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O Insulto | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa libanês indicado ao Oscar!

O Insulto | Crítica

O Insulto (L’insulte)Resultado de imagem para o insulto pôster

Ano: 2017

Roteiro: Ziad DoueiriJoëlle Touma

Direção: Ziad Doueiri

Elenco: Adel Karam, Rita Hayek, Kamel El Basha, Christine Choueiri, Camille Salamé, iamand Bou Abboud, Julia Kassar

Retratar a situação política de dois povos através de personagens reais não é uma tarefa fácil. Isso é executado de maneira brilhante em O Insulto, realizando um aprofundamento imenso nos personagens e mostrando a intolerância religiosa, traumas por conta da guerra, junto com o preconceito em geral.

A trama gira em torno de dois personagens: o libanês cristão Toni (Adel Karam), que mostra em um primeiro momento ser preconceituoso, retrógrado, agressivo e intolerante e o palestino Yasser (Kamel El Basha), que é apresentado como um trabalhador refugiado que, apesar de ranzinza, seria uma boa pessoa.

A história começa quando Toni, ao regar as plantas de sua sacada, deixa que água suja caia em Yasser. O palestino trabalha em uma obra perto da casa do libanês e patê a sua porta para arrumar sua calha. O pedido é veementemente negado, mas Yasser decide concertar assim mesmo, sem autorização. Toni quebra a construção com um martelo, causando “o insulto” do trabalhador em questão.

Após o ocorrido, pedidos de desculpas são solicitados de um lado, mas o refugiado nega ao perceber o extremismo do outro homem. Quando Toni dispara palavras de ódio a ele e ao seu povo, é agredido. Esse fato desencadeia julgamentos, brigas, e, posteriormente, protestos de ambos os lados. O trabalho dos advogados dos dois homens é muito bem explorado, mostrando o caráter de quem está acusando e defendendo.

As questões envolvendo praticamente todos os personagens principais são desenvolvidas de uma forma que facilite a compreensão do público em relação aos acontecimentos. Nenhum personagem é unidimensional, todos possuem camadas, defeitos e qualidades. Ninguém é retratado como uma pessoa ruim, nem mesmo o mais intolerante.

Além do desenvolvimento dos personagens, o ritmo faz com que o a atenção do público seja preza, muito por conta do clima de tribunal, apresentando relatos dos dois lados. Um lado é posto como correto, mas isso não interfere na imparcialidade da produção, pois ela revela os pontos negativos politicamente de cada ideal. A mensagem é bem clara, condenando o preconceito e a intolerância, mas mostra que tanto a esquerda quanto a direita libanesa cometeram erros graves ao estarem em guerra.

As atuações são ótimas, sendo Kamel El Basha e Camille Salamé, que são beneficiados pelo roteiro, mas apresentam excelentes performances. O roteiro contém uma narrativa linear, fazendo com que flashbacks sejam apresentados como provas no tribunal, o que não quebra o ritmo. O começo, o meio e o fim são compactos e coerentes, e a direção do longa, apesar de simples, executa muito bem o propósito, mas não contém nenhum diferencial. O mesmo pode-se dizer da direção de fotografia.

O Insulto é um filme com temas políticos, mas que os executa de forma humana e sensível, passando uma mensagem extremamente positiva. O conteúdo é imprescindível, tanto quando falamos de cinema, quanto de história, por nos dar um contexto sobre a situação de dois povos. Se trata de um ótimo filme, merecendo sua indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 3.3/5]

 

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

Comments

  1. filme sensacional…o melhor qu vi em muito tempo…lição de vida e de como fazer um bom ntretenimento

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