Bode na Sala
Críticas Filmes

Sobrenatural: A Última Chave | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o quarto longa da série Sobrenatural!

Sobrenatural: A Última Chave | Crítica

Sobrenatural: A Última Chave (Insidious: The Last Key)

Ano: 2018

Direção: Adam Robitel

Roteiro: Leigh Whannell

Elenco: Lin Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson, Kirk Acevedo, Caitlin Gerard

Gosto muito de ser surpreendido por filmes e, até por isso, evito saber muita coisa sobre ele antes de assistir. Evito trailers, críticas e até sinopses. Dessa maneira, vou com a mente aberta para receber o que quer que seja apresentado, evitando boas ou más expectativas. Ok, nem sempre isso é possível, mas eu tento.  No entanto, existem dois gêneros de filmes para os quais eu sempre chego com uma exigência: se o filme é vendido como uma comédia, ele deve obrigatoriamente ser engraçado, e se ele é vendido como terror, deve obrigatoriamente dar medo. Se não cumprem essas exigências, já se tornam para mim algo como “propaganda enganosa” e saem com vários pontos negativos. Bom, para o meu nível de medo, Sobrenatural: A Última Chave cumpriu o seu requisito. Pena que falhou em tantos outros.

A Última Chave é o quarto filme da franquia Sobrenatural e, dessa vez, Elise Rainier (Lin Shaye) é chamada por um homem que está sendo atormentado por assombrações, mas a casa onde os ataques estão ocorrendo está ligada ao passado da médium. Então, ao lado de seus ajudantes, Specs (Leigh Whannell) e Tucker (Angus Sampson), ela terá que enfrentar não só os fantasmas da casa, mas também os seus próprios traumas pessoais.

Este é o segundo longa-metragem de Adam Robitel como diretor, novamente no gênero de terror. Anteriormente, havia dirigido A Possessão de Deborah Logan (2014). Robitel demonstra, de início, uma admirável qualidade: sabe criar um ambiente de tensão. Tanto é que a melhor parte do filme é, inegavelmente, o seu primeiro ato. Nos minutos iniciais, o diretor entrega as informações na dose certa, em um ritmo muito bem acertado, utilizando com eficácia a trilha sonora clichê do gênero, com alguns jump scares desnecessários, mas aceitáveis.

No entanto, talvez pelo roteiro, talvez por uma insegurança sobre a própria direção, tudo que ele construiu com qualidade no início se perde logo que passamos ao segundo ato, e encontramos Elise nos dias de hoje. Na verdade, parece que o filme inteiro desanda nessa parte. Se o primeiro ato se passa em 1953 e chama atenção pela excelente caracterização da época, tanto nos figurinos quanto nos cenários, além da paleta de cores puxando para o sépia, quando inicia o segundo ato e passamos para o ano de 2010, praticamente tudo que era elogiável se perde.

Além das questões técnicas, as atuações dos personagens principais são muito forçadas e isso atrapalha demais. Leigh Whannell e Angus Sampson, que são os alívios cômicos do filme, simplesmente não funcionam. Nenhum dos dois tem timing, as piadas são ruins e absurdamente inapropriadas para o clima do filme. A verdade é que a tentativa de humor fracassa e se torna até constrangedora. O bordão que Tucker tenta utilizar duas vezes já é ruim  na fala original em inglês: “She is the psychic and we are the sidekicks” (ou algo parecido), mas quando legendado, chega a ficar realmente vergonhoso: “Ela é a médium e nós somos médios”. Hãn??

Mas é no terceiro ato que o filme afunda de vez, quando nos deparamos com a entidade que assombra a casa há décadas. O longa perde de vez qualquer tensão que havia conseguido produzir anteriormente e se rende a uma tentativa de assustar mais visualmente, e fracassa completamente na empreitada. Um dos principais motivos para isso é que o “ser” que surge na tela parece totalmente deslocado de tudo que o filme apresentou até então, e isso beira ao absurdo, considerando que existem diversos ingredientes lá na sequência de 1953 que poderiam ser utilizados para passar exatamente a mesma ideia com um visual muito mais apropriado.

Falando em coisas que vimos anteriormente, vale ressaltar que fiquei esperando até o final que alguns elementos muito bem utilizados no primeiro ato retornassem para um fechamento e para se justificar na história, e isso simplesmente não acontece. Pelo jeito, eles não conhecem o Princípio da Arma, de Chekhov. Se a espingarda aparece pendurada na parede no primeiro ato, ela deve ser disparada em algum momento posterior. Digamos que o Sobrenatural: A Última Chave tem o equivalente a uma bazuca que some sem maiores explicações.

A impressão que fica é que o filme funciona apenas quando nossa imaginação faz o trabalho pesado. Quando dependemos do que o longa realmente quer nos entregar, pouca coisa se aproveita.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close