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Eu, Tonya | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o filme protagonizado por Margot Robbie!

Eu, Tonya | Crítica

Eu, Tonya (I, Tonya)

Ano: 2017

Direção: Craig Gillespie

Roteiro: Steven Rogers

Elenco: Margot RobbieSebastian StanAllison JanneyJulianne NicholsonPaul Walter Hauser, Bobby Cannavale

Filmes baseados em histórias reais estão cada vez mais populares, muitos contendo aquelas tramas inacreditáveis, que quando você descobre que realmente aconteceu, fica espantado. Em Eu, Tonya, a situação é completamente diferente. O que é contado aqui é totalmente plausível, mostrando a realidade de um ser humano comum que tinha muito talento, mas que foi extremamente prejudicado por conta das relações abusivas em sua volta.

Tonya Harding, interpretada brilhantemente por Margot Robbie, foi uma das mais talentosas patinadoras dos Estados Unidos. Porém, sua mãe sempre foi muito rigorosa e violenta, prejudicando a vida pessoal e profissional da menina. Para melhorar a situação, ela acabou se envolvendo com um homem, que a princípio, era um cara legal, mas que foi se mostrando cada vez mais agressivo, batendo nela inúmeras vezes. Os pedidos de desculpas aconteciam e a manipulação feita é mostrada perfeitamente na produção. Allison Janney interpreta Lavona, a mãe de Tonya, dando vida a uma personagem desprezível, uma das piores mães do cinema. Sebastian Stan faz o papel de Jeff, o namorado abusivo.

Os personagens secundários são bem desenvolvidos, mesmo que não contenham muitas camadas e muito aprofundamento. Não há muitas justificativas pelos seus atos, mas, como são completamente humanos e palpáveis, conseguimos reconhece-los em pessoas próximas a nós. A protagonista acaba sendo a mais bem desenvolvida e aprofundada. O longa possui diversos aspectos interessantes, que deixam a história ainda mais atrativa, como o clima de falso documentário. Os personagens dão depoimentos, como se fossem as pessoas verdadeiras, contando as suas versões da história. Em alguns momentos, ocorre a quebra da quarta parece, fazendo com que Tonya converse com que está assistindo ao filme. Ela complementa frases e informa sobre acontecimentos. Isso deixa o clima que por muitas vezes é tenso, mais divertido.

O ritmo da produção é atraente, algumas vezes frenético, prendendo o espectador. Margot Robbie é muito carismática, nos importamos mesmo com o que vai acontecer com a protagonista. Os dois atos iniciais são excelentes, mas no terceiro a história acaba perdendo um pouco a força, por conta de deixarem a protagonista de lado. Ela acaba se tornando quase que uma coadjuvante na trama que gira em torno dela. Porém, a conclusão é satisfatória, gerando raiva em quem não conhecia ou não tinha ficado sabendo sobre os acontecimentos envolvendo Tonya Harding.

Eu, Tonya é um filme que gira em torno de uma personagem cheia de problemas e que toda a tragédia é gerada por terceiros. A sua própria personalidade foi moldada. Tudo isso nos mostra como relacionamentos abusivos, independentemente de serem amorosos ou fraternais, podem prejudicar muito a uma pessoa. O machismo intrínseco é mostrado, juntando-se com o autoritarismo e a violência. Se trata de uma história triste, contada de forma divertida, que merece ser divulgada.

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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