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Quentin Tarantino fala sobre as acusações de Uma Thurman

O diretor fala sobre o acidente durante as filmagens de Kill Bill e sobre o assédio de Harvey Weinstein

Quentin Tarantino fala sobre as acusações de Uma Thurman

Dias atrás, o New York Times divulgou uma matéria na qual Uma Thurman acusou Quentin Tarantino de expô-la a uma situação de risco que quase lhe custou a vida durante as filmagens de Kill Bill – leia mais aqui.

Agora, em resposta às alegações de Thurman, o diretor confirmou que aquilo aconteceu, e chamou sua decisão de “o maior arrependimento da minha vida”.

Em entrevista ao Deadline, Tarantino disse: “Eu sou culpado por colocá-la naquele carro, mas não da forma como as pessoas estão dizendo que eu sou culpado”. O diretor afirma que ninguém na equipe de filmagem considerou que aquela cena era perigosa.

Era só dirigir. Nenhum de nós viu aquilo como um risco. Talvez devêssemos, mas não vimos. Eu não subi ao trailer de Uma, gritando para ela entrar no carro. Quem conhece a Uma sabe que entrar em seu trailer, e gritar com ela para fazer algo não é a maneira e conseguir isso dela”, afirmou.

O diretor confirmou que pediu para Thurman dirigir a uma velocidade específica para que os cabelos da atriz ficassem esvoaçantes. No entanto, devido a circunstâncias relacionadas a mudanças na luz, a direção na qual ela deveria dirigir foi invertida, e a estrada não havia sido previamente testada naquela direção.

Eu disse a ela que estaria tudo bem. Eu disse a ela que era uma linha reta. Eu disse a ela que seria seguro. E não era. Eu estava errado. Eu não a forcei a entrar no carro. Ela entrou porque confiava em mim. E ela acreditou em mim”.

Sobre as acusações a Harvey Weinstein, que Thurman reforçou em sua entrevista, Tarantino já havia se manifestado ao New York Times em outubro de ano passado.

Eu sabia o suficiente para fazer mais do que fiz.. Eu queria ter me responsabilizado pelo que ouvi”.

O diretor afirmou que só após Thurman lhe contar sobre o ataque que sofreu de Weinstein, que associou a uma experiência semelhante relatada por sua então namorada Mira Sorvino, que ele percebeu que havia um padrão nas ações do produtor. Tarantino também afirmou que condicionou realizar Kill Bill com a Miramax a um pedido de desculpas de Weinstein a Thurman.

Eu não dei a Harvey o benefício da dúvida. Eu sabia que ele estava mentindo, que tudo que Uma falou era a verdade. Quando ele tentou negar aquilo, e como as coisas realmente aconteceram, eu nunca comprei sua história. Eu disse, ‘eu não acredito em você. Eu acredito nela. E se você quer fazer Kill Bill, você precisa fazer isso certo’ ”.

O acidente afetou a relação dele com Uma Thurman por anos.“Não era como se não nos falássemos. Mas a confiança estava quebrada”.

Tarantino confirmou que Thurman não teve acesso à filmagem do acidente, o que a impediu de abrir um processo, mas se surpreendeu eu saber que ela pensou que ele foi conivente com aquilo. Ele disse que forneceu a filmagem para Thurman antes da entrevista no New York Times porque ele queria fazer as coisas corretas. “Havia um elemento de encerramento. Ela havia sido privada, por Harvey Weinstein, de assistir a filmagem. Eu quis entregar para ela, para que ela pudesse olhar para aquilo. Assim, ela poderia ver aquilo e ajudar com a memória do incidente”.

Sobre as alegações de ações violentas e controversas em seus filmes, como cuspir no rosto de Uma Thurman e sufocá-la com uma corrente, o diretor justificou, detalhando uma situação ocorrida durante as filmagens de Bastardos Inglórios. Naquela situação, ele perguntou à atriz Diane Kruger se ele poderia pessoalmente estrangulá-la com o objetivo de conseguir o plano correto.

Era uma questão de eu pedir à atriz, ‘podemos fazer isso para ter um efeito realista?’, afirmou o diretor. “E ela concordou, ela sabia que ia ficar bom e confiou em mim para fazer aquilo. Eu pediria a mesma coisa a um homem. Na verdade, eu provavelmente seria mais insistente com um homem”.

Em seu Instagram, Uma Thurman afirmou que Tarantino expressou remorso pelo ocorrido ao fornecer a ela as filmagens do acidente, mesmo sabendo que poderia prejudicar sua carreira.

“Quentin Tarantino estava profundamente arrependido e permanece com remorso por este triste evento, e me deu as gravações anos depois de maneira que eu possa expor e trazer à luz do dia, independentemente disso, provavelmente é um evento para o qual a justiça nunca será possível”, escreveu a atriz. “Estou orgulhosa dele por fazer a coisa certa e por sua coragem”.

No entanto, Thurman coloca a culpa nos produtores Harvey Weinstein, Lawrence Bender, e E. Bennett Walsh que “mentiram, destruíram evidências, e continuam mentindo sobre os danos permanentes que eles causaram e escolheram esconder. O acobertamento teve intenções maldosas, e são uma vergonha para estes três por toda eternidade”.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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