonada, nos quais ela coloca mensagens cobrando especificamente o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) por respostas. No entanto, pelo chefe Willoughby ser muito querido pela população e por seus colegas de corporação, apesar dos anúncios reacenderem o interesse no caso e reativarem as investigações, também geraram revolta por parte de alguns habitantes da  conservadora cidade de Ebbing, e Mildred terá que lidar com as consequências de suas ações.
Uma ideia interessante e muito bem executada, principalmente pela criação de personagens tão críveis e funcionais. Qualquer um que tenha alguma fala no filme em suas quase duas horas de projeção acrescenta algum elemento relevante para a trama. É claro que a história se aprofunda mais na protagonista Mildred e nos coadjuvantes mais importantes: o chefe Willoughby e o policial Dixon (Sam Rockwell). No entanto, todos aqueles que possuem menos tempo de tela conseguem, através de diálogos precisos e cenas importantes, fazer com que o público compreenda suas ações e possa imaginar suas histórias e motivações. Méritos para o roteiro bem trabalhado e para as atuações fantásticas de todo o elenco. Além dos indicados ao Oscar, Frances McDormand, Woody Harrelson e Sam Rockwell, merecem destaque Sandy Martin, que interpreta a mãe do policial Dixon, Caleb Landry Jones, que vive o responsável pela agência proprietária dos outdoors e John Hawkes, no papel do ex-marido de Mildred, apenas para citar alguns.
As boas atuações são fundamentais para que os afiados diálogos funcionem. Com uma trama baseada em eventos tão trágicos, é incrível como o humor consegue surgir de maneira natural e ser eficaz o tempo todo. É o humor característico dos filmes de Martin McDonagh, ácido, sarcástico, fazendo surgir uma situação cômica em meio a um diálogo carregado de tensão. Méritos para o roteiro mas também para o timing dos atores que está impecável, e obviamente para a direção de McDonagh.
A fluidez das cenas faz com que o filme, paradoxalmente, pareça ser mais longo do que é e, mesmo assim, passe de maneira rápida. Ele parece mais longo devido à quantidade de informações, personagens e situações que ocorrem. No entanto, justamente por não utilizar nenhum recurso ou cenas desnecessárias à narrativa, o ritmo do filme é excelente e o encaixe de todas as peças que compõem a trama é perfeitamente ajustado.
A direção de McDonagh é certeira também ao retratar a força e determinação de Mildred. Ao mostrar uma mãe decidida a encontrar os responsáveis pela morte da filha, constantemente a vemos em um ângulo superior a quem contracena com ela. Além disso, o vermelho que constantemente toma conta da tela, inclusive nos chamativos outdoors colocados por Mildred, simboliza a violência dos atos cometidos e das situações que decorrem da atitude da protagonista.
Três Anúncios para um Crime se destaca por sua humanidade. É um filme sem heróis nem vilões. Por mais justas que sejam as motivações de sua protagonista, ela claramente realiza ações absolutamente reprováveis. Outros personagens também agem de maneiras violentas e até criminosas, que apesar de não serem justificáveis são compreensíveis dentro do contexto que é apresentado. Vemos alguns deles encontrando a redenção e outros que cansam de tentar alcança-la. E assim enxergamos na tela personagens tão próximos de nós que fica quase impossível julgá-los sem que tenhamos que julgar a nós mesmos.
 

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3.5/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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