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The Cloverfield Paradox | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa da Netflix!

The Cloverfield Paradox | Crítica

The Cloverfield ParadoxThe Cloverfield Paradox (2018)

Ano: 2018

Roteiro: Oren UzielDoug Jung

Direção: Julius Onah

Elenco: Gugu Mbatha-Raw, David Oyelowo, Daniel Brühl, John Ortiz, Chris O’Dowd, Aksel Hennie, Zhang Ziyi, Elizabeth Debicki, Roger Davies, Clover Nee, Donal Logue, Simon Pegg, Greg Grunberg

Cloverfield – Monstro, dirigido por Matt Reeves, começou a trilogia apresentando aquele clima de found footage, mostrando a invasão dos monstros em Nova York. Rua Cloverfield, 10 veio com um ar de mistério, por ninguém saber sobre o que realmente se tratava, mesmo tendo o nome característico da atual franquia. Quase dois anos depois, tivemos a confirmação de que um prequel do primeiro filme seria lançado, revelando como aqueles monstros foram parar na terra. Durante o Super Bowl, que ocorreu no dia 4 de fevereiro, um trailer do terceiro filme foi divulgado, juntamente com a data de lançamento pela Netflix, que seria dia 5 de fevereiro. Isso mesmo, logo após o evento, o longa estaria disponível no catálogo.

Jogada de mestre ou medo de divulgar um produto decepcionante? É inegável que essa estratégia de marketing aguçou a curiosidade das pessoas, elevando as expectativas. A produção conta a história de uma tripulação, que está no espaço tentando solucionar problemas de energia que a terra enfrenta. Uma guerra civil está prestes a começar e apenas aquelas pessoas podem evitar isso. A trama foca em Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), dando espaço a seu marido, que atualiza o público sobre a situação na terra. A personagem é construída pouco a pouco, mas suas atitudes não parecem reais. Ela sempre se mostra mais calma, mais inteligente e racional que os demais.

Quando uma informação importante sobre ela é revelada, nos pega de surpresa, mas mexe com a descrença, pois aquilo não faz sentido com o que nos foi apresentado dela. Mesmo assim, é possível comprar o drama envolvendo-a. Os outros personagens é que são realmente problemáticos. Não são bem desenvolvidos e é difícil criarmos empatia. Em determinado momento, um vilão é escolhido, mas isso é feito de forma previsível, acabando com uma possível boa surpresa. Outro ponto negativo é a instalação do suspense, começando com um terror psicológico, que ocorre em alguns momentos, mas, na maior parte do tempo, jump scares desnecessários são jogados na tela.

O que deveria ser uma história de origem dos monstros se transforma em um “premonição no espaço”, por conta de mortes abruptas e incoerentes. Aquilo acaba virando o principal atrativo, quando deveria ser apenas um recurso do roteiro. O ritmo do longa é o que disfarça os inúmeros problemas, pois os acontecimentos acabam instigando a curiosidade. Do segundo ato em diante, parece que o diretor e os roteiristas decidiram sugar todos os clichês de suspenses espaciais e vomitar para o espectador. Diversos momentos lembram muito o filme Vida, que já é um Alien: O Oitavo Passageiro genérico. A originalidade não é nem de longe o forte da produção.

O elenco de peso fica só no nome. As atuações robóticas exemplificam o que o resultado final realmente é: uma salada de frutas contendo situações óbvias e desfechos rasos, muitos sem sentido, acompanhado de uma falsa intelectualidade, mexendo com aspectos da ficção científica de forma leviana. Apenas Gugu Mbatha-Raw apresenta dramaticidade suficiente para que sua personagem seja aceitável, mesmo com os problemas que contém.

Quando já estamos cansados, o desfecho final previsível nos desanima ainda mais, sendo difícil de acreditar que eles realmente quiseram fazer aquilo. O que poderia ser um ótimo filme, alinhando conceitos profundos e boas explicações, acaba sendo apenas um filme espacial genérico. É assustadora a quantidade de materiais, de possibilidades, mas o roteirista parece ter jogado tudo fora e resolveu fazer um produto que é mais do mesmo.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 2.7/5]

 

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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