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Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa de Dee Rees!

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi | Crítica

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi (Mudbound)

Ano: 2017

Direção:  Dee Rees

Roteiro: Virgil WilliamsDee Rees

Elenco: Carey MulliganGarrett HedlundJason Clarke, Jonathan BanksJason Mitchell, Mary J. BligeRob Morgan

Segunda Guerra Mundial, em uma época onde não existe mais escravidão. Pelo menos, não deveria existir. Quando houve a abolição, os trabalhadores negros foram “libertados”. Agora as pessoas teriam suas próprias terras, seu próprio negócio, certo? Errado! O que mudou e persistiu durante décadas foi apenas o pagamento. Agora eles recebiam algum dinheiro pelo seu trabalho, mas muitos ainda viviam nas terras de pessoas brancas, tendo que se submeter a trabalhos maçantes por pouco dinheiro. Acidente de trabalho? Era problema do emprego, que deveria cumprir o prazo de entrega do serviço a qualquer custo. Uma realidade que não mudou muito nos dias de hoje em muitos lugares do mundo.

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi retrata a realidade da guerra mesclando com a vida de pessoas negras e pobres do campo. A segregação nos anos 1940 já foi retratada diversas vezes, mas a situação em regiões pouco urbanizadas ainda era muito semelhante à escravidão. A direção de Dee Rees facilita a compreensão sobre esse fato com planos estendidos, retratando o sofrimento de quem era tratado de forma diferente por conta da cor de sua pele. Destaque para a direção de fotografia, que não se preocupa em iluminar muito as paisagens, sendo coerente com o que acontece em tela. Cores mais vivas são colocadas em poucos momentos de alegria dos personagens.

O longa conta a história de duas famílias: os McAllan (brancos ricos) e os Jackson (negros pobres), mas a divisão muitas vezes não é justa. A primeira família citada tem mais tempo em tela, justamente para mostrar a podridão em que ela está instalada. Personagens bem construídos e ótimas interpretações deixam o filme carregado de emoções na maior parte do tempo. Henry (Jason Clarke), o atual patriarca, marido de Laura (Casey Mulligan), irmão de Jamie (Garret Hedlund) e filho de Papa (Jonathan Banks), contém algumas camadas e podemos entender o personagem, mesmo não concordando com nenhuma de suas atitudes. A esposa está encaixada no mesmo caso, assim como o irmão. Para, um homem mais velho e ainda mais retrógrado, parece ser aquele coadjuvante unidimensional, mesmo demonstrando afeto em alguns momentos de uma forma estranha.

Do outro lado, temos a ótima interpretação de Mary J. Blige, dando vida a Florence, o pilar da família Jackson. Hap (Rob Morgan) é o patriarca, que cuida da família na parte financeira. Personagem muito bem explorado. Ronsel (Jason Mitchell) é o primogênito que, assim como Jamie, vai para a guerra. A relação dos dois personagens é bem desenvolvida, mostrando os traumas que a guerra traz. São muitas coisas colocadas em um só filme: racismo, guerra, relacionamentos abusivos, amor, escravidão. Por conta disso, a produção acaba se apressando para poder falar sobre cada um deles.

O primeiro ato é excelente, o segundo, mantém o nível, com um ótimo ritmo, mas a história acaba se perdendo um pouco quando o desfecho está próximo. O terceiro ato é confuso por muitas vezes, com imagens sendo jogadas gratuitamente em tele e ações incoerentes de determinados personagens. Algumas conveniências são colocadas, apenas para que as coisas cheguem aonde devem chegar. O resultado da trajetória de alguns personagens é ilusório, gerando um sentimento de descrença, pois não mostram como o resultado foi atingido. Nos faz pensar que determinadas atitudes poderiam ter sido tomadas em qualquer momento, evitando determinados momentos e situações ruins.

Mesmo com esses problemas no desfecho da história, Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi é um filme extremamente eficiente nos pontos que quer abordar, nas críticas que deseja fazer, sendo essencial para quem se interessa pela história americana e quer ampliar a sua visão de mundo.

Nota do crítico:

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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