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Maze Runner: A Cura Mortal | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre a conclusão da trilogia Maze Runner.

Maze Runner: A Cura Mortal | Crítica

Maze Runner: A Cura Mortal (Maze Runner: The Death Cure)

Ano: 2018

Direção: Wes Ball

Roteiro: T.S. Nowlin 

Elenco: Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Dexter Darden, Will Poulter, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito, Patricia Clarkson, Aidan Gillen, Barry Pepper

Em setembro de 2014, Maze Runner: Correr ou Morrer chegou junto com uma leva de adaptações de livros de aventura para adolescentes. Menos conhecido do que outros títulos do gênero, ainda assim conseguiu se destacar em função de uma história muito intrigante e um mistério que prendia o espectador. As boas doses de ação e suspense tornaram o filme um bom passatempo e criaram no público uma real expectativa pela sua continuação, que deveria explicar vários questionamentos presentes no primeiro filme. Questões sobre o labirinto, sobre as criaturas mortais presentes lá, sobre o experimento no qual os nossos jovens heróis estavam envolvidos e sobre o verdadeiro papel de alguns deles naquilo tudo.

Em setembro de 2015 foi lançado Maze Runner: Prova de Fogo, e confesso que fiquei um tanto quanto decepcionado. As respostas que foram dadas caíram na vala comum dos filmes de zumbi e assemelhados, e pouco foi feito que pudesse manter o interesse na série. A única motivação para ver o próximo era saber, afinal de contas, como aquilo terminaria. Aí é que aconteceu o grande problema – um grande hiato até o lançamento do capítulo derradeiro: Maze Runner: A Cura Mortal. A conclusão da saga chega aos cinemas brasileiros dois anos e quatro meses após o segundo filme, quando o interesse sobre a história e as memórias dos eventos passados já se dissiparam da mente da maior parte do público.

Isso é uma pena, pois A Cura Mortal não é um filme ruim. Infelizmente, leva-se um tempo para que as lembranças e ligações com o capítulo anterior se formem,  e dessa forma possamos entender mais claramente e nos envolvermos com o que se passa na tela.  O filme já inicia em uma empolgante sequência de ação, muito bem dirigida e montada, na qual Thomas (Dylan O’Brien) e seus companheiros tentam resgatar Minho (Ki Hong Lee) de um trem que transporta prisioneiros para as instalações da CRUEL. A operação não sai exatamente como planejavam e, por isso, eles se vêem forçados a ir à base da organização, em busca de seu amigo e da cura para o vírus que assolou a humanidade.

Não só a sequência de abertura, mas praticamente todos os momentos de ação do filme funcionam muito bem. É, sem dúvida, um dos pontos altos do longa. Wes Ball, que também dirigiu os dois capítulos anteriores da trilogia, demonstra qualidade em estabelecer a geografia da cena e acompanha bem os movimentos dos personagens, deixando muito claro tudo que se passa nas lutas, perseguições e trocas de tiro, mesmo durante os momentos mais intensos. A montagem nestas sequências também colabora para isso, dando um ritmo que nos reforça a urgência da situação, mas não esconde e nem substitui a coreografia apresentada pelos atores e veículos.

O outro ponto alto do filme é ter conseguido, de maneira mais eficiente do que em seus antecessores, mostrar a dualidade e dilemas de seus antagonistas. Teresa (Kaya Scodelario) demonstra o tempo inteiro a dor pelas consequências de fazer o que acredita ser certo. Ela sofre junto com cada uma de suas “cobaias”, na esperança que, ao encontrar a cura para o Fulgor, encontre também a própria redenção. Ao seu lado, Ava Paige (Patricia Clarkson) também dá sinais de arrependimento ao se deparar com mais fracassos nos testes dos soros criados em seus laboratório. Assim, vemos personagens que pensam que os fins justificam os meios, mas não são alheias ao sofrimento que provocam.

Apesar de utilizar algumas muletas de roteiro, resolvendo algumas situações da maneira mais fácil e, às vezes, um tanto quanto absurdas, são decisões que são comuns em filmes do gênero. A Cura Mortal ainda presta um bom serviço ao abrir espaço para questionamentos e discussões éticas tanto a respeito da prática da CRUEL com os jovens que sequestravam, quanto com a população mais pobre que vivia fora das muralhas, sem direito à segurança e ao tratamento contra o vírus. A desigualdade social é ali representada em um dos seus aspectos mais cruéis, e podemos ver algumas consequências disso.

Sendo assim, é um final digno para a série. Não desrespeita o público e entrega aquilo que deveria: uma conclusão honesta e coerente. E mesmo quem não lembra de nada dos filmes anteriores, ou lembra muito pouco, vai ter a chance de aproveitar o bom ritmo e várias sequências empolgantes. Mas como foi dito na nossa crítica em vídeo: evitem ver o filme em 3D, porque ele pouco aproveita este recurso, e só vai servir para pagar mais caro no ingresso.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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