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La Casa de Papel – 1ª parte | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre a série espanhola!

La Casa de Papel – 1ª parte | Crítica

La Casa de Papel – 1ª parte

Ano: 2017

Criador: Álex Pina

Elenco: Úrsula Corberó, Itziar ItuñoÁlvaro Morte, Pedro AlonsoPaco TousAlba FloresMiguel Herrán, Jaime Lorente

Sucesso na TV espanhola, La Casa de Papel teve os seus direitos de distribuição no Brasil comprados pela Netflix. E, com o selo de “original” do serviço de streaming, não demorou para que o público se interessasse e devorasse a série. Em pouco tempo, o programa já era um dos mais comentados das redes sociais, arrebanhando uma legião de fãs.

Mas como explicar esse fenômeno? Bem, a trama base de La Casa de Papel é excelente. Um grupo de assaltantes é reunido e treinado por um gênio do crime e, juntos, eles deverão invadir a Casa da Moeda da Espanha, fazer reféns – mas sem matar nenhum deles – e ganhar tempo, para que, assim, possam imprimir a maior quantidade de dinheiro possível. Um crime limpo, de acordo com o seu mentor.

E não há como não se empolgar com uma história de assalto que, teoricamente, é inteligente, né? Difícil. Mesmo que aqueles conceitos já tenham sido mostrados em diversas outras produções – de maneira muito melhor, inclusive – La Casa de Papel vicia em seus primeiros episódios. No entanto, com o decorrer dos episódios, percebemos que aquela animação vai se esvaindo.

E o principal elemento dessa desmotivação é o roteiro que, inicialmente, parecia se inspirar em incríveis filmes de assalto, como O Plano Perfeito, de Spike Lee, mas acaba se transformando em um novelão mexicano de qualidade duvidosa. Com o objetivo de dar mais profundidade aos personagens, o instigante golpe acaba ficando de lado, abrindo espaço para muita discussão, conflitos, choro e romance entre assaltantes, entre reféns, entre assaltantes e reféns e entre assaltantes e a polícia. Pois é.

O Professor (Álvaro Morte) é mente por trás de todo o golpe. Por conta disso, ele não entra na Casa da Moeda, ficando do lado de fora, coordenando todo o assalto. Até aí, tudo bem. O personagem é um dos mais interessantes da série, mas usado de maneira errada. Não demora para que se sinta a necessidade de colocar ação e romance em seu arco. E isso soa extremamente forçado e desnecessário. Uma das cenas, em que o Professor está em um ferro-velho para acabar com uma possível pista do crime, é vergonhosa.

Já a inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño), responsável pelas negociações, é, provavelmente, uma das piores profissionais de que já se ouviu falar. Não há um diálogo da policial em que ela não misture sua vida pessoal com o trabalho. Além disso, no meio do maior assalto da história, o qual ela deve colocar um fim, a personagem não tem foco algum. O roteiro exagera em querer dar camadas para Raquel, deixando-a patética. Afinal, é mais do que normal, no meio de uma crise dessas, abandonar o seu posto para flertar e dar uma chance para um novo amor, né? Enfraqueceram a personagem na tentativa de deixa-la forte.

No grupo dos assaltantes, Tóquio (Úrsula Corberó) é a que mais tem destaque. E, novamente, pelo motivo errado. Com a intenção de criar uma personagem questionadora, o resultado foi uma menina mimada e boba, que acaba colocando toda a operação em risco. Por diversas vezes. E esse é um problema recorrente da série. As atitudes completamente irresponsáveis dos assaltantes colocam o golpe em xeque uma vez por episódio – no mínimo.

Apesar de uma produção impecável, que não deixa nada a desejar para os programas norte-americanos, a história, criada por Álex Pina, acaba perdendo o seu foco, deixando, depois de uns três episódios, o golpe do século para focar nas relações humanas. E tudo com um exagero impressionante. E, sabe, isso não seria um problema se, dentro da narrativa, não tivessem se passado apenas algumas horas.

Apesar de tudo, é impossível não querer ver como essa história vai terminar. A série, que já foi concluída no exterior, foi dividida em duas partes para chegar no Brasil. Mesmo com altos e muitos (muitos mesmo) baixos, em abril, quando a segunda parte do programa chegar na Netflix, estarei sentado na frente da TV para conferir como será o desfecho do golpe do século – mesmo acreditando que, provavelmente, a decepção prevalecerá, pois será difícil reverter o estrago feito até agora.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 3.5/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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