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Everything Sucks! – 1ª temporada | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre a 1ª temporada da mais nova série nostálgica da Netflix

Everything Sucks! – 1ª temporada | Crítica

Everything Sucks! – 1ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Ben York JonesMichael Mohan

Elenco: Jahi Di’Allo WinstonPeyton KennedyPatch DarraghClaudine Mboligikpelani NakoQuinn LieblingRio ManginiSydney SweeneyElijah Stevenson

Nostalgia é uma palavra que possui diversos sentidos. Comumente, a usamos para descrever saudades de algo, de um lugar, no bom sentido da coisa, claro. Porém, significa “estado melancólico ou de tristeza devido a aspirações, desejos nunca realizados”. A cultura pop está infestada de nostalgia, e este estado melancólico se tornou sinônimo de bom negócio para empresas midiáticas. A Netflix é uma delas. Após investir pesado em Stranger Things, que retratava os anos 1980 de modo bem nostálgico e aventureiro, agora o serviço de streaming lança Everything Sucks!, ambientada nos anos 1990 e estrelada por adolescentes. É como se os 80’s fossem a época legal, enquanto os 90’s fossem o oposto, com muita música bad (e boa) para ilustrar os dramas dos jovens.

Everything Sucks! começa quando Luke (Jahi Di’Allo Winston) e seus amigos McQuaid (Rio Mangini) e Tyler (Quinn Liebling) acabam de entrar no Ensino Médio. Essa nova fase da vida destes jovens parece bastante promissora, com todos aqueles desejos que adolescentes tem: namorar e se enturmar, já que estudar é o que os alunos menos fazem. Com esse objetivo em mente, Luke se apaixona à primeira vista por uma garota que faz parte do Clube do Vídeo da escola, Kate Messner (Peyton Kennedy), também conhecida como Plutônio por ser filha do diretor, Ken Messner (Patch Darragh).

Dá para dividir Everything Sucks! em duas partes. A primeira é focada no relacionamento de Luke e Kate, e a segunda no projeto cinematográfico dos alunos da escola; é como se fossem duas temporadas dentro de uma. A primeira parte, inclusive, é capaz de agradar a maior parte do público, já que é nela que reside a maior parte da nostalgia. Tori Amos, Oasis, Alanis Morissette, o boom do VHS… Em uma cena, até vemos jovens empolgados com os novos Star Wars (ou a versão remasteriza dos clássicos). É os anos 90 escancarados na tela. A segunda parte da série já se aprofunda nos dramas pessoais dos personagens, como o relacionamento conturbado de Emaline (Sydney Sweeney) e Oliver (Elijah Stevenson), a dúvida de Kate a respeito de sua orientação sexual e o relacionamento proibido da mãe de Luke, Sherry O’Neil (Claudine Mboligikpelani Nako) com Ken. Isso pode afastar uma parcela dos espectadores, assim como também pode aproximar a outra parcela.

Apesar da história do show criado por Ben York Jones e Michael Mohan estar repleta de clichês, é possível apreciá-los de maneira bem satisfatória. O fato de se basear na nostalgia para funcionar é parcialmente verídico, pois à media que a série avança, este recurso se torna vagamente utilizado, e até esquecemos que estamos nos anos 90. Aliás, há uma excelente referência em um dos últimos episódios, e bem ousada da parte da Netflix: uma importante cena acontece dentro de uma loja da extinta Blockbuster, a maior rede de locadoras de vídeo dos Estados Unidos com quem a Netflix rivalizava quando ainda trabalhava com isso. O Capitão América ficaria orgulhoso!

Os personagens de Everything Sucks! possuem seus estereótipos: a atriz chata do teatro, o rebelde sem causa, os nerds com visual estranho, o diretor careta da escola… Mas eles são máscaras para o que os personagens realmente são. Eles são cheios de facetas e com camadas cada vez mais profundas. Um dos melhores exemplos disso é Emaline, que descobrimos que não é apenas a atriz chata e popular do teatro, existe um ser humano ali dentro, e isso é feito lindamente pelo roteiro.

Por falar nos personagens, os destaques vão para os intérpretes de Luke e Kate. Jahi Di’Allo Winston e Peyton Kennedy são excelentes! Seus papéis precisam contracenar com frequência, e a química entre os dois é plausível. E mesmo quando os personagens têm que se afastar, eles continuam funcionando. Além disso, a quantidade de momentos dramáticos que o roteiro pede prova que os adolescentes são promissores. Winston é ótimo como o filho que foi abandonado pelo pai, e que, por isso, é egoísta sem se dar conta disso. E Kennedy é fantástica como a garota não-popular, que sempre está sozinha, cheia de dúvidas, e que precisa de lidar com o fato de ser lésbica e filha do diretor da escola.

O final da 1ª temporada de Everything Sucks! é como a bonança após a tempestade, e deixa alguns ótimos cliffhangers para a temporada seguinte, e é por causa deles que a calmaria pode acabar e dar lugar novamente à tormenta. O primeiro ano da série foi mais como uma experiência, pois, apesar dos elogios, ela tem alguns erros irritantes, mas se for renovada, a esperança é de que os produtores sigam à linha do que deu certo e consiga seu lugar ao sol no grupo de séries nostálgicas da Netflix.

Obs.: Procure não assistir ao trailer de Everything Sucks! antes de ver a série, pois ele está cheio de cenas que entregam parte da trama.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 14    Média: 3.4/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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